Soror Juana Inés de la Cruz
em Busca de uma Liberdade Identitária para as
Mulheres do Século XVII no México Vice-reinal

 

Edilson Antônio Alves*


 

No hay nada más libre que el entendimiento humano.
Anita Arroyo

 

  

APRESENTAÇÃO

A literatura hispano-americana tanto quanto sua História, ao ser desvendada, tem nos mostrado grandes e boas surpresas e, no entanto, é um ambiente mui pouco frequentado pelos historiadores brasileiros. E por incrível que pareça, a cultura européia e até a norte-americana têm sido a grande fatia de nossas pesquisas, todavia, um vizinho tão próximo dessas nossas paragens, como é o caso dos hispano-americanos, tem tido seu real valor de pesquisa marginalizado e, por vezes, excluído de nossas acaloradas discussões acadêmicas, sobretudo, o que mais intriga-me é justamente isso; como uma cultura tão rica como a da nossa vizinha América Hispânica tem sido relegada ao vazio e ao desdém, se pode nos oferecer tanto quanto as outras, em especial a européia?

Trilhando por esse caminho, recentemente entrei em contato com alguns textos de Juana Inés de Asbaje y Ramirez de Santillana, e logo após o hábito Soror Juana Inés de la Cruz, monja mexicana de meados do século XVII, nascida aos 12 dias do mês de novembro do ano de 1651 na fazenda de San Miguel de Nepantla, próximo à cidade de Amecameca, filha de pai basco e mãe mexicana, que por sorte tocou-lhe nascer e viver numa época em que a literatura mexicana era cópia, mais ou menos fiel da espanhola; culteranismo (um dos muitos estilos do Barroco), estilo que se intensifica no gongorismo.

Outro ponto sobressalente do culteranismo é o uso da metáfora como base das poesias, o desencadeamento dessas metáforas tem o objetivo de fugir da realidade cotidiana para se instalar no universo artificial e idealizado do mundo poético, uma tendência em que os escritores tinham no seu labor a predominância da prosa poética, com uma intensidade muito grande ou talvez unicamente, em verso. O idealismo estava em constante casamento com o realismo, tanto que essa busca teve como auge (na Espanha) o livro de Miguel de Cervantes; El ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha (primeira parte publicada em 1605 e a segunda em 1615), clássico da literatura fantástica barroca. As poesias que predominavam nessa época se mostravam como verdadeiros hieróglifos do intelecto: vestia-se a idéia numa roupagem espalhafatosa e elegante para ter o prazer de logo em seguida desnudá-la com o pensamento, tornando-a prazerosa aos sentidos humanos.

Talvez o traço mais acusador do barroco literário, o qual Soror Juana escreveu, seja o contraste; as obras manifestam uma profunda contradição tanto nos temas poéticos como também nas palavras, sendo assim, percebemos na vida desses autores, também, esse constante paradoxo.

Sua obra constituiu-se como uma das primeiras grandes manifestações da literatura hispano-americana e uma das mais brilhantes letras barrocas em língua castelã, alguns chegaram a ver nela la cumbre do culteranismo mexicano, chegando a ser comparada aos espanhóis Dom Luis de Góngora y Argote e Francisco Quevedo.

Embora ela tenha nascido em um período privilegiado pela cultura, o mesmo não se pode falar de sua situação feminina; o que se evidencia neste momento histórico é um instante dominado pela família patriarcal tanto nas relações pessoais quanto nas sociais e políticas, e ainda, não era permitido às mulheres educarem-se intelectualmente, a menos que fizessem parte da Corte ou se dedicassem à vida religiosa, todavia, aquele que se dedicasse à vida religiosa deveria ter como padrinhos, algum aristocrata da Corte, como era o caso de Soror Juana, que desde muito cedo chamou atenção pela sua precocidade intelectual; uma erudição que lhe permitiu a aproximação da Corte vice-reinal, outorgando-lhe tamanha popularidade que chegou a ser convidada para ser dama de companhia da esposa do vice-rei, eis quando as portas da intelectualidade (mérito estritamente masculino) lhe foram abertas.

Mesmo tendo na sua condição feminina um empecilho, a Monja foi um desses nomes que dedicou todo seu trabalho em busca da liberdade humana, especificamente da liberdade de sua "classe", e foi ela também a precursora do que hoje chamamos de feminismo, apesar de não haver em seu tempo essa denominação1, de acordo com seus atos, o papel que ela desempenhou foi justamente defender essas mulheres que se encontravam proibidas de exercer o intelecto, ou seja, trabalhar com as Ciências Naturais ou com as Letras era serviço estritamente masculino, não sendo permitido às mulheres tal "regalia".

De fato, a liberdade sempre foi o objetivo maior da existência de todos os seres humanos, tal como o sentido da vida ela nos persegue aonde quer que vamos e em qual época estamos, dessa forma, temos debatido em todas as épocas para alcançá-la.

Tendo manifestado seu forte desejo pela escrita e leitura aos três anos de idade, o que podemos absorver desse lapso racional de levar a vida é que, desde tenra idade a menina Juana Inés de Asbaje manifestou seu profundo gosto de se equiparar aos homens de forma verdadeira (tendo acesso às Letras), justa e correta e mostrando para eles que a mulher não é inferior em instante algum; isso num período em que a mulher tinha como obrigação, manter-se analfabeta por simples desejo masculino. O homem, essa raça forte e dominadora jamais se deixa subjugar pelos caprichos femininos (assim era visto); uma mulher que quisesse se educar intelectualmente estaria tendo caprichos, pois não precisavam disso. Assim, nesse mundo patriarcal nasceu, cresceu e morreu Soror Juana Inés de la Cruz. A ousadia dessa amecamecana pode ser visualizada já quando criança, como mencionado acima, eis quando ela opta por trilhar pela vida religiosa.

Um estrategista que observasse esse cenário diria que ela estava se infiltrando no Forte inimigo, descobrindo sua debilidade, para logo após miná-lo com bombas, enfraquecendo e destruindo-o para que "suas companheiras" pudessem entrar e com isso, conhecer este mundo outrora inóspito e sombrio, onde jamais estes pés ousaram pisar, todavia Soror Juana pisou, e foi quando pagou seu preço, como veremos com mais profundidade em outro instante desse ensaio.

Contudo, apesar de tamanha ousadia, nota-se uma mulher forte, num corpo (numa alma) sensível e frágil. Uma alma em conflito, ousada e em constante atrito com seu tempo, alma de quem sente na pele o peso de um caminho que não foi construído para que seguisse ou pisasse, e sim um caminho trilhado apenas para doutos senhores homens, verdadeiramente masculinos, e ainda; um caminho tão forte e ruidoso que, por demonstrar essa característica, obriga as pessoas a serem fortes tal como ele, decerto, totalmente distinto do corpo franzino e frágil de Soror Juana. Esse mesmo caminho que se configura no estigma do ser patriarcalmente masculino e coercivamente caudilista. Eis quando desponta o ser duvidoso e aflito de sua existência, ela tem toda uma vida conturbada com a dualidade existencial de seu ser, por viver num meio religioso e científico sua alma se embriaga com a razão, mas continua em constante peleja com sua paixão.

A razão de estar convivendo em um mundo patriarcal se mostra refletida na enorme biblioteca particular que mantêm dentro de seu claustro, composta por nada mais que aproximadamente quatro mil volumes. É essa mesma razão que faz com que perca toda essa biblioteca; é quando podemos perceber o quanto a paixão fustiga sua pobre vida.

 

EL SUEÑO DA ALMA DESGARRADA

A constante busca pelo conhecimento total e absoluto das "coisas do mundo" tem assombrado os homens em todas as épocas, e assim foi com Soror Juana também; essa busca a levou a uma viagem até as portas do céu. Em um instante de êxtase (um sonho) sua alma saiu do corpo e começou a vagar pelo universo infinito, em busca da luz ardente do Ocaso, lugar onde tudo tinha começado, sua sede imortal pelo conhecimento faz com que, com a mesma ousadia de enveredar-se pelas Letras, o alumiar de sua vida busque aquela luz primeira, concedendo ao seu conflituoso ser o mais íntimo dos desejos humanos que é, conhecer a sabedoria eterna:

Piramidal, funesta, de la tierra
nacida sombra, al Cielo encaminaba
de vanos obeliscos punta altiva,
escala pretendiendo las Estrellas; (1,1-4)

El Sueño, renomeado pelos estudiosos da poetiza como El Primero Sueño, foi seu poema mais extenso e ao mesmo tempo mais perfeito. Com uma composição de 975 versos, espalhados em 41 estrofes, a poetiza tenta ilustrar o mais ousado dos desejos humanos. Decerto, em mais essa composição, ela mostra seu afã de imortalidade, muito bem expresso no desejo de ofuscamento, que vasto e luminoso sempre a deslumbrou em sua eterna busca, como muito bem se refere em sua Respuesta de la poetisa a la muy ilustre Sor Filotea de la Cruz (que abordaremos com mais detalhes no capítulo seguinte): "Demás, que yo nunca he escrito cosa alguna por mi voluntad, sino por ruegos y preceptos ajuenos; de tal manera, que no me acuerdo haber escrito por mi gusto sino es un papellito que llaman El Sueño." Mais uma vez a autora fala com todas as letras que a única coisa que ela teve gosto em escrever e que realmente teve vontade foi um "papellito que llaman El Sueño", justamente a mais erudita de suas obras, talvez a única que reflita o que ela realmente buscou nas Letras, chegar à Suprema Verdade, mesmo sabendo que esse conhecimento total está impossibilitado na ínfima vida dos homens:

Y juzgándose casi dividida
de aquella que impedida
siempre la tiene, corporal cadena,
que grosera embaraza y torpe impide
el vuelo intelectual con que ya mide
la cuantidad inmensa de la Esfera,
ya el curso considera
regular, con que giran desiguales
los cuerpos celestiales, (14,298-305)

O claustro corporal humano impede o vôo intelectual que mede os grandes eruditos, justamente por eles estarem enclausurados em um corpo humano e limitado:

según de Homero, digo, la sentencia,
las Pirámides fueron materiales
tipos solos, señales exteriores
de las que, dimensiones interiores
especies son del Alma intencionales:
que como sube en piramidal punta
al Cielo la ambiciosa llama ardiente,
así la humana mente
su figura transuta,
y a la Causa Primera siempre aspira,
céntrico punto donde recta tira
la línea, si ya no circunferencia,
que contiene, infinita, toda esencia–. (19,399-411)

Como a pirâmide, construída com o intuito de guardar a alma dos faraós para a eternidade, com todo seu estigma mágico por dentro e, contudo, exteriormente tão ínfima perante o deserto e débil ante o vandalismo humano. A essência que se apreende dessas incríveis pirâmides tem toda aquela áurea de infinito, como a razão, mas, todavia, suas linhas geométricas e estruturais se limitam a alguns metros de pedras, como nosso corpo físico débil e reduzido, e ainda, como Soror Juana retrata sua estrofe seguinte, ela usa a metáfora da Torre de Babel, construída para ultrapassar a grandeza de Deus, entretanto, o que acontece é uma indissociável confusão de línguas; castigo enviado àqueles que ousaram desafiá-lo, dessa forma, a mente humana amesquinha-se perante tão confuso legado:

éstos, pues, Montes dos artificiales
(bien maravillas, bien milagros sean),
y aun aquella blasfema altiva Torre
de quien hoy dolorosas son señales
no en piedras, sino en lenguas desiguales,
porque voraz el tiempo no las borre –
los idiomas diversos que escasean
el sociable trato de las gentes
(haciendo que parezcan diferentes
los que unos hizo la Naturaleza,
de la lengua por sólo la extrañeza),
si fueran comparados
a la mental pirámide elevada
donde, sin saber cómo, colocaba
el Alma se miró, tan atrasados
se hallaran, que cualquiera
graduara su cima por Esfera:
pues su ambicioso anhelo,
haciendo cumbre de su propia mente,
de sí tan remontada, que creía
que a outra nueva región de sí salía. (20,412-434)

E por malgrado do destino, podemos perceber que o mesmo acontece com Soror Juana, se aqui disséssemos que ela estava escrevendo sua vida, aliás, profetizando seu destino, não nos enganaríamos com essa afirmação.

E por fim, a queda, quando a alma humana percebe que, por mais que alimente tais intentos, todos diluir-se-iam na claridade do Sol, ou seja, a razão esgotar-se-á na Suprema Verdade (Deus). E por mais que essa alma tivesse mostrado-se ousada, ela acabaria se queimando:

Consiguió, al fin, la vista del Ocaso
el fugitivo paso,
y – en su mismo despeño recobrada
esforzando el aliento en la ruina –,
en la mitad del globo que há dejado
el Sol desamparada,
segunda vez rebelde determina
mirarse coronada,
mientras nuestro Hemisferio la dorada
ilustraba del Sol madeja hermosa,
que con luz judiciosa
de orden distributivo, repartiendo
a las cosas visibles sus colores
iba, y restituyendo
entera a los sentidos exteriores
su operación, quedando a luz más cierta
el mundo iluminado y yo despierta. (41,959-975)

Ela teve que pagar caro por tentar entender o Ocaso num mundo em que, tanto o divino quanto o mundano estavam concentrados nas mãos de uma minoria ruidosa, alfabetizada e masculina.

 

O RIGOR E A DISCIPLINA DA FÉ; UM CONTRAPONTO À RAZÃO

Em plena maturidade literária, um fato curioso povoa a existência de Soror Juana (fazendo um estudo mais aprofundado deste fato é que podemos ilustrar esse eterno conflito), especificamente em 1691, ao criticar um dos sermões de Padre António Vieira, jesuíta dos primórdios da colonização portuguesa no Brasil, recebe uma dura reprimenda de seu superior – no formato de uma carta –, o bispo de Puebla, Dom Manuel Fernández de Santa Cruz, em que ele ataca a sua extrema vontade de conhecer a ciência, repreendendo-a para que "não se preocupe tanto com assuntos mundanos e se dedique um pouco mais aos divinos": "No pretendo, según este dictamen, que V. md. mude el ingenio renunciando los libros, sino que mejore, leyendo alguna vez el de Jesuscristo. Ninguno de los evangelistas llamó libro a la genelogía de Cristo, si no es San Mateo, porque en su conversión no quiso este Señor mudarle la inclinación, sino mejorarla, para que si antes, cuando publicano, se ocupaba en libros de sus tratos e intereses, cuando apostol mejorase el genio, mudando los libros de su ruina en el libro de Jesuscristo. Mucho tiempo ha gastado V. md. en el estudio de filósofos y poetas; ya será razón que se perfeccionen los empleos y que se mejoren los libros"2. Em um outro instante da carta, pode se perceber a total antipatia que os homens tinham às mulheres que se dedicavam ao cultivo das Letras; quando ele diz que não reprova tal uso, contudo se nota um pequeno desdém quanto a isso, chegando até a usar o nome de Deus para tentar provar esse equívoco quanto à erudição, e ainda, como um suposto estado de desobediência por parte delas, mostrando que Ele não quer a erudição na mão de mulheres, por considerá-las despreparadas para isso. "Letras que engendran elación, no las quiere Dios en la mujer; pero no las reprueba el Apóstol cuando no sacan a la mujer del estado de obediente. Notorio es a todos que el estudio y saber han contenido a V. md. en el estado de súbdita, y que han servido de perfeccionar primores de obediente; pues si las demás religiosas por la obediencia sacrifican la voluntad, V. md. cautiva el entendimiento, que es el más arduo y agradable holocausto que puede ofrecerse en las aras de la Religión."3 E quando há essa obediência, a mesma deve servir unicamente aos labores da religião; uma religião de homens e para homens, em que a mulher só tem vez quando se sacrifica para que as vontades dessa religião se concretizem, e claro, para que as vontades do homem prevaleçam. É servindo que ela será útil na sociedade.

Em resposta a essa carta, Soror Juana enumera os vários pontos que a capacitam a escrever e a estudar, mas, o que subentendemos em seu discurso nada mais é que, justificativas as mais variadas para convencer seu espírito, atormentado pelo conflito existencial de que as Sagradas Escrituras são passíveis de compreensão, quando racionalmente pensadas. Com esse princípio, a poetiza clama pela razão, levando até sua mente o instintivo lapso da quebra de ditames, mostrando que a verdade são verdades, e que sua verdade também tornar-se-á passível de erro, pois, essa liberdade que seu espírito fomenta, eleva seu ser até a retidão dos atos e a honra da alma, todavia esse exercício aconteça de forma involuntária é ele que reflete esse conflito, fustigado por tamanha dúvida que a razão lhe incita, mas ainda, inserindo em seu perturbado ser justificativas para conhecer Deus, mesmo que estas interfiram no rigor que escolhera para professar. "Y así, de mí lo conozco y reconozco que es especial favor de Dios el conocerlo, para saberme portar en uno y en otro con aquella sentencia de San Agustín: Amico laudanti credendum no est, sicut nec inimico detrahenti"4. Decerto, tal exercício é real, contudo, o rigor religioso grita mais alto, tanto que, esta carta a que me refiro foi o último de seus escritos.

Essa resposta de Soror Juana figura entre os textos mais decisivos de seu espírito, denotando-lhe o constante tormento em que se encontra, pelo amor à sabedoria. "En todo lo dicho, vunerable señora, no quiero (ni tal desatino cupiera en mí) decir que me han perseguido por saber, sino sólo porque he tenido amor a la sabiduría y a las letras, no porque haya conseguido ni uno ni otro."5 E ainda, quando ela justifica sua busca incessante citando a Jesus Cristo: "No, la sagrada cabeza de Cristo y aquel divino cerebro eran depósito de sabiduría; y cerebro sabio en el mundo no basta que esté escarnecido, ha de estar tanbién lastimado y maltratado; cabeza que es erario no espere otra corona que de espinas. ¿Cuál guirnalda espera la sabiduría humana si ve la que obtuvo la divina?"6, e mostrando ao seu superior a valia de tais Letras e o intuito que ela buscava nelas, chegando até a separar suas leituras, elevando as mundanas ao patamar de diversão e as sagradas ao de estudo; "Y como no tenía interés que me moviese, ni limíte de tiempo que me estrechase el continuado estudio de una cosa por la necesidad de los grados, casi a un tiempo estudiaba diversas cosas o dejaba unas por otras; bien que en eso observaba orden, porque a unas llamaba estudio y a otras diversión; y en éstas descansaba de las otras: de donde se sigue que he estudiado muchas cosas y nada sé, porque las unas han embarazada a las otras."7, deixando a justificativa de não saber tão bem aquilo que lia por diversão, assim não depositaria tanto interesse; mas sabemos que apenas dizia isso para enganar sua alma sedenta de sabedoria "mundana".

Mostrando-nos a sua infatigável busca pelo saber, denotando a esta ânsia a finalidade de compreender as Sagradas Escrituras por métodos mais científicos e voltados para as Artes Humanas, considerado uma blasfêmia, podendo até condená-la à fogueira do Santo Ofício, a monja começa e termina sua carta demonstrando todo o temor e a rigidez do rigor religioso, eis quando a razão, estremecida por valores verticais e superiores, abre mão, pela última vez, de sua racionalidade, abdicando-se das Letras para uma completa dedicação à paixão severa e rigorosa da clausura religiosa; "Perdonad, Señora mía, la digresión que me arrebató la fuerza de la verdad; y si la he de confesar toda, tanbién es buscar efugios para huir la dificultad de responder, y casi me he determinado a dejarlo al silencio; pero como éste es cosa negativa, aunque explica mucho com el énfasis de no explicar, es necesario poderle algún breve rótulo para se entienda lo que se pretende que el silencio diga; y si no, dirá nada el silencio, porque ése es su próprio oficio: decir nada." no início da carta, e ainda, quando volta a se repetir no final; "creo, vuelvo a decir, que si yo pensara, la ahogara antes entre las mismas manos en que nacía, de miedo de que pareciesen a la luz de vuestro saber los torpes borrones de mi ignorancia. (...) Pero ya que su ventura la arrojó a vuestras puertas, tan expósita y huérfana que hasta el nombre le pusisteis vos, pésame que, entre más deformidades, llevase tanbién los defectos de la prisa; porque así por poca salud que continuamente tengo, como por la sobra de ocupaciones en que me pone la obediencia, y carecer de quien me ayude a escribir, y estar necesitada a que todos sea de mi mano y porque, como iba contra mi genio y no quería más que cumplir com la palabra a quien no podía desobedecer, no veía la hora de acabar; y así dejé de poner discursos enteros y muchas pruebas que se me ofrecían, y las dejé por no escribir más; que, a saber que se había de imprimir, no las hubiera dejado, siquiera por dejar satisfechas algunas objeciones que se han excitado, y pudiera remitir, pero no seré tan desatenta que ponga tan ignorancias, sin que los remita a ajenos atrevimientos." Mais uma vez a religiosa se debruça em desculpas, para justificar sua gana de racionalidade, situação que vemos repetida em sua carta.

Dessa forma, o que subentende-se por trás desse ensaio autobiográfico que ela o intitularia Respuesta a Sor Filotea (Filotea seria o pseudônimo usado para ilustrar e até proteger – novamente se percebe esse conflito entre fé e ciência – o nome do Bispo Dom Manuel de Puebla) nada mais é que uma eterna busca da razão, que ainda se encontra atormentada pela paixão que adotou como meta de vida, que é conhecer Deus, tentando, a partir disso, entender mais esse homem que tanto aflige seus pensamentos e que tanto coíbe a defesa da Ilustração8 e dos direitos femininos, os mesmos que argumenta no início de um de seus poemas o motivo e a censura aos homens que desqualificam as mulheres. Ela tenta demonstrar nesse poema alguns argumentos que fazem da mulher igual o homem, o poema se chama; Arguye de inconsecuentes el gusto y la censura de los hombres que en las mujeres acusan lo que causan, eis o início dele:

Hombres necios que acusáis
a la mujer sin razón,
sin ver que sois la ocasión
de lo mismo que culpáis:
Si con ansia sin igual
solicitáis su desdén,
¿por qué queréis que obren bien
si las incitáis al mal? (1-2,1-8)

Um poema que ilustra muito bem a superioridade vã e efêmera do homem, uma superioridade que tinha como base concreta, somente, uma sociedade machista que respaldava tais valores rudes, lugar de "domínio" dos homens, onde todos os caminhos levam, também, a esse homem, onde sua razão torna-se inquestionável, ilimitada e absoluta, ainda mais quando a outra razão se encontra do lado "frágil" e "sensível", "débil por natureza"; o feminino.

 

O UNIVERSO DAS PAIXÕES HUMANAS EM CONFLITO COM O DIVINO

O temperamento da poetiza é muito bem expresso em seu conflito existencial, e isso está muito bem ilustrado em todos seus escritos. Assim como o espelho reflete nosso corpo, a pena reflete a alma, ainda mais quando se trata de uma poetiza que tem em seus escritos, exposta toda sua vida. Essa alma repleta de conflitos se torna a dupla vertente, criadora de seu viver. Talvez podemos perceber nessa dualidade, um jogo, necessário a harmonização de seu ser religioso, em conflito com sua curiosidade mundana e sorrateira, um duplo jogo que vai marcar todo o processo criador de sua obra, que é o próprio reflexo de uma vida fragmentada por dois pólos em constante conflito.

Existe um soneto intitulado A su retrato que é o próprio reflexo de Soror Juana com sua busca incessante para compreender as Ciências e as Letras. Como citado acima, sua profunda vida interior foi o pavio que acendeu o estopim, permitindo configurar no seu claustro não só em um universo religioso, senão como o centro de seu intelecto.

A verdade da poetiza se chama paixão:

Este que ves, engaño colorido
que, del arte ostentado los primores,
con falsos silogismos de colores
es cauteloso engaño del sentido; (1, 1-4)

E mais adiante surge o desassossego, quando esses falsos silogismos de cores, refletem o regrado cuidado com o uso das palavras e os atos que provém de sua pena, o medo e o fascínio pelas coisas mundanas se aplicam para tentar definir o sentido autobiográfico desse poema que a própria autora denomina como seu retrato, o retrato de uma vida dividida entre a clausura da vida religiosa e a liberdade encontrada nas Ciências Naturais e na Arte Humana, tão apaixonantemente comentada por Soror Juana, mas, contudo, conflitante nos atos entremeados pela razão:

es un vano artificioso del cuidado,
es una flor al viento delicada,
es un resguardo inútil para el hado:
es una necia diligencia errada,
es un afán caduco y, bien mirado
es cadáver, es polvo, es sombra, es nada. (3-4,9-13)

Essa efemeridade que encerra o soneto é retrato fiel do conflito existencial num vai e vem de titubeações, sua poesia apenas reforça o que o claustro lhe impõe, por mais que queira receber lisonjas e ser reconhecida pelos homens e mulheres de seu tempo e também fazerem reconhecidos os direitos femininos, sempre tem a moral religiosa e patriarcal que fundamenta os ditames machistas, embora isso não tenha interferido em nenhum instante em algo maior, essa liberdade que consegue forjar por meios tão ousados foi o fomento capaz de inaugurar a pessoa mulher, criando uma identidade feminina para a América que iniciava sua autonomia:

éste, en quien la lisonja ha pretendido
excusar de los años los horrores,
y venciendo del tiempo los rigores
triunfar de la vejez y del olvido, (2,5-8)

O triunfo da rosa sobre a triste sepultura do bestialismo patriarcal, que ruidoso, inibe e coíbe seu florescer. Contudo, o purpúreo magistério da beleza soube como ninguém mostrar que sua cultura gentil e formosa ensina a neve a exalar fragrantes aromas femininos, metamorfoseando a arquitetura humana com sua vã e falsa gentileza, e dessa forma, sendo capaz de matar a néscia vida rude, que desmaiada e encolhida, caducar-se-ia em tão suaves paragens:

Amago de la humana arquitectura,
ejemplo de la vana gentileza,
en cuyo ser unió naturaleza
la cuna alegre y triste sepultura.
¡Cuan altiva en tu pompa, presumida
soberbia, el riesgo de morir desdeñas,
y luego desmayada y encogida, (2-3,5-11)

Conseguindo triunfar, todavia, com obrigações e martírios que ir-se-iam ser atirados logo após a proibição de estar envolvendo-se em assuntos mundanos, mais uma vez, o rigor religioso que a auxiliou a sonhar sua liberdade, a obrigou a encarcerar-se na mesma clausura de outrora, entretanto, seus escritos se eternizaram, ficando como exemplo para a possibilidade de vilipendiar os ditames morais de seu tempo. E essas muitas feridas cicatrizar-se-iam com douta morte, pois, morrendo, ensina-se a viver:

de tu caduco ser das nustias señas,
con que con docta muerte y necia vida,
viviendo engañas y muriendo enseñas! (4,12-14)

Os fragmentos acima, quando juntos, se transformam em um soneto da poetiza chamado A una rosa, soneto CXLVII que também podemos denominar como A uma vida cheia de labuta e, acima de tudo, disciplina, capaz de ensinar morrendo, ou seja, é a vida de Soror Juana em mais um de seus poemas autobiográficos.

Ensinamento que serviu de exemplo para gerações futuras, fazendo com que nossa Monja tenha seu devido valor na História das lutas humanas pela liberdade de espírito, quiçá, do intelecto. Pondo-a ao patamar de um outro poeta, precursor das liberdades na América Hispânica, em especial à Cuba; referimo-nos a José Martí, poeta cubano que também fez de sua vida um exemplo de labuta atrás das liberdades humanas, ambos pioneiros no processo de formações identitárias para a América, tendo cada qual seu valor peculiar.

Nesse contexto, as liberdades sempre foram objetivos de diversas vidas em várias passagens da História, com isso, todos temos bem claro que o ser humano tem debatido em todas as épocas, meios, para alcançar essa liberdade, mas, o que poucos sabem é que tal liberdade também vem de mãos femininas, como é o caso de Soror Juana Inés de la Cruz, que conseguiu mostrar-se ouvida em pleno México Vice-reinal, absolutista e caudilista, lugar onde a liberdade de expressão se mostra como crime muito caro para aqueles que desafiarem a Corte. Ela inaugura essa liberdade e se faz ouvida, instaurando uma nova era para as conquistas hispano-americanas, mostrando aos homens que sua arrogância não passa de cega ignorância:

Bien con muchas armas fundo
que lidia vuestra arrogância
pues en promesa y instancia
juntáis diablo, carne y mundo. (16,61-64)

Esses inconsequentes e ignorantes homens são também lembrados pela Monja em seu poema intitulado: Arguye de inconsecuentes el gusto y la censura de los hombres que en las mujeres acusan lo que causan. De fato, as mulheres são aquilo que os homens causam, seu molde se pauta no homem e a luta para fugir disso foi que fez com que Soror Juana empreendesse-se por essa causa, o que lhe custou caro, porém serviu de exemplo para aqueles que lutam, um exemplo que ainda hoje tem seus reflexos.

Soror Juana, com sua mexicanidade de espírito, que muitos não vêem calar nem mesmo no estágio mais profundo das elegâncias e sutilezas humanas do puramente espiritual foi um dos vários talentos que tem dado expressão artística a nossa mundividência americana. Esse mesmo espiritual que lhe abriu as portas do intelecto estritamente masculino e que também as fez se cerrarem.

Evidências sobressalentes do eterno conflito existencial que dirigiu sua vida; uma alma que cresce entre a razão e a paixão, entre o intelectual e o sentimental só poderiam trazer a seu ser existencial, tão misterioso, ousado e divinamente extraordinário, um ambiente truncado, fascinante e indecifrável. Essa Fenix de Mexico, como a crítica à batizou, teve o dom de fazer brotar no tirano meio ambiente do século XVII a "rosa divina que em gentil cultura e fragrante sutileza, com seu magistério púrpuro de beleza, conseguiu ensinar a formosura no âmago mais íntimo da arquitetura humana, e encolhida nessa caduca vida, conseguir alimentar com a morte, a soberba vida". Assim, uso as palavras de Soror Juana para poder definir o que ela representou para nossa História e também para seu tempo.

Essa força que nos conduz em passo de ânsia até o desconhecido é o que falar-se-á acerca do espírito mundividente do povo americano e de seus pensadores e pensadoras autônomos(as).

 

RETRATO GRÁFICO DE UMA ERA

A poetiza foi retrato vivo de como era formada e fundamentada a sociedade colonial mexicana do século XVII, como bem definiu Marcelino Menéndez y Pelayo: "No se juzque a Sor Juana por sus símbolos y jeroglíficos, por su Neptuno Alegórico ... por los innumerables rasgos de poesía trivial y casera de que están llenos los romances décimas com que amenizaba los saraos de los virreyes Marqués de Mancera y Conde de Paredes. Todo esto no es más que un curioso documento para la historia de las costumbres coloniales y un claro testimonio de cómo la tiranía del medio ambiente puede llegar a pervertir las naturalezas más privilegiadas (...) lo que más interesa en sus obras es el rarísimo fenómeno psicológico que ofrece la persona de su autora (...) hay acentos de sus versos que no pueden venir de la imitación literaria (...) los versos de amor profano de Sor Juana son de los más suaves y delicados que han salido de pluma de mujer." Todavia, tais reflexos, apesar de demonstrarem uma autobiografia do ambiente que então se vive, não podem ser considerados como únicos da produção literária de Soror Juana. Sua vida foi um turbilhão de valores, e ainda, mencionamos acima o seu eterno conflito existencial razão/paixão; sua paixão pode nos mostrar muito mais que os símbolos contidos em suas obras, afinal de contas, o mesmo autor não nomeou seus escritos como hieróglifos, passíveis de várias interpretações? O que mais eles têm a mostrar? Também uma vida "suave e delicada tem saído de sua pena".

Entretanto, mais uma vez esse viver suave e delicado se mostra amarrado pelo divino, que se torna em vida, uma perseguição quase homérica, algo que se finda apenas no escurecer de seus olhos, ou seja, uma busca que tem seu fim apenas na morte.

Até mesmo o amor profano de Soror Juana se mostra atormentado por essa presença constante em sua vida, são devaneios que começam no formato de um desejo e sempre findam na melancolia, fazendo de sua pessoa apenas um instrumento, pois ignora o que lhe atormenta. A aspiração advinda desse desejo, nada mais é que a busca da Alma n’El Sueño, quando tentamos nomear um de seus poemas como profano, o mesmo se desnuda no formato de um divino a buscar, onde a liberdade humanamente verdadeira se define como intento de vida e busca racional. Essa mesma liberdade que tem na figura de um menino sua mais sublime ilustração:

Tal vez el dolor me engaña
y presumo, sin razón,
que no habrá satisfacción
que pueda templar mi saña;
el agravio porque riño,
es como espanto de niño
que para en burlas y juego.
Y aunque el desengaño toco,
com la misma pena lucho,
de ver que padezco mucho
padeciendo por tan poco. (14-16,53-64)

O poema de Soror Juana citado acima tem o título; De amor y discrecíon, refletindo o quanto essa liberdade estava sendo dolorida para a Monja, por mais que isso perdure como objetivo de vida, seu objetivo primeiro, que foi enveredar pelos rigores religiosos, clama mais alto, deixando sua alma cheia de ternura, mas, contudo, cansada e triste:

Siento una grave agonía
por lograr un devaneo,
que empieza como deseo
y para en melancolía.
Y cuando com más terneza
mi infeliz estado lloro,
sé que estoy triste e ignoro
(sic)
la causa de mi tristeza. (2-3,5-12)

Essa causa que diz ignorar, nada mais é que os valores que tão desditoso rigor lhe impõe em vida, trazendo até sua alma uma melancolia sombria e eterna, mesmo quadro das muitas mulheres de então, apesar de estarem fora dessa vida religiosa, nem tampouco tal rigor não lhes acomete e as liberdades se mostram na figura de um grupo escravo.

O temor pela vida religiosa insiste em instituir Soror Juana ao real estamento que ela pertence, o estamento feminino, escravo e submisso;

Y si alguna vez sin susto
consigo tal posesión,
cualquiera leve ocasión
me malogra todo el gusto. Siento mal del mismo bien
com receloso temor,
y me obliga el mismo amor
tal vez a mostrar desdén. (6-7,21-28)

E quando pinta o desejo pela liberdade que tanto clama em seus escritos, novamente seu ser se prende àquilo que ela professa, fazendo com que esse desejo repentino se tansforme em receoso temor, obrigando-a a mostrar desdém por tais coisas mundanas. É certo que ela busca a liberdade, mas seu atribulado espírito ainda se encontra arraigado ao rigor religioso, fazendo com que este instante de lapso libertário se prenda e involuntariamente se deixa entregar ao celibato.

E padecendo nas pradarias mundanas da vida, Soror Juana segue o percurso de sua história, encarcerada no rigor religioso de uma vida em busca da Verdade Suprema, nem que a mesma advenha junto à morte física de seu espírito sedento de vida e conhecimento, o espírito livre de um povo escravo.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A história dos homens a muito tem mostrado a sua discriminação, preconceito e exclusão, tendo em vista que, em todas as épocas sempre existiram mentes brilhantes como femininas e masculinas; revelando situações e descobertas que muito trabalharam para os valores humanos. O que tem contribuído para nossa grandeza está intimamente ligado a essas descobertas; as revelações e lapsos de razão desses homens e mulheres foi o que fez que elevasse nosso espírito até a busca de valores de liberdade e justiça tal como temos hoje, é certo que nosso sistema ainda é falho, mas se comparando às situações vividas por nossos antecedentes, temos progredido bastante.

E nesse contexto de luta por uma sociedade mais justa e livre, sem discriminações de qualquer feitio, encontramos Soror Juana, a Fenix de México que muito contribuiu para esse fim, guerreira, batalhadora que foi capaz de desafiar a Santa Madre Iglesia por se considerar correta nos valores que tanto pregava, haja vista que seu espírito de vida foi o primeiro a clamar pela liberdade das mulheres na América Hispânica, abrindo caminho para muitos outros que continuariam esse trabalho.

Contudo, a historiografia brasileira tem marginalizado esse tipo de fonte por considerá-la, as vezes, até irrelevante, e isso tem feito com que nossa América, tão extensa e rica fique relegada ao desconhecimento. Quando reviramos o pó do tempo, que tem estacionado em nossas raízes, muito temos descoberto, o que faz despertar em nosso espírito, também, sedento de sabedoria, a vontade incontrolável de alçar vôos cada vez mais altos, como àquela Alma a procura de seu sonho.

Descobertas instigantes têm acontecido nos anais da literatura Hispano-americana, imagine; como poderia, uma mulher ter tido a ousadia de desafiar toda uma sociedade patriarcal e caudilista, elevando seu ser até às mais longínquas instâncias do espírito humano, capaz de criticar o Padre António Vieira – jesuíta conhecido em todas as Américas, muito respeitado por seu trabalho com os indígenas, maioria indiscutível do continente – num período dominado pela Santa Inquisição, desafiando superiores e até o próprio rigor religioso?

Sim, muito ainda temos que comentar e estudar essas Almas sedentas de vida, num lugar "tão pouco interessante" como nosso continente, nem que para isso fosse necessário revirarmos todo o pó que solidificou-se sobre o Livro Americano da História.

De fato, o exemplo da Monja e Poetiza, Soror Juana Inés de la Cruz foi, talvez, o mais crucial símbolo das mulheres hispano-americanas na eterna luta em busca de direitos iguais e mais justos, travados por todas as mulheres em todos os continentes e em todas as eras. E como não haveria de faltar, sua história mostrou-se recheada de empecilhos e conflitos, talvez por ter se mostrado ousada num instante, ainda, masculino e acima de tudo, dominado pelo rigor da Santa Madre Iglesia, e como não poderíamos deixar de falar; um instante de descoberta, em que a razão teimava por ser ouvida, ainda que para isso seu destino se findasse dentro das fogueiras do Santo Ofício da Inquisição.

 

Notas:

  1. O termo feminismo tem no século XX seu forjamento, contudo, os atos que fizeram da poetiza o que ela se tornou são prenúncios do que hoje chamamos por direitos iguais para homens e mulheres.

  2. Vê-se SANTA CRUZ, Bispo Dom Manuel Fernández de,. Carta de Sor Filotea de la Cruz. (Citado 12-02-2000). Internet:
    http://ensayo.rom.uga.edu/antologia/XVII/sorjuana2.htm.

  3. Ibdem, idem.

  4. Vê-se DE LA CRUZ, Soror Juana Inés,. Respuesta de la poetisa a la muy ilustre Sor Filotea de la Cruz. (Citado 12-02-2000). Internet:
    http://ensayo.rom.uga.edu/antologia/XVII/sorjuana1.htm.

  5. Ibdem, idem.

  6. Ibdem, idem.

  7. Ibdem, idem.

  8. Vê-se como Ilustração, um movimento intelectual que buscava a disseminação do intelecto entre todas as pessoas, buscando uma melhora no nível de vida das mesmas no patamar dos valores humanos, em que todas essas faculdades estavam voltadas para o conhecimento do universo e que teve forte apelo aqui na América, provindo da Europa, veio para tentar entender a vida a partir dela mesma.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Livros Consultados:

ARROYO, Anita. América en su literatura, 2 ed.. Porto Rico: Editorial Universitaria/Universidad de Puerto Rico, 1978.

PAZ, Octávio. Sor Juana Inés de la Cruz o Las trampas de la fe, 4 ed.. Espanha: Seix Barral, 1990 (Biblioteca Breve).

Fontes Eletrônicas (Internet):

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http://mexicodesconocido.com.mx/hipertex/cultxvii.htm (4 pp.)

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DE LA CRUZ, Soror Juana Inés,. Respuesta de la poetisa a la muy ilustre Sor Filotea de la Cruz. Citado 12-02-2000. Online, Internet:
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http://mexicodesconocido.com.mx/hipertex/primeros.htm (3 pp.)

INUNDACIÓN Castálida (1689). Citado 11-02-2000. Online, Internet:
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SANTA CRUZ, Bispo Dom Manuel Fernández de,. Carta de Sor Filotea de la Cruz. Citado 12-02-2000. Online, Internet:
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http://www.archipielago.org/sorines.htm (5 pp.).

SOR JUANA Inés de la Cruz o las trampas de la fe. Citado 11-02-2000. Online, Internet:
http://www.ur.mx/division/ohepe/homepage/letras/trampas.htm (1 p.)


(*) Poeta e graduando em História pela Universidade Federal de Uberlândia, desenvolve pesquisas na área de História Cultural com fundamentação na questão identitária da América Hispânica.



© Edilson Antônio Alves 2000
Espéculo. Revista de estudios literarios. Universidad Complutense de Madrid

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