Andityas Soares de Moura

Lentus in umbra                 

 

TOMÁS DE AQUINO

toda prece
verdadeira termina
em um gozo inacessível
de
magnólias

torturar os gostos
séculos a fio

 


    até que saibas
    lamber com
    a língua

   

- laranjas nos laranjais 

 

 

: o prazer
do dia
que se acaba

 

O VALOR DO ABISMO

I - ÂMAGO

Dama,
pelo fruto não se constrõem
cidadelas, não se formam
rios impunes de cólera,
por cavalgar não se
nivelam estrelas

silvestres silvos
locus amoenus
entre pernas corredoras

ah   !   o estigma do vinho
ah   !   o esquecimento
no jardim !

 

II - SOBRE A TERRA

Sobre a terra não se
escava mais, não se pode
falar há não ser com sobressaltos
incríveis

Há ainda alguns
que choram - ó desmedidos,
                        teus corações são como
                        bolas de odores tácitos

eu, por mim, presto
homenagem a todos

-   " todas as horas mineiras
são boas e simples "

 


BIOBIBLIOGRAFIA

Andityas Soares de Moura nasceu em 1979, na cidade de Barbacena, Estado de Minas Gerais (Brasil). Bisneto de Agenor Soares de Moura, primeiro tradutor da obra de Thomas Mann no Brasil - saudado por Paulo Rónai como um dos maiores tradutores da língua portuguesa - desde muito cedo dedicou-se às letras. Recebeu o primeiro prêmio no 1º Concurso Literário Jornal de Sábado (Barbacena/M.G.), em 1996, em três categorias: conto, crônica e poesia.
A partir de 1995 criou e editou o Jornal Cultural "Cânticos do Albatroz", espaço democrático dedicado à Literatura, Artes Plásticas, Poesia, Música e Filosofia. O periódico contava com seções nas quais publicava-se o que de melhor se produziu no Ocidente, como textos de Shakespeare, Baudelaire, Kafka, Poe, Byron, Eliot e Dante, entre muitos outros. Não obstante, havia espaço no pequeno jornal para colaborações de poetas desconhecidos, que por erstarem fora do chamado " circuito oficial ", jamais tinham publicado antes.
O "Cânticos do Albatroz" era distribuído gratuitamente. Seu último número foi editado em Janeiro de 1997, mesmo ano no qual Andityas Soares de Moura publicou, às suas expensas, seu primeiro livro de poemas, intitulado de "Ofuscações". Tal obra esgotou-se rapidamente, sendo que a partir de então o autor começou a publicar poemas em diversas revistas brasileiras de peso, como, por exemplo: "A Cigarra", "Poiésis", "Boletim Literário Komedi", "Vozes", "Jornal Cultural" etc.
Em fevereiro de 2001 surge o segundo livro de poemas de Andityas. Trata-se de um volume de 52 páginas, editado pelo próprio autor, intitulado "Lentus in Umbra". Apesar de sua pequena tiragem - apenas 300 exemplares - vem recebendo críticas bastante elogiosas por parte de grandes escritores brasileiros.
Ivan Junqueira, poeta e ensaísta, tradutor definitivo das "Flores do Mal" de Baudelaire para o Português vê em "Lentus in Umbra" uma alta voltagem lírica, que se manifesta em toda a obra. Outra qualidade apontada por Junqueira é a originalidade e beleza dos poemas que compõe a obra supradita.
Já Affonso Arinos de Melo Franco prefere classificar "Lentus in Umbra" como um "belo livro de um jovem poeta."
Atualmente Andityas prepara a edição de seu terceiro livro de poemas, que há de ser editado por uma editora recém-nascida, além de traduzir os poetas barrocos franceses para publicar em um futuro próximo, juntamente com outra tradução, desta vez de poemas de Jules Laforgue e Francis Ponge.


 

  Índice

Exdono. Espéculo
Universidad Complutense de Madrid 2001