Dom Quixote das crianças:
uma análise comparativa do clássico
e da adaptação lobatiana
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Izaura Cabral2   Flávia Brocchetto Ramos3


 

   
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1 Introdução

A produção da literatura infantil está apoiada em princípios da recepção, que considera o tipo de leitor a ser atingido, ou seja, a criança e, por isso, exige um afastamento do narrador da condição de adulto para se aproximar do mundo infantil. Nessa busca de comunicação com a criança se realizam as adaptações, o texto adaptado deve possibilitar ao leitor a compreensão do universo proposto, ou seja, a criança encontra no livro alguns elementos de seu horizonte de expectativa, como, por exemplo, a natureza imaginária, o tipo de personagens, a apresentação e o desenvolvimento do conflito, a representação do tempo e do espaço. Levando em consideração os aspectos apresentados, verificaremos o processo de adaptação sofrido por Dom Quixote de La Mancha, de Cervantes, que gerou Dom Quixote das crianças, de Monteiro Lobato.

 

2.1 Literatura infantil: particularidades do gênero

A literatura infantil é um gênero bem recente. Segundo Regina Zilberman, ela “praticamente inexistia antes do século XVIII”4, porque seria “incompreensível sem a presença de seu destinatário”.5

Na sociedade antiga, não havia a “infância”: nenhum espaço separado do “mundo adulto”. As crianças trabalhavam e viviam junto com os adultos, testemunhavam os processos naturais da existência (nascimento, doença, morte), participavam junto deles da vida pública (política), nas festas, guerras, audiências, execuções, etc., tendo assim seu lugar assegurado nas tradições culturais comuns: na narração de histórias, nos cantos, nos jogos.6

Para a autora, a literatura para crianças emerge no âmbito pedagógico e está associada à ascensão da burguesia européia, a qual modifica as convenções acerca da estrutura familiar. A partir dessa mudança, a família torna-se uniforme, mais voltada para a preservação dos elos sangüíneos. Dentro desse cenário, a criança passa a receber o tratamento de indivíduo especial, em processo de formação:

é a ascensão da ideologia burguesa a partir do século 18 que modifica esta situação: provendo a distinção entre o setor privado e a vida pública, entre o mundo dos negócios e a família, provoca uma compartimentação na existência do indivíduo, tanto no âmbito horizontal, opondo casa e trabalho, como no vertical, separando a infância da idade adulta e relegando aquela à condição de etapa preparatória aos compromissos futuros. Provendo a necessidade de formação pessoal e tipo profissionalizante, cognitivo e ético, a pedagogia encontra um lugar destacado no contexto da configuração e transmissão da ideologia burguesa.7

Nascida nesse contexto histórico, a produção literária é caracterizada em função da especificação do seu leitor: a criança. Além disso, outro aspecto particular desse gênero é a formação do seu acervo que se originou em material já existente como os clássicos e os textos folclóricos: lendas e contos. O clássico e o popular reendereçados se caracterizam como textos literários infantis, à medida que incorporam elementos típicos dos contos de fadas, tais como a presença do maravilhoso e a apresentação de um universo em miniatura. Também se evidenciam no gênero a vinculação estrutural com os contos de fadas e a preocupação do adulto com a formação da criança.8

Em razão dessa última característica, os textos tendem a apresentar uma única visão, a do adulto, uma vez que este é o responsável pela produção e circulação do impresso e a criança é apenas o receptor, fato que pode tornar a literatura infantil assimétrica. No entanto, para diminuir essa desigualdade, aplicam-se pressupostos da adaptação. Assim, é necessário que o adulto, com uma visão de mundo diferente da criança, um conhecimento lingüístico mais amplo, se coloque na posição do infante, indivíduo em formação, com fantasias e pouca experiência de vida, desejoso de alimentar seus sonhos e que está à procura de algo significativo.

2.2 Dom Quixote: proposta de adaptação

Em busca do encantamento da criança pelo livro e da necessidade de colocá-la frente a novos conhecimentos e a culturas diferentes que contribuam para sua formação, Lobato adaptou clássicos para as crianças brasileiras, entre eles Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes. Para tornar o texto fonte, publicado, na Espanha, entre os anos de 1605 e 1615, acessível aos pequenos leitores brasileiros, foram necessárias várias modificações: “adaptar para los niños un libro que no les estaba destinado significa someterlo a una cantidad de modificaciones - por lo general, cortes y cercenamientos - [...].9

Podemos dizer que Lobato enxugou a narrativa, retirando elementos desnecessários ao entendimento do leitor mirim. Na adaptação de uma obra clássica para um leitor infantil, a maior preocupação deve ser a diminuição da assimetria. O narrador utiliza-se de diversos meios para suprimir a distância existente entre o adulto, que produz o livro, e a criança, o leitor a ser atingido. Zilberman, a partir de Göte Klimberg, aponta como procedimentos empregados na adaptação de livros para a infância, a adequação de assunto, forma, estilo e meio.

2.2.1 O assunto

Na adaptação do assunto, Zilberman sugere que se considere “[...] que a compreensão de mundo do recebedor, assim como suas vivências, são limitadas, [por isso] o escritor obriga-se a uma restrição no tratamento de certos temas, idéias ou problemas”.10

Para Gilberto Defina, “o assunto seria o título interno da obra de ficção. A idéia substancial do romance, sob o qual irão rodar o argumento e o tema, e, com eles, todo o fato narrativo ampliado dos mesmos, com seus demais elementos”11. Acrescenta ainda que, “o assunto é a realidade objetiva da obra literária, e que se transformará em objeto da criação artística”.12

Em Cervantes, o assunto centra-se no modo como passa a viver um fidalgo castelhano que perde a lucidez em razão da leitura assídua de romances de cavalaria e torna-se um cavaleiro andante que sai pelo mundo em companhia de seu escudeiro. Em Lobato, a narrativa prioriza os serões ocorridos no sítio, nos quais Dona Benta conta a saga do cavaleiro andante. Nesta obra, o clássico é traduzido para as crianças, nas palavras da avó, que seleciona, de uma forma bem sucedida, as partes que devem ser contadas às personagens do sítio e, conseqüentemente, aos leitores da obra. Na adaptação, vários trechos são suprimidos, como por exemplo, na primeira parte:

a) o capítulo XIII, que conta o enterro do pastor Crisóstomo e o fato de ser a pastora Marcela sua homicida;

b) o capítulo XV, que trata da desgraçada aventura com que se deparou Dom Quixote ao topar com uns desalmados iangüeses, que eram muitos e, covardemente, malharam o protagonista e seu fiel escudeiro;

Já na segunda parte, destacam-se:

c) o capítulo II, que mostra a notável pendência que Sancho Pança teve com a sobrinha e a ama de Dom Quixote;

d) o capítulo V, que apresenta uma discussão entre Sancho e sua mulher, Teresa Pança.

Em relação ao capítulo XIII, o narrador prefere não transmitir às crianças o episódio que trata de morte e assassinato em que a homicida é uma mulher; no XV, a covardia dos iangüeses não serve como exemplo para os pequenos leitores; no II, da segunda parte, o diálogo das personagens é baseado em expressões como “monstrengo”, “ó ama de Satanás”, “o tresvariado”, “más ilhas te afoguem”, “saco de maldades”, “costal de malícias”, em que termos chulos seriam exemplo de comportamento indesejado, como também no capítulo V, da segunda parte da obra, quando Sancho destrata sua mulher: “Vem cá besta e mulher de Barrabás”, “[...] que tens algum demônio metido no corpo”, “vem cá mentecapta e ignorante”. Monteiro Lobato suprimiu ou adequou assuntos tratados no clássico. A obra original já apresentava características que tornavam a leitura atraente às crianças, como a fusão entre o real e o imaginário, pois a obra se desenvolve “em torno do contraponto entre o real e o imaginário, o livro possui episódios em que os dois planos se confundem e em que o imaginário se torna, enfim, a própria realidade, [...]”13. A confusão pode ser percebida no episódio em que Dom Quixote resolveu virar cavaleiro andante e foi ver o cavalo que tinha:

Foi-se logo a ver o seu rocim; e dado tivesse mais quartos que um real, e mais tachas que o próprio cavalo de Gonela, que tantum pellis et ossa fuit14, pareceu-lhe que nem o Bucéfalo de Alexandre nem o Babieca do Cid tinham que ver com ele.15

Na adaptação brasileira, o cavalo de Dom Quixote é mencionado realisticamente:

[...]. Era um pobre cavalo, desses que por aqui chamamos matungo, e velho até não poder mais. Ossos só. Mas a imaginação desvairada de Dom Quixote via tudo ao contrário da realidade. Olhou para o feixe de ossos sem ver osso nenhum - viu um maravilhoso cavalo, igual aos mais famosos do mundo, [...].16

A imaginação do protagonista também é responsável pelo episódio mais célebre, quando Dom Quixote se arremete contra os moinhos de vento, convencido de que são gigantes, conforme narração de Dona Benta “[...]. Enristou a lança e atacou o moinho mais próximo, espetando o ferro numa das asas[...]”. Em Cervantes, os imaginários gigantes derrotam o herói pela sua insistência em confundir o real com o imaginado:

[...] encomendando-se de todo coração à sua Senhora Dulcinéia, pedindo-lhe que em tamanho transe o socorresse, bem coberto de sua rodela, com a lança em riste, arremeteu a todo galope do Rocinante, e se aviou contra o primeiro moinho que estava diante, e dando-lhe uma lançada na vela, o vento a volveu com tanta fúria, que fez a lança em pedaços, levando desastradamente cavalo e cavaleiro, que foi rodando miseravelmente pelo campo afora.[...]17

Cervantes traz exemplos de luta por valores, “investe-se dos ideais cavalheirescos de amor, de paz e de justiça, e prepara-se para sair pelo mundo, em luta por tais valores”18. Tanto em Lobato, quanto em Cervantes, Dom Quixote queria, como um bom cavaleiro andante, ver a justiça triunfando, como no episódio em que defendeu o guardador de ovelhas que apanhava de seu patrão. No clássico, ele promete procurar o patrão do menino em qualquer lugar para fazê-lo cumprir o juramento:

- Dos defumados vos dispenso eu - disse Dom Quixote; - dai-lhe os reales, sejam como forem, e sou contente; e olhai lá se o cumpris, segundo jurastes; quando não, pelo mesmo juramento vos rejuro eu que voltarei a buscar-vos e catigar-vos, e que de força vos hei de achar, ainda que vos escondais mais fundo que uma lagartixa; e se quereis saber quem isto vos intima, para ficardes mais deveras obrigado a cumprir, sabeis que sou o valoroso Dom Quixote de La Mancha, o desfazedor de agravos e sem razões. [...]19

No infanto-juvenil, o herói se apresenta como o defensor dos inocentes:

- Não será assim André - observou Dom Quixote - Farei este cavaleiro jurar o cumprimento da promessa e lhe concederei que vá até sua casa contigo. Respondo pelo pagamento. E fica tu sabendo que sou Dom Quixote de La Mancha, um cavaleiro andante que corre o mundo em defesa dos inocentes.20

O herói, nas duas obras, é exemplo de humanidade, sonha e busca o que acredita:

[...] Dom Quixote tem sido o herói por excelência, - paradoxalmente o mais fraco e o mais forte. Sua figura esquálida e comovente continua a ecoar, bem viva, em cada ser humano que, instintivamente, se entrega à luta por sua auto-realização ou por seu Ideal. As Dulcinéias, os Sanchos Panças, “os moinhos de vento” continuarão existindo, enquanto existir idealismo nos seres humanos e estes se entregarem à luta, sem desfalecimentos, que é preciso travar com o mundo, onde cada um deve encontrar o seu ‘lugar ao sol.21

Em relação ao humor, salientamos que a criança é atraída, particularmente, por histórias bem humoradas e a saga do cavaleiro andante está repleta de passagens cômicas, o que a torna atraente para a criança, como na passagem referente à alimentação do herói:

Pratinho para boa risota era vê-lo comer; porque, como tinha posta a celada e a viseira alçada, não podia meter nada para a boca por suas próprias mãos; e por isso uma daquelas senhoras o ajudava em tal serviço. Agora o dar-lhe de beber é que não foi possível, nem jamais o seria, se o vendeiro não furara os nós de uma cana, e, metendo-lhe na boca uma das extremidades dela, lhe não vazasse pela outra o vinho.22

Lajolo, no que se refere à adaptação, afirma que “[...], o sentido, muitas vezes, se reveste de ironia, [...]”23, como na adequação da passagem em que o herói, entalado em sua armadura, não consegue comer nem beber e Emília o compara a um pinto doente: “ Já vi Tia Nastácia encher assim o papo dum pinto doente - observou Emília. - Mas esse pinto não era andante - não tinha viseira”24. Conforme a pesquisadora, a boneca reforça a ironia de Cervantes:

Com a intervenção de Emília, a ironia de Cervantes ganha uma impensada dimensão: se a figura de um cavaleiro andante enlatado já apresenta considerável (e hilariante...) rebaixamento de imagem da cavalaria, sua comparação com o pinto doente, num prosaico terreno, por assim dizer tropicaliza a ironia, apontando uma das rotas pela qual pode perfazer-se o trânsito dos clássicos de uma cultura para outra, de um tempo para outro, de uma audiência para outra.25

Ao reforçar a ironia nas histórias de cavalaria, Lobato mantém o tema proposto por Cervantes, contado sob a visão da avó Dona Benta.

No fechamento das narrativas, é freqüente o final feliz nas histórias. Isso é evidente quando Emília, no final da história de Dom Quixote, não aceita a morte do herói, ele não pode ter um fim triste. Para ela, o cavaleiro era imortal, pois “[...] nos contos de fadas, a morte não passa de um atalho para a ressurreição [...]”26. A imortalidade é mantida por Dona Benta, ao adaptar a história, porque para a criança é mais fácil entender que o herói não morreu, ela acredita em um final feliz: “- Morreu nada! - dizia ela. - Como morreu se Dom Quixote é imortal?27

O livro direcionado ao leitor infantil pode e deve dispor dos mais variados temas e assuntos, cabendo, então, ao narrador respeitar a capacidade de compreensão do receptor infantil, uma vez que o mesmo se encontra em um processo de amadurecimento. Isso não significa que o narrador deva ter uma visão reduzida e preconceituosa, mas respeitar o ritmo da criança, dando-lhe a oportunidade, através da leitura, de compreender o contexto social em que está inserida por meio de um espaço aberto para a reflexão crítica da sociedade. Na adaptação, Lobato aproxima o clássico do pequeno leitor através da restrição no tratamento de algumas questões, como a morte, a prostituição, a covardia e a reprovação de modelos e de comportamentos indesejados.

2.2.2 A forma

Na adaptação da forma, a literatura infantil prioriza o desenvolvimento linear da trama e a presença de personagens que motivem uma identificação; além disso, são poucos os flash-backs e as interrupções no andamento da história para a introdução de conceitos ou ensinamentos morais”28. Em Cervantes, a presença de trechos, como enredos secundários e elementos poéticos, faz com que a narrativa se torne lenta e cheia de interrupções. Já em Lobato, a maioria desses trechos é suprimida, dando assim linearidade à narrativa. São eliminado(a)s:

a) enredos secundários que desviam a atenção do leitor do eixo da ação principal, porque ele conta às crianças somente a parte aventuresca da obra de Cervantes, como por exemplo: “a novela do impertinente curioso”, “o discurso que fez Dom Quixote sobre as armas e as letras”, “a história do cativo” e histórias de amor, que se desenrolam ao lado do amor cavalheiresco do herói por sua amada, Dulcinéia Del Toboso.

b) poesias que estão enxertadas à narrativa principal, porém ele recupera três estrofes para salientar, primeiro, o amor de Dom Quixote pela poesia: “os versos que Dom Quixote improvisa às castelãs”, segundo, o gosto em ler poesias, já que “depois de tomar uma sova dos mercadores, o cavaleiro relembra alguns versos das histórias lidas” e, terceiro, até mesmo na morte, em seu túmulo, a poesia estaria presente, através de “versos compostos pelo bacharel Carrasco para o túmulo de Quixote”.

Sobre a identificação do infante com os personagens é válido lembrar como deve se apresentar o heroísmo: “[...] ser mais atraente para a criança, que se identifique com ele em todas as suas lutas. Devido à identificação, o infante imagina que sofre com o herói em suas provas e tribulações e triunfa com ele, quando a virtude sai vitoriosa”.29

As crianças fantasiam, sonham, acreditam em seus ideais e vêem no cavaleiro andante um personagem, no qual podem se reconhecer, pois para ele não importa quão absurdo, irreal e distante estejam seus objetivos. Os pequenos do Sítio, que representam a infância brasileira, ao se identificarem com o heroísmo de Dom Quixote, sofrem, torcem e se divertem com as trapalhadas do protagonista. Lobato consegue diminuir, assim, a assimetria inerente à literatura infantil. Emília chega a sonhar que toma partido nas aventuras do nosso cavaleiro.

Dom Quixote parou sua jornada para defender um menino, chamado André, que apanhava de seu patrão. O herói fez o malvado prometer que nunca mais surraria o pequeno, porém após o cavaleiro da triste figura virar as costas, o patrão aplicou no pobre uma sova ainda maior. Emília indignou-se tanto com o fato que chegou a sonhar que fazia justiça como o protagonista de Cervantes: “Ah, vocês nem calculam a sova que dei no tal malvado patrão de André! Ele apareceu por aqui, com aquela cara lavada de sem-vergonha”.30

Emília se identifica com Dom Quixote na defesa da criança injustiçada. Porém, no clássico, esse episódio não apresenta a personagem como um rapaz de uns quinze anos:

Aos primeiros passos que deu no bosque, viu uma égua presa a uma azinheira, e atado a outra um rapazito nu da cinta para cima, e de seus quinze anos; era o que se lastimava, e não sem causa, porque o estava com uma correia açoitando um lavrador de estatura alentada.31

Lobato transformou o rapaz em um menino, para que as crianças pudessem se identificar mais facilmente com a personagem, já que esta teria a idade aproximada dos possíveis leitores:

Disse e cravou as esporas nos ossos de Rocinante. Num ápice estava no ponto donde vinham os gritos. Que vê lá? Um menino, assim um pouco maior que Pedrinho, amarrado a um tronco de árvore a receber uma tremenda sova de correia.32

A apresentação do texto, através dos personagens e do enredo, visa atender aos interesses do leitor, considerando o seu nível de compreensão. No caso da adaptação para um leitor infantil, a forma contribui para a diminuição da assimetria, principalmente, no que se refere à presença da personagem criança como protagonista, quebrando o monopólio do discurso adulto.

3 O estilo

No processo de adaptação de um clássico para a criança, o estilo deverá ser mais próximo ao entendimento do pequeno leitor, já que o infante se encontra em fase de aquisição da linguagem, e a organização lingüística do texto interferirá na produção do sentido da leitura: “o vocabulário e a formulação sintática não costumam exceder o domínio cognitivo do leitor. Por isso, a preferência dos escritores é por uma redação que coincida com as particularidades do estilo infantil”33. Nesse texto, as estruturas sintáticas rebuscadas são deixadas de lado e dá-se preferência a:

a) elos frasais explicítos e frases mais curtas, uma vez que Lobato evita o uso de frases longas, já que estas estruturas não são compatíveis com a compreensão de seu leitor. Cervantes, ao contrário, utiliza-se sempre de períodos mais extensos e detalhados:

Com boa sombra foi dos cabreiros recolhido o nosso cavaleiro. Sancho acomodou, o melhor que pôde, a Rocinante e ao jumento, e deixou-se ir atrás do cheiro que despendiam de si certos tassalhos de cabra que estavam numa cladeira a ferver ao lume.34

Em Lobato, a simplificação das frases é uma meta alcançada, o período acima, por exemplo, é apresentado de uma forma mais simples, valendo-se de voz ativa e apenas salientando como foram acolhidos herói e escudeiro, deixando de lado detalhes: “Os guardadores de cabras receberam cortesmente o grande herói e o seu pançudo escudeiro - e também ao Rocinante e ao burro.”35

b) poucas orações subordinadas, porque na literatura infantil a coordenação é mais aparente. Cabe a Lobato adaptar a obra de Cervantes, rica em subordinação e com períodos longos e complexos:

E dizendo isto, encomendando-se de todo o coração à sua Senhora Dulcinéia, pedindo-lhe que em tamanho transe o socorresse, bem coberto da sua rodela, com a lança em riste, arremeteu a todo galope do Rocinante, e se aviou contra o primeiro moinho que estava diante, e dando-lhe uma lançada na vela, o vento a volveu com tanta fúria, que fez a lança em pedaços, levando desastradamente cavalo e cavaleiro, que foi rodando miseravelmente pelo campo afora. Acudiu Sancho Pança a socorrê-lo, a todo o correr do seu asno; e quando chegou ao amo, reconheceu que não se podia menear, tal fora o trambolhão que dera com o cavalo.36

O trecho apresenta rodeios, pormenores, advérbios e frases subordinadas, o que torna a leitura um tanto atenta e exige do seu leitor um nível de compreensão mais amplo, para apreender o sentido sem perder o interesse pela leitura. Lobato apresenta menos subordinações e discurso simples, tornando-se mais acessível ao entendimento do pequeno leitor: “Estava já perto. Enristou a lança e atacou o moinho mais próximo, espetando o ferro numa das asas - e o que sucedeu foi algo espantoso. A asa em movimento colheu cavaleiro e cavalo e os arremessou para longe em pandarecos.”37

c) utilização mínima da voz passiva: os verbos, em sua maioria, apresentam-se na voz ativa, possibilitando mais dinamicidade ao texto, em virtude das ações praticadas pelas personagens, os quais tornam a história mais dinâmica, uma vez que a criança gosta de atividade e precisa se identificar com o que lê “O Visconde trouxe...” ( p. 138) “- Engasgou!” (p. 144)

d) utilização restrita de atributos mais complexos: o texto de Cervantes é rico em adjetivos, descrições, como vemos no episódio em que Dom Quixote viu uma venda, mas imaginou ser um castelo:

[...] e como ao nosso aventureiro tudo quanto pensava, via, ou imaginava, lhe parecia real, e conforme ao que tinha lido, logo que viu a locanda se lhe representou ser um castelo com suas quatro torres, e coruchéus feitos de luzente prata, sem lhe faltar ponte levadiça, e cava profunda, e mais acessórios que me semelhantes castelos se debuxam.38

Na adaptação, ocorre a supressão de atributos complexos, com uma descrição simplificada, chegando, assim, próximo ao entendimento do leitor mirim “[...] mas para a imaginação do protagonista aquilo se afigurou imponentíssimo castelo com torres, ameias, ponte levadiça e o mais dos castelos famosos”.39

e) utilização do discurso direto: a narrativa infantil elege o diálogo, transformando períodos de Cervantes que priorizam a forma indireta: “Perguntou-lhe se trazia dinheiros. Respondeu-lhe Dom Quixote que não tinha prata porque nunca tinha lido nas histórias dos cavaleiros andantes que nenhum os tivesse trazido.”40 Em Lobato, encontra-se o discurso direto:

“- V. Sa. traz dinheiro?

- Dinheiro! - exclamou Dom Quixote. - Jamais li em meus livros que os cavaleiros andantes andassem munidos de vil metal”.41

Por ser a comunicação oral entre duas ou mais pessoas um modo familiar de interação, o estilo direto é um “dos processos narrativos que dão mais objetividade às personagens e situações; pois é o que mais se aproxima da vida real”42 e, conseqüentemente, proporciona maior identificação da criança com o texto, uma vez que esta “[...] é uma das técnicas mais ricas para a caracterização das personagens. O adaptador possibilita-lhes a revelação direta “ao leitor, eliminando a mediação do narrador”43. Segundo Nelly Novaes Coelho, o discurso direto “pode ser assinalado tipograficamente por signos gráficos de pontuação: travessão, aspas, dois pontos, parênteses”44. Tais sinais orientam o infante na mudança de voz discursiva.

O discurso direto é predominante na narrativa lobatiana. No Sítio, todos participam da história, algumas vezes, conversando sobre os episódios que Dona Benta conta; até manifestam-se sobre a ação dos personagens ou ainda tiram suas dúvidas, etc. Esse recurso revela a diversidade de vozes no texto, o dinamismo é importante na relação livro X leitor infantil, já que a criança é dinâmica e tem muitas dúvidas em relação ao mundo que começa a desvendar. Narizinho, ansiosa em saber o desenrolar da história, questiona: “- E o menino foi? - indagou Narizinho, danada com a brutalidade do homem. “- Ir, como? o coitadinho estava que nem podia consigo e Dom Quixote já havia dobrado a curva da estrada, [...]”

As estruturas sintáticas presentes na literatura infantil são próprias da linguagem oral, pois “[...] quanto mais simples e bela a entonação da linguagem, mais a criança apreciará a leitura [...]”45. A associação literatura infantil e oralidade vem desde os primeiros escritos do gênero que se originaram, principalmente, de narrativas orais.

Ricardo Azevedo46 ressalta pontos comuns entre literatura e cultura popular, já que vestígios das mais antigas tradições costumam impregnar muitas das manifestações culturais inventadas pelo povo, como certas características típicas do discurso oral. Referimo-nos às marcas de oralidade presentes na literatura infantil:

— tendência a sempre procurar adaptar o enredo à platéia através do vocabulário familiar, de fórmulas verbais, lugares comuns e clichês;

— sedução da platéia, por meio de recursos teatrais como o exagero, o uso de redundâncias, o tom de confidência, ditados, trocadilhos, aliterações, rimas e refrões;

— concisão, evitando períodos longos, conceitos e imagens abstratas, orações subordinadas e voz passiva. Segundo o autor, o emprego desses elementos pode ser encontrado em narrativas míticas e em contos maravilhosos.

Em relação ao primeiro item, identifica-se a adequação feita por Dona Benta para contar às crianças a história do clássico de forma mais simples e ligada ao cotidiano dos ouvintes, valorizando o entendimento do público. Em relação ao segundo item, salienta-se o tom de confidência, com linguagem figurada, usado pela voz da avó. A adaptação, terceiro ponto levantado, é concisa.

Conforme Sandroni47, um dos aspectos que evidenciam o nível de criação artística lobatiana diz respeito à linguagem, cujo registro é predominantemente coloquial, na qual se busca a fala brasileira. Através de uma linguagem nacional, o escritor procurava despir seu estilo da retórica tradicional, evidenciando a criatividade, marcada pelo humor, e aponta no sentido da modernização preconizada. Em Dom Quixote das crianças, nota-se inúmeros procedimentos lingüísticos em relação ao uso da derivação sufixal, criando novos verbos (“embezerrou”, p. 167), no sentido de se acalmou, substantivos (“chatura”, p. 141, “comedoria”, p. 222), adjetivos (“unhudo”, p. 286). Os neologismos abrangem também os superlativos absolutos e sintéticos e os graus aumentativo e diminutivo, através de sufixos intensivos, como “enormíssimos”, “pesadíssimos”, “magríssimos”, “velhíssima”, “valentíssimo”, “crudelíssimo”, “achatadinho”, “buraquinhos”, “sabuguinhos”, “pontinhas”, “asneirinha”, “escondidinho”.

A linguagem figurada é um recurso enriquecedor da adaptação. O uso das onomatopéias deve ser considerado, já que a imitação de sons, auxilia o leitor no reconhecimento do ser apresentado, como no momento da queda do clássico da estante “Brolorotachabum! - despencou lá de cima, [...]”48, no episódio em que o menino apanhava do patrão e Dom Quixote tentou defendê-lo “Mas o patrão não queria saber de nada, e lepte! Lepte!”49. “- Disse e nhoque! agarrou o menino, [...]”50, na imaginação de Emília, quando Quindim surrou o patrão malvado “[...] E o Quindim em cima fuqt fuqt, espetando-o com o chifre”.51

A adaptação apresenta uma variedade de figuras de linguagem. Há onomatopéias, metáforas, como no momento em que Visconde, ao se referir à escada que segurava, afirma: “[...] Estou aqui agarrado nos pés da bicha como uma verdadeira raiz de árvore. [...]”52 Também Visconde, quando o livro caiu em cima de sua cabeça, foi considerado um bolo de massa: “- Parece um bolo de massa que a gente senta em cima [...]”53. Ainda Dona Benta, contando como o tropeiro ignora a interpelação de Dom Quixote que para ela pareceu uma trovoada: “O labrego não fez caso da trovoada, [...]”54 E Narizinho ao se referir à gordura de Sancho: “[...] - Esse Sancho, aqui nos desenhos, parece um chouriço”.55

Em seu primeiro contato com o clássico, Emília revela a simplicidade que deve permear a literatura infantil.“- Saavedra! - exclamou. Para que estes dois aa aqui, se um só faz o mesmo efeito? - e procurando um lápis, riscou o segundo a [...]”.56

Quando Dona Benta começou a ler a história de Dom Quixote na versão de Cervantes, traduzida por Castilho, as crianças não entenderam nada e a boneca se negou a escutá-la, porque tinha outras coisas mais interessantes a fazer, como brincar com Quindim. Aquela leitura não era atraente: vocabulário muito diferente do conhecido, frases extensas e enfadonhas. Emília, curiosa, gostava de ação e a história parecia ser uma pasmaceira.

Emília representa todas as crianças que fogem da leitura do clássico, uma vez que elas não encontram significado no texto. A criança “deveria ganhar com a experiência da literatura: acesso ao significado mais profundo e àquilo que é significativo para ela neste estágio de desenvolvimento”57. Dona Benta decide, então, contar as aventuras do cavaleiro andante. Explica para as crianças que hoje nós falamos de uma forma simples; a maneira como o clássico foi escrito é mais rica, mais interpolada. Quando a avó começa explicar, Emília já contesta que lá vem a vovó com palavras difíceis, porém Dona Benta ensina que essa “interpolação” era uma das características da escrita de Cervantes, combinação de várias orações na mesma frase. Para esclarecer, cita o episódio dos galeotes algemados: “[...] tamanha foi a revolta, que os guardas, já para terem mãos nos galeotes, que se estavam soltando, já para se avirem com Dom Quixote que os acometia a eles, não puderam fazer coisa que proveitosa lhes fosse”58. Lobato consegue falar, na linguagem da criança, de fatos que estão longe dela.

Emília, que não gostou da narrativa, reforça como é o tipo de leitura que a criança aprecia: “- Eu gosto dos períodos simples, que a gente engole e entende sem o menor esforço. Esses assim até dão dor de cabeça”59. Então a avó mostra como ficaria o trecho do clássico em uma linguagem mais simplificada: “Tamanha foi a revolta dos galeotes que os guardas nada puderam fazer diante daquele duplo embaraço: os prisioneiros a se soltarem das algemas e Dom Quixote a atacá-los com a espada”60. O receptor infantil é considerado e a narrativa sofre adequação em função dele.

A seqüência narrativa é interrompida frequentemente. Dona Benta usa expressões do texto original e as crianças não compreendem. Monteiro Lobato utiliza-se do diálogo elucidativo para familiarizar o leitor com caracteres próprios da linguagem mais erudita, preparando-o para ser um apreciador da literatura clássica.

Na adaptação do estilo, a obra Dom Quixote das crianças sofre alterações, principalmente, no que se refere à transformação do estilo clássico da tradução portuguesa, para uma modalidade que destaca a oralidade. Além disso, prioriza a linguagem nacional, mais simples, visando ao leitor infantil, que precisa estar em contato com um texto adequado ao seu nível de entendimento, mas que, ao mesmo tempo, o desafie.

 

4 O meio

Na adaptação da literatura infantil, para atingir os fins a que se propõe, o autor não deve descuidar da feição material, não só pela leitura que ficará mais acessível, como também pela riqueza de formatos e impressão que podem tornar a recepção mais agradável e mais fácil de manusear. Não esquecendo que “[...] a presença de ilustrações e tipos gráficos graúdos, assim como a escolha de um determinado formato e tamanho, enfim o aspecto externo do livro, são condições de atração das obras”.61

Dom Quixote das crianças é dividido em 24 capítulos, com letras em tipos maiores que na tradução portuguesa, cada capítulo apresenta, no início, uma ilustração sobre o que será contado. Essas ilustrações deveriam ajudar o leitor a compreender melhor o conflito e a configurar os personagens. A ilustração atua como fonte de imaginação para a criança que, a partir do visual, cria o sentido. Na narração de Lobato, o encantamento de Emília pelo livro de Cervantes é descrito, salientando o gosto das crianças por ilustrações que podem levá-las a levantar hipóteses sobre como e por que tais desenhos são dessa forma, ou estão naquele local:

[...] Que beleza! Estava cheio de enormes gravuras dum tal Gustave Doré, sujeito que sabia desenhar muito bem. A primeira gravura representava um homem magro e alto, sentado numa cadeira que mais parecia trono, com um livro na mão e a espada erguida na outra. Em redor, pelo chão e pelo ar, havia de tudo: dragões, cavaleiros, damas, curingas e até ratinhos. Emília examinou minuciosamente a gravura, pensando lá consigo que se aqueles ratinhos estavam ali era porque Doré se esquecera de desenhar um gato.62

A presença da ilustração em Lobato é problemática, porque esta não atua como um recurso que contribui para a significação da narrativa verbal. Os desenhos, estereotipados e em preto e branco, não mobilizam o leitor e mostram todas as personagens com semblante de criança. Porém, a adaptação, mesmo não tendo a ilustração ideal, consegue aproximar a criança do texto de Cervantes, através de outras características que lhe são peculiares.

Dona Benta interfere no texto fonte e torna o enredo acessível aos infantes. O texto adaptado é mais leve, fácil de ser manuseado, com um menor número de páginas, especialmente preparado para o leitor mirim.

Dom Quixote das crianças, assim como o texto matriz, é construído a partir de encaixes narrativos ligados à ação principal, uma vez que são duas histórias que caminham paralelas: o dia-a-dia no Sítio e os fatos da narrativa de Cervantes contados pela avó. No clássico, o autor também enxertou outros conflitos à narrativa principal. O fio da história se interrompe com freqüência para outras seqüências, protagonistas, espaços, linguagens, relatos distantes e poesias. Na adaptação, esses encaixes, em sua maioria, foram suprimidos, ficando somente aqueles indispensáveis à compreensão da saga do herói.

Em razão de a criança estar em um processo de formação, ela pode rejeitar a obra pela densidade do texto num primeiro contato com o clássico. Por isso, cabe ao adulto orientá-la no processo de apreensão, através de uma versão adaptada à visão de mundo da infância, ao seu conhecimento, à sua fase de vida, para que ela venha, quando estiver mais madura, a se interessar pela leitura do texto integral, cujo enredo já lhe será familiar. Nesse sentido, o processo de apropriação do clássico pelas crianças é metafórica, simbolizando o processo de apreensão da narrativa, em princípio, inacessível aos leitores. Para ter acesso ao clássico, primeiro, os pequenos tiveram que inventar uma engenharia para tirá-lo da prateleira; segundo, o livro acabou caindo em cima do Visconde e achatando-o completamente; terceiro, o livro era grande demais e Pedrinho teve que fazer uma armação de tábuas que servisse de suporte para que, assim, Dona Benta pudesse lê-lo. Ou seja, não basta mostrar o clássico às crianças, é preciso criar estratégias de mediação que viabilizem a leitura.

 

REFERÊNCIAS

AZEVEDO, Ricardo. Elos entre a cultura popular e a literatura. Disponível em

BARSA, Enciclopédia Britânica. São Paulo: Brasil Publicações, 1998. v. 12.

BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. 11 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

CERVANTES, Miguel de. Dom Quixote de la Mancha. Trad. Viscondes de Castilho e Azevedo. São Paulo: Abril Cultural, 1978.

COELHO, Nelly. Panorama histórico da literatura infantil/juvenil. 4. ed. São Paulo: Ática, 1991.

______ . Literatura infantil. São Paulo: Ática, 1991.

DEFINA, Gilberto. Teoria e prática de análise literária. São Paulo: Pioneira, 1975.

JESUALDO. A literatura infantil. São Paulo: Cultrix, 1993.

LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993.

LOBATO, Monteiro. Dom Quixote das crianças. São Paulo: Brasiliense, 1992.

SANDRONI, Laura. De Lobato à Bojunga. Rio de Janeiro: Agir, 1987.

SORIANO, Marc. La literatura para niños y jóvenes: guía de exploración de sus grandes temas. Buenos Aires: Colihue, 1995.

ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. 10. ed. São Paulo: Global, 1998.

 

NOTAS

[1] Síntese da monografia apresentada no curso de Letras Português/Espanhol na UNISC.

[2] Acadêmica do Curso de Letras Português-Espanhol, UNISC.

[3] Prof. Dr. na Universidade de Santa Cruz do Sul e da Universidade de Caxias do Sul. e-mail: fbramos98@yahoo.com

[4] ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. 10. ed. São Paulo: Global, 1998, p. 43.

[5] Ibidem, p. 43.

[6] Ibidem, p. 44.

[7] Ibidem, p. 44.

[8] Ibidem, p. 48-49, passim

[9] SORIANO, Marc. La literatura par niños y jóvenes. Buenos Aires: Colihue, 1995, p. 35.

[10] ZILBERMAN, ibidem, p. 50.

[11] DEFINA, Gilberto. Teoria e prática de análise literária. São Paulo: Pioneira, 1975, p. 75.

[12] Ibidem, p. 76.

[13] BARSA, Enciclopédia Britannica v.12. São Paulo: Brasil Publicações, 1998, p. 172.

[14] CERVANTES, Miguel de. Dom Quixote de la Mancha. Trad. Viscondes de Castilho e Azevedo. São Paulo: Abril Cultural, 1978 nota do autor: frase da comédia de Plauto, Aululária. “Só pele e ossos foi”.

[15] CERVANTES, ibidem, p. 31.

[16] LOBATO, Monteiro. Dom Quixote das crianças. op. cit. p. 147

[17] CERVANTES, ibidem, p. 55.

[18] BARSA, p. 171.

[19] CERVANTES, p. 41.

[20] LOBATO, p. 158

[21] COELHO, Nelly. Panorama histórico da literatura infantil/juvenil. 4. ed. São Paulo: Ática, 1991, p.78-79, grifos do autor.

[22] CERVANTES, p. 36.

[23] LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993, p. 99, grifos do autor.

[24] LOBATO, p. 152.

[25] LAJOLO, p. 99, grifos do autor.

[26] JESUALDO A literatura infantil. São Paulo: Cultrix, 1993, p. 46.

[27] LOBATO, p. 91.

[28] ZILBERMAN, p. 51.

[29] BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. 11. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996, p. 16.

[30] LOBATO, p. 169.

[31] CERVANTES, p. 40, grifos nossos.

[32] LOBATO, p. 158, grifos nossos

[33] Ibidem, p. 51.

[34] CERVANTES, p. 65.

[35] LOBATO, p. 186.

[36] CERVANTES, p. 55.

[37] LOBATO, p. 171.

[38] CERVANTES, p. 33.

[39] LOBATO, p. 150.

[40] CERVANTES, p. 37.

[41] LOBATO, p. 153.

[42] COELHO, Nelly Novaes. Literatura infantil. op. cit. p. 80.

[43] Ibidem, p. 80.

[44] Ibidem, p. 80.

[45] JESUALDO, p. 39.

[46] AZEVEDO, Ricardo. Elos entre a cultura popular e a literatura.

[47] SANDRONI, Laura. De Lobato a Bojunga. Rio de Janeiro: Agir, 1987, p. 56, passim

[48] LOBATO, p.139.

[49] Ibidem, p. 158.

[50] Ibidem, p. 159.

[51] Ibidem, p. 170.

[52] Ibidem, p. 138.

[53] Ibidem, p. 139.

[54] Ibidem, p. 154.

[55] Ibidem, p. 173.

[56] Ibidem, p. 173.

[57] BETTELHEIM, 1996, p. 13.

[58] LOBATO, p. 298.

[59] Ibidem, p. 298.

[60] Ibidem, p. 298.

[61] Ibidem, p. 52.

[62] LOBATO, p. 140.

 

[Este artículo ha sido revisado y modificado el 22/06/2005]

 

© Izaura Cabral y Flávia Brocchetto Ramos 2003
Espéculo. Revista de estudios literarios. Universidad Complutense de Madrid

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