Graciliano Ramos:
a negação do mundo e a experiência da modernidade

Ana Amélia M. C. Melo*

Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS)
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)


 

   
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Resumo: O objetivo deste artigo é o de refletir, a partir da obra literária Angústia de Graciliano Ramos, sobre o processo de introspecção do homem moderno. Tendo como referência analítica o conceito de modernidade desenvolvido pela pensadora Hannah Arendt, buscou-se estabelecer a forma representativa como, neste romance, se realiza um processo de permanente negação do mundo. Este que seria, como afirma a pensadora alemã, a única morada do homem, é abandonado em favor de uma radical volta para o ego, para a interioridade humana. O objetivo, nesse sentido, consiste em entender e pensar as conseqüências desse processo na relação do homem com o mundo.
Palavras-chaves: Graciliano Ramos; Hannah Arendt; Literatura Brasileira; Modernidade no Brasil.

Abstract: The purpose of this article is to reflect from the literary work Angústia de Graciliano Ramos, on the process of introspection of modern man. Taking as reference the analytical concept of modernity developed by Hannah Arendt, sought to establish a representative form as in this novel, takes place a process of permanent denial of the world. This would be, as the German thinker, the only abode of man, is abandoned for a radical back to the ego, to the human interior. The goal, accordingly, is to understand and think about the consequences of this process in the relationship of man with the world.
Key-words: Graciliano Ramos, Hannah Arendt; Brazilian literature; modernity in Brazil

 

1. Introdução

O livro Angústia de Graciliano Ramos revela uma aparente banalidade ao reconstituir a história de Luís da Silva, personagem-narrador. Esta primeira impressão, contudo, desfaz-se na medida em que a narrativa avança. O romance, escrito em 1936, linearmente nada mais conta do que a história de um assassinato levado a cabo em conseqüência de um amor frustrado. Luís da Silva, personagem que traz constantemente à lembrança os adjetivos impotente, vil, mórbido e insignificante remonta, num percurso entre três tempos, à história de sua paixão por Marina, de quem se torna noivo e a quem entrega suas poucas economias, até o momento em que surge Julião Tavares, desfazendo estes laços, ao seduzir Marina com ousadia, dinheiro e posição social. A história finaliza com a morte de Julião Tavares, estrangulado por Luís da Silva, e os delírios que seguem a estes acontecimentos.

Se os fatos pouco têm de incomum, o mesmo não se pode afirmar do seu desenvolvimento nem do estilo narrativo, conciso, sobretudo, mas que acompanha e delineia com precisão, se assim pode-se afirmar, o intercurso do personagem com o mundo real e imaginário que toma forma.

A preocupação da análise que aqui se empreende recairá no desenvolvimento da visão introspectiva que neste romance alcança o paroxismo, procurando refletir em certa medida, sobre este movimento que Hannah Arendt [1] singularizou em suas análises, como fundamento típico da modernidade.

A análise da modernidade tem sido um tema recorrente em inúmeras interpretações literárias o que representa um sinal da perplexidade que ela coloca. Deter-se sobre uma destas propostas parece ser necessário quando se tem em vistas os inusitados processos que nela se desenvolvem. Especificamente, a escolha realizada neste estudo, da interpretação arendtiana, fez-se não unicamente pelo seu caráter original, mas fundamentalmente pelo lugar excepcional que a questão da introspecção e alienação ocupam nessa interpretação. [2]

É importante destacar ainda que a análise aqui empreendida faz-se num sentido bastante pontual e “interessado”, ou seja, a partir das indagações que Angústia levanta.

 

2. Realidade ou ficção

Diluindo-se em estados de alma confusos, misturados permanentemente às recordações e às impressões passadas, desde a leitura dos primeiros parágrafos de Angústia descobre-se o descompromisso com a linearidade dos acontecimentos que motivam o personagem-narrador a escrever e que só é revelado posteriormente, denotando seu valor secundário e quase desnecessário na escrita.

O tratamento dado à realidade que surge na escassa cronologia ou em referências a personagens e histórias tem, como nas fantasias, uma existência duvidosa. A apreciação do que vai ou não ser dito no romance parte sempre de uma avaliação de Luís da Silva, personagem-narrador, do valor que qualquer acontecimento teve ou tem para ele, de como o viu e sentiu, se ficou registrado em sua memória e as associações por ele feitas.

A relação entre ficção e realidade, entre o que eu afirmo como real e verdadeiro, e o que é assim para os outros, põe-se na escrita de Angústia insistentemente. Seu pensamento, que pretendia realizar um movimento de reflexão sobre os fatos que conformavam sua história, termina por se direcionar para o mundo interior das sensações e devaneios, colocando a realidade à mercê destes. O mundo então condenado à subjetividade, tornava-se tão fugaz, mortal e intangível quanto as sensações que sentia, e Luís da Silva ficava condenado a vagar nesse mundo interior, a percorrer um tempo perpétuo, aprisionado nele.

O percurso seguido é o de uma consciência voltada como "parafuso" a enroscar-se para dentro de si mesma, onde o crime - acontecimento narrado - mistura-se às alucinações, caindo a narrativa num "obsessivo solilóquio".

Neste sentido, o mote do romance é a experiência do sujeito-narrador consigo mesmo, visto que o mundo é apenas perspectiva deste. O diálogo é o de um sujeito presente que narra e comenta um sujeito passado, desdobrando-se o narrador num segundo e imaginário interlocutor. O objeto, preso à subjetividade, confundido à ficção, considerado fruto de um processo mental, torna-se discernível apenas para ele, o que portanto não lhe garante realidade além dele mesmo.

"(...) não sei para que quero eu olhos." [3]

É uma interrogação que leva ao paroxismo a negação da possibilidade da existência de algo capaz de ser apreendido pelos sentidos como coisa exterior e identificável por todos. Se a realidade de si e do mundo, para o homem, só é possível de ser confirmada através da aparência, do seu aparecimento para o mundo e, portanto, do que eu vejo e da presença daqueles que comigo vêm o que vejo e ouvem o que ouço, exigindo-se para isso, uma desprivatização dos deleites dos nossos sentidos para que deixem de viver uma existência incerta e obscura no interior do sujeito [4], o confinamento dela a uma subjetividade realizado por Luís da Silva, significa o obscurecimento do mundo, a sua não existência enquanto coisa que transcende a subjetividade de cada homem.

"As aparências mentem. A terra não é redonda? (...) Quem pode lá jurar que isto é assim ou assado? Procurei mesmo capacitar-me de que Julião Tavares não existia. Julião Tavares era uma sensação." [5]

Enquanto a terra, apesar da aparência contrária é redonda então o que pode haver de garantia para o homem, senão a de que tudo não passa de sensações subjetivas. Partindo daí, Luís da Silva desfaz a realidade, duvida dela própria, transforma Julião Tavares numa sensação, dissolve o mundo num estado de alma.

Não podendo haver garantia de uma realidade mundana para Luís da Silva poderia, ao menos, haver a certeza dos processos de sua mente. O seu mero funcionamento era sua garantia.

A total independência com relação ao mundo exterior coloca-o frente ao pesadelo da não-realidade. A árvore vista jamais seria a árvore real, ou seja, a garantia do funcionamento de uma consciência, ou das sensações de um corpo é apenas real para quem as sente enquanto as sente, da mesma maneira que o sonho é real na medida em que existe para o sonhador que sonha, não existindo, a partir daí, a mesma certeza quanto à realidade mundana, quanto ao fato de ela mesma ser dotada de uma forma própria e inalterável. Ao ser vista a realidade, ao ser processada pela consciência alcança aqui, o mesmo nível das coisas lembradas ou imaginadas. [6]

"A verdade é que muitas vezes perguntei a mim mesmo se realmente ouvia aquele barulho grande, diferente dos outros barulhos. Perguntei naquele tempo ou perguntei depois? Não sei.” [7]

A desconfiança refere-se àquilo que aparecia, e que portanto, é próprio para ser percebido pelos sentidos e mais ainda à possibilidade de certeza quanto a um real que fosse verdadeiro e não imaginário. O fato inegável de estar, a coisa do mundo, sendo reconhecida por todos, sendo vista e percebida por seres dotados de órgãos adequados à percepção, não representa, para Luís da Silva garantia da realidade desse mundo. A infinita diversidade das aparências que o mundo apresenta assim como a também grande diversidade das percepções dos órgãos receptivos dão, para Luís da Silva a estarrecedora sensação de uma realidade intangível.

 

3. De memória e solidão

Na narrativa de tensão subjetivada se interpõe a parada, o corte de memória que retoma um passado associado a um anseio de identidade com um mundo de homens e coisas e à afirmação de uma individualidade, fixam a presença simultânea dos tempos passado, presente e futuro, a sua referência a uma interioridade que demarca esse tempo, que o estabelece indiferente a um tempo cronológico exterior.

Sua solidão, a falta de contato com as coisas do mundo, seu limite em ver a realidade, ficam nas reminiscências confirmado: "Sempre brinquei só" [8] diz Luís da Silva. "Só" no sentido de isolamento, de perda de contato com a teia das relações humanas, com a diversidade de perspectivas que ela contem que se, por um lado, garantem a realidade do mundo, por outro revelam sua notória incerteza. Mas, "sempre brinquei só" indica ainda, no advérbio temporal, a constância, a permanência de seu distanciamento da convivência com os homens; isolamento este associado a um estado de solidão próximo do limite do desconforto, do incômodo opressivo e contínuo.

A experiência da solidão, quando homem está privado da convivência em comum com os outros, tem na dor sua mais radical manifestação. Nela o homem tem sua vida tornada absolutamente privada, independente do mundo. Nela está ele unicamente voltado para as sensações internas, para o que sente de mais privado, excluindo o mundo dessa experiência. Descartes diz: “O mero movimento de uma espada que corta parte de nossa pele causa-nos dor, mas nem por isto nos faz perceber o movimento ou a forma da espada. E é certo que esta sensação de dor não é menos diferente do movimento que a provoca, do que o são as sensações que temos de cores, sons, cheiros e sabores.” [9] E é, na existência de Luís da Silva, a dor, nas suas dimensões tanto corporal como da alma, uma constância.

"Uma chuvinha renitente açoita as folhas da mangueira que ensombra o fundo de meu quintal, a água empapa o chão, mole como terra de cemitério, qualquer coisa desagradável persegue-me sem se fixar claramente no meu espírito. Sinto-me aborrecido, aperreado." [10]

A atmosfera empastada, ensombrada, degradada, descrita em paralelo a seu estado de alma, sublinha esta a opressão e o desconforto. O diminutivo chuvinha acompanhado de um adjetivo que traz o sentido de uma insistência desagradável, impertinente, que fere, seguido ainda dos verbos ensombrar e empapar e dos substantivos fundo e cemitério revelam ao leitor uma desoladora paisagem composta de sombras e escuridão, representando de modo figurado seu espírito e suas sensações. Ao mesmo tempo que seu ensimesmamento significava uma busca de abrigo e de certeza, parecia ser também desconfortável e opressivo. [11]

Brincar sempre só aponta não exclusivamente para o ato da brincadeira: expõe o incômodo do seu isolamento, a angústia opaca, dissimulada - "Sinto-me aborrecido, aperreado." Quando fala das pessoas e lugares que freqüentava diz:

"Estava tão abandonado neste deserto..." [12]

O isolamento, de modo diferente da solidão, refere-se muito mais à teia das relações humanas, ao convívio interpessoal entre os homens, à esfera pública, ao fato de vivermos em comum com o mundo a se interpor entre nós. Não é necessário, no isolamento, que nos afastemos, que nos retiremos da vida em comum. Ele pode se dar precisamente aí, quando todos estão juntos, mas ao mesmo tempo isolados, distantes de um contato com o mundo, efetuando mecanicamente qualquer ato, sem expor uma individualidade, sem agir nesse mundo. É neste sentido que melhor se pode compreender a afirmação do personagem-narrador.

Aqueles que se dirigiam a ele, faziam-no pelas circunstâncias do trabalho, não existindo nesse contato relação interpessoal capaz de revelar uma individualidade. Convivendo com os outros, mas em isolamento, sem estabelecer uma relação humana, sem afirmar sua singularidade, estava Luís da Silva apenas realizando atos mecânicos sujeitos à reprodução cotidiana da vida. Isolado e abandonado a si mesmo, comportava-se com relação aos outros e ao mundo, em conformidade com o processo vital de toda sociedade: "agarrado à banca das nove horas ao meio-dia e das duas às cinco (...) Vida de sururu. Estúpida." [13]

O sentimento de abandono, de solidão e de isolamento é associado à perda da singularidade do indivíduo, aprisionado ao processo vital da sociedade, aos seus mecanismos de reprodução, à perda de sua possibilidade de agir e criar um mundo. O deserto referido ao mundo humano é desprovido de sua humanidade, de sua distinção. Nessa convivência, onde todos estão empenhados no funcionamento, na vitalidade do que fazem em comum, onde todos são, acima de tudo, membros de uma sociedade, afirmando-se a identidade uniforme, perde-se a consciência de individualidade, está-se isolado, impotente. É uma vida de "sururu", "estúpida" que mais tarde volta a descrever:

"Entro a falar sobre a minha vida de cigano, de fazenda em fazenda, transformado em mestre de meninos. Quando ensinava tudo que seu Antônio Justino me ensinara, passava a outra escola. Tinha o sustento. Depois era a caserna. Todas as manhãs nos exercícios. 'Meia-volta! Ordinário!' As peças do fuzil, marchas na lama, a bandeira nacional, o hino, as tarimbas sujas, os desaforos do sargento. Em seguida vinha a banca de revisão: seis horas de trabalho por noite, os olhos queimados junto a um foco de cem velas, cinco mil réis de salários, multas , suspensões." [14]

A cadência ritmada da escrita, sua tonalidade monótona repisa a uniformidade. Condenado a subsistir, Luís da Silva achava-se assim, insistente e exclusivamente ocupado com os processos internos, ora do corpo ora da mente. Ao procurar provir seu sustento, tendo apenas sua força de trabalho, tornava-se também prisioneiro. Preocupado e reduzido a produzir sua vida, nivelando todas as atividades a este processo vital, preso a ele e carregando o ônus de sua infinitude potencial, incapaz de transcendê-la, estava Luís da Silva tão ausente do mundo, entregue a si mesmo quanto em suas próprias divagações. Sua vida corria à mercê deste ciclo repetitivo.

A origem rural é constantemente lembrada no percurso narrativo. Dele faz parte um mundo de coisas e homens com o qual perde contato, do qual foi expropriado. As reminiscências postas desordenadamente ao sabor das suas necessidades, confessam uma nostalgia, que se não era de todo, ideal, que se trazia a lembrança de violências e iniqüidades, não deixava, contudo, de ser referida como refúgio, onde existia tranqüilidade e inocência. Diz ele: “Entro no quarto, procuro um refúgio no passado. Mas não me posso esconder inteiramente nele. Não sou o que era naquele tempo. Falta-me tranqüilidade, falta-me inocência, estou feito um molambo que a cidade puiu demais e sujou.” [15]

 

4. Morte e apropriação

A morte, a mais radical perda do outro, reafirma em Angústia, o lugar do desabrigo e do desamparo. Não é ela lamentada pela saudade deixada por esta ausência, mas pela temível capacidade de atingir o mundo, aquilo que, partindo do homem, figura mortal, pode também deixar de existir, pode ser tão fugaz quanto seu construtor. Diante do pai morto, diz Luís da Silva: “Procurava chorar (...) Desejava em vão sentir a morte de meu pai (...)” [16] acrescentando logo em seguida: “ Estava espantado, imaginando a vida que iria suportar, sozinho neste mundo. Sentia frio e pena de mim mesmo. A casa era dos outros, o defunto era dos outros. Eu estava ali como um bichinho abandonado, encolhido na prensa que apodrecia.” [17]

A casa de seu pai, a fazenda de seu avô Trajano Pereira de Aquino Cavalcante e Silva, a propriedade onde vivia, referente portanto a seu pedaço de mundo, no mundo é, como tudo, devorado pelo processo de expropriação. Ao ser tomada por seus credores, é ela assemelhada à riqueza e, desse modo, usada como objeto de troca.

A voracidade da apropriação não poupava qualquer dimensão da vida humana. A perda da casa representava também o fim do espaço privado da morte - o defunto como a casa, era dos outros. Ao lembrar dos tempos do pai, busca nas reminiscências, alguma dor humana, mas estas como confirma, só vieram depois:

“Tento lembrar-me de uma dor humana. As leituras auxiliam-me, atiçam-me o sentimento. Mas a verdade é que o pessoal da nossa casa sofria pouco [...] Dores só as minhas, mas estas vieram depois” [18]

A associação dela a um tempo futuro, entendido desse modo, não somente como o presente de onde narra, mas ainda aos tempos da morte do pai e aos acontecimentos que daí decorrem, aproximando a dor a estes momentos, exprimem a perfeita analogia entre dor e perda do mundo.

A dor como sinônimo da profunda introspecção, como a mais incomunicável de todas as experiências, tem na narrativa desenvolvida em Angústia um dos seus elementos chaves. É a dor a única capaz de eclipsar todas as demais sensações; é nela que se prende todo o fio narrativo. É na dor, no estado de irritação de seus sentidos, que o homem se fecha para a percepção do mundo, para receber o que o mundo lhe oferece, concentrando-se apenas nas sensações que sente, e é nessa concentração, nesse estado de alienação do mundo, de incapacidade, portanto, para recebê-lo que se apresenta o personagem-narrador.

Ao estabelecer uma analogia entre morte e apropriação - pelo seu aspecto de perda do mundo, como des-aparecer, deixar de estar no mundo entre os homens e também como abandono do mundo, saída dele para o recôndito interior de si mesmo que a expropriação da propriedade determinou, colocando estes acontecimentos no mesmo plano, e aproximando-os à figura de Julião Tavares e à Marina, - Luís da Silva esboça o sentido da expropriação. De Luís da Silva expropriou-se a casa, o defunto, seus escritos, Marina e sua dignidade. Julião Tavares invadiu sua casa, imiscui-se em sua intimidade e possuiu Marina como se possuísse um objeto, como se apropriando de algo.

 

5. Tavares e Cia

Em Angústia Julião Tavares, figura coadjuvante, surge no romance como um contraponto de Luís da Silva. De família rica, filho de negociantes influentes, “falador e escrevedor”, com ares superiores, sorrateiro aproxima-se de Luís da Silva, espalha-se por seu universo com a avidez dos espíritos habituados à astúcia:

“Família rica. Tavares e Cia., negociantes de secos e molhados, donos de prédios, membros influentes da Associação Comercial, eram uns ratos. Quando eu passava pela rua do Comércio, via-os por detrás do balcão, dois sujeitos papudos, carrancudos, vestidos de linho pardo e absolutamente iguais. Esse Julião , literato e bacharel, filho de um deles, tinha os dentes miúdos, afiados, e devia ser um rato, como o pai.” [19]

Os dentes “miúdos”, “afiados”, prontos para devorar é a alegoria da voracidade da apropriação, do espírito corrosivo, “que já não seria capaz de reconhecer a sua própria futilidade - a futilidade de uma vida que não se fixa nem se realiza em coisa alguma que seja permanente, que continue a existir após terminado o labor” [20]. “Papudos”, “absolutamente iguais” como ratos, preocupados fundamentalmente com o processo de consumo e produção, com a reprodução desse processo, glorificando sua produtividade, indiferente ao mundo humano, incorporando e estendendo a lógica do labor a todas as esferas da atividade humana, Julião Tavares, os Tavares e Cia. correspondiam, nas reminiscências, àqueles “tipos desconhecidos” que “batiam os pés com força”, que usurpavam o seu mundo. Como estes, numa versão envernizada, Julião Tavares, homem de negócios e bacharel, ocupava ardilosamente, o mundo de Luís da Silva.

Dessa forma, preso ao ciclo da apropriação, Julião Tavares transformava todo objeto em bem de consumo, fascinado e absorto pelo seu enriquecimento, entregava-se à dissolução da tangibilidade do mundo, da sua permanência estável, da sua característica de “lugar” do artifício humano, que se interpõe entre os homens e permanece para além deles. Ao ser, transformado em bem de consumo, ao objeto humano lhe é furtada a sua durabilidade, transformando-o em mais um elemento a alimentar o processo vital humano, a minorar suas penas, suas necessidades.

A expressão "parafuso" de que faz uso em diferentes passagens, ora para determinar o significado de sua constante volta ao passado: "Lá estava novamente entrando no passado, torcendo-me como um parafuso" [21]; ora para referir-se ao seu afastamento do mundo: "Dentro de vinte anos as que gostassem de torcer-se no mesmo canto seriam parafusos. Ignorariam o que existisse longe delas" [22]; ora para marcar sua insignificância, seu sentido de peça para a máquina do Estado: "Alguns, raros, teriam conseguido, como eu, um emprego público, seriam parafusos insignificantes na máquina do Estado e estariam visitando outras favelas, desajeitados, ignorando tudo, olhando as pessoas e as coisas. Teriam as suas pequeninas almas de parafusos fazendo voltas num lugar só." [23]; contém nessa diversidade, significativa expressividade. A expressão “parafuso” de um lado, designa a idéia de instrumentalização da ação pública, a sua substituição pela mera execução. De outro modo como parafuso, assinalando o movimento circular de enroscar-se sobre si mesmo, Luís da Silva clareia a introspecção, dá-lhe o sentido apropriado de perda do mundo, de afastamento deste, sempre desconhecendo, estranhando aquilo que estava fora dele. A sensação tipicamente moderna de desconforto, de estranhamento, da mesma forma que sua impossibilidade em viver fora desse mundo, estão firmemente colocados em Angústia. Há nele, uma constante apresentação do mundo como algo hostil, incômodo, aprisionador que desencadeia um desejo latente de superação, de libertação frustrado, no entanto, na própria cadeia de repetição cotidiana a que se entrega.

A imagem descrita no romance é, unicamente, a de um mundo degradante, abjeto, que enclausura o homem, que o tolhe e aniquila. Esta angústia do aprisionamento vem à tona nos delírios finais. Diz ele: “Eu escorregava nesses silêncios, boiava nesses silêncios como uma água pesada. Mergulhava neles, subia, descia ao fundo, voltava à superfície, tentava segurar-me a um galho. Estava um galho por cima de mim, e era impossível alcançá-lo. Ia mergulhar outra vez, mergulhar para sempre, fugir das bocas das trevas que me queriam morder, dos braços das trevas que me queriam agarrar.” [24] E ainda: “ as quatro paredes da repartição esmagavam-me.” [25] ou a clara idéia de grades que prendiam a todos:

“Quitéria, Sinha Terta, o cego dos bilhetes, o contínuo da repartição, os cangaceiros e os vagabundos, vinham deitar-se na minha cama. Cirilo de Engrácia, esticado, amarrado, marchando nas pontas dos pés mortos que não tocavam o chão, vinha deitar-se na minha cama. Fernardo Inguitai, com o braço carregado de voltas de contas, vinha deitar-se na minha cama. As riscas de piche cruzavam-se, formavam grades.” [26]

Sujeito, na dupla acepção da palavra, como nos fala Hannah Arendt, o homem é agente e paciente da história, jamais seu onisciente e poderoso criador. A perplexidade que daí decorre, que tanto tem desconcertado os modernos, resulta da qualidade intangível da ação, da sua capacidade de, ao dar início, pelo ato, a algo novo, inusitado, gerar novas ações que incidem sobre uma teia de relações pré-existentes, abrindo as portas do imprevisível, do improvável.

A idéia de criador só é possível se pensada em termos de um material que se molda conforme a vontade de um fabricador. Da ação, se pensada nesses termos, liquida-se as qualidades próprias de iniciadora, de inovadora. Quanto a isto, diz Hannah Arendt: "Agir, no sentido mais geral do termo, significa tomar iniciativa, iniciar (como indica a palavra grega archein, ‘começar’, ‘ser o primeiro’ e, em alguns casos ‘governar’), imprimir movimento a alguma coisa (que é o significado original do termo latino agere). Por constituírem um inicium, por serem recém-chegados e iniciadores em virtude do fato de terem nascido, os homens tomam iniciativas, são impelidos a agir.” [27] Diante disto, diante da imprevisibilidade da ação, e sobretudo de sua intangibilidade, diante da impossibilidade de fixá-la, de deter suas conseqüências, de torná-la um objeto passível de controle, previsível, têm-se a impressão de uma força invisível a mover o mundo. A perplexidade que daí se tira fez com que o homem, modernamente, procurasse solucioná-la pela ilusória idéia de que é "possível lidar com os homens como se lida com qualquer material.” [28]

Sendo assim, o que se tem nos delírios de Luís da Silva é a sensação de estar, ele, preso a uma corrente da qual não consegue escapar. E não é sem propósitos que afirma, minutos antes: ”minhas mãos são fracas, e nunca realizo o que imagino” [29] proclamando insistentemente o aniquilamento da própria ação enquanto singularidade humana, compreendendo-a pela perspectiva do homo faber que pode com suas mãos construir um objeto e de igual maneira desfazê-lo.

A procura insistente em se fixar na realidade, no que o mundo apresentava, em olhar as crianças que dançavam na rua [30], em prestar atenção às coisas [31], em vê-las realmente da maneira que apareciam, não encontrava forças, pouco resistia ao movimento introspectivo e nostálgico de Luís da Silva. Neste sentido, enroscava-se ele, como parafuso, sobre si mesmo, sobre seu passado, remoendo-o, tentando revivê-lo em cada minúsculo segundo, tentando obter, apreender dele, todo o sentido, todo o significado de sua identidade, da sua singularidade, ou melhor, buscando nele realizar essa identidade, deixando de ser um bicho, um “percevejo social”, insignificante.

A imagem magistral do parafuso, que no seu movimento de perfuração profunda, de enroscamento, conhece a minúcia de cada curva, de cada rosca e que firmemente se prende nelas é, de outra feita compartilhada com a sua insignificância, com sua mera utilidade de peça numa engrenagem gigantesca. Este simbólico paradoxo retém, primorosamente, o sentido da modernidade de que ora nos ocupamos. A redução do indivíduo, o aniquilamento de sua capacidade de ação livre e espontânea, seu desabrigo diante de uma época que lhe tirou o lugar privado de existência, lançando-o no mundo, onde cada vez mais deixa de pertencer a um lugar para ser cidadão do mundo, - o que quer dizer, não pertencer a lugar algum - , é a constatação do que a era moderna soube melhor realizar - a dissolução das certezas. Sem um lugar de abrigo, sem um mundo objetivo e permanente que escapasse à futilidade do próprio movimento da natureza, de seu processo, o homem moderno (e Luís da Silva, por conseguinte), procurava no seu enroscar-se, a certeza outrora obtida na tangibilidade do mundo comum.

A colocação em cena do crime cometido por Luís da Silva, representa simbolicamente, a possibilidade de rompimento da cadeia no duplo sentido de aprisionamento e continuidade, encontrada por ele e que se resume na ação, na transformação de si em ator no palco do mundo. Diz em Angústia:

“No relógio oficial, nas ruas, nos cafés, [um Julião Tavares] virava-me as costas. Eu era um cachorro, um ninguém. ‘E´-me conveniente escrever um artigo, Seu Luís’. Eu escrevia. E pronto, nem muito obrigado. Um Julião Tavares me voltava as costas e me ignorava. Na redação, na repartição, no bonde, eu era um trouxa, um infeliz, amarrado. Mas ali, na estrada deserta, voltar-me as costas como um cachorro sem dentes! Não. Donde vinha aquela grandeza? Por que aquela segurança? Eu era um homem. Ali era um homem.(...) Tive um deslumbramento. O homenzinho da repartição e do jornal não era eu. Esta convicção afastou qualquer receio de perigo. Uma alegria enorme encheu-me. Pessoas que aparecessem ali seriam figurinhas insignificantes. Tinham-me enganado. Em trinta e cinco anos haviam-me convencido de que só me podia mexer pela vontade dos outros. “ [32]

É estritamente neste momento, o único em todo o percurso do romance em que Luís da Silva é capaz de romper seu impasse, sua letargia e reagir. O valor na narrativa, do ato do crime, encontra-se na ação propriamente dita de que Luís da Silva foi capaz de realizar, no seu cometimento, que deu a ele o sentido de sua identidade como homem, de sua inteira singularidade. Ali, no momento da ação ele se percebe como homem e não mais como um “percevejo social”, um “parafuso insignificante”.

Em Angústia, o problema da ação é relacionado ao lugar que cada indivíduo ocupa na sociedade. Está nela a face da instrumentalização do mundo, a sua burocratização como a mais alta forma de organização dessa sociedade. A existência de uma máquina do Estado, a clausura do homem nos seus mecanismos ditados por uma necessidade geral de manutenção das bases institucionais desta, por uma necessidade de proteção, torna o homem autômato dessa sociedade.

Comer, dormir, assinar o ponto, fazer isto ou aquilo exigidos por uma premência desconhecida, ser um “insignificante parafuso na máquina do Estado”, ter um comportamento como mais um número nas estatísticas sociais, estar inserido dentro de uma vontade geral, são recorrências de um mundo moderno, das quais Luís da Silva não consegue escapar. “ Um, dois, um, dois! Meia-volta ordinário! “, “um, dois, um, dois” Acachapante, esmagadora, tirânica e opressiva, esta necessidade social comprimia Luís da Silva contra as “paredes”, tornava-o invisível, fazia-o um “percevejo social” que só se mexia pela vontade dos outros, roubava-lhe a humanidade, sua individual singularidade. “Meia-volta! Ordinário!” Eis tudo.

Em Angústia a modulação expressiva da narrativa, o tom, é de permanente tensão, de rigidez extrema, até o ponto de cisão dá-se pela morte, no limite desta. É em Angústia, somente neste momento, onde Luís da Silva comete o assassinato, onde mata Tavares com uma corda no pescoço, que se rompe e que se ultrapassa o estreitamento de sua existência. E não é por um acaso conveniente que esta morte se realiza pelo enforcamento, pelo sufocamento até seu limiar. É a corda, em todo seu significado, nas suas possibilidades de amarrar, prender, sufocar, que serve de instrumento, distendida como no modo da narrativa, na morte de Tavares.

Ao cometer o assassinato, não era Luís da Silva, um “trouxa”, um “infeliz”, “amarrado”. Ali era um homem que se surpreendia com seu próprio ato, mas que ultrapassava, nesse cometimento, nesse único instante, mínimo no tempo, o limite da tensão, do aprisionamento nas paredes da existência que o sufocavam e para a qual retorna. Não é ele um ato heróico, que suprime o mal, que elimina a “doença”, visto que retorna a ela, circularmente, repetidamente, é apenas um ato, um cometimento que contém nele mesmo, sua obra.

 

6. Conclusão

Cabe aqui interrogar precisamente sobre o significado de angústia, sobre o próprio título do livro. A sua indefinição a uma pessoa ou a algo, a sua intransitividade coloca a interrogação sobre seu sentido. Para Graciliano Ramos, leitor contumaz de Dicionários conforme afirmação sua não é este título despropositado.

A princípio angústia parece ser o estado por onde corre o livro, por onde se cindem as palavras, por onde vibra tensionadamente a voz do narrador. Não é ela eleita num momento, não é ela estabelecida a partir de uma situação, não é ela ao menos mencionada no percurso narrativo em referência ao seu centro temático. Quando muito, é ela apenas pinçada, atribuída duas ou três vezes, a um personagem secundário. No cerne do próprio romance, que circula em volta do narrador ela comparece não a propósito de algo, mas inversamente como tempo permanente onde tudo se torna secundário. Não é uma angústia disto ou daquilo nem a angústia de A ou B, mas simplesmente o substantivo angústia.

A etimologia da palavra aponta para estreiteza, limite. Do latim angulus, ângulo, canto, aresta. Angustus, estreito, acuminado, pontudo. Sendo angústia o espaço do romance, o lugar por onde Luís da Silva transita, de onde fala, é ele estreito, afunilado até o ponto de tensão, anguloso, perfurador, que na imagem do parafuso realiza o movimento circular, de retorno permanente a um percurso estreito onde se conhece cada rosca. É essa sua existência. É ela, a angústia, algo que o perfura, que o toma e é ainda a estreita passagem por onde ele transita, comprimido, em sua existência. Diz ele: “ (...) qualquer coisa desagradável persegue-me sem se fixar claramente no meu espírito.” [33] Qualquer coisa da qual é tomado, de que se sente perseguido, da qual não consegue escapar, que é impingido a percorrer, da qual não é livre. As idéias como tudo, se impõem, perfuram-no; “Ela se impunha, entrava-me na cabeça como um prego.” [34]

 

Notas:

[1] A Condição Humana, Rio de Janeir, Forense-Universitária, 1983.

[2] De aqui em diante utilizaremos o conceito de alienação no sentido de afastamento, de enfraquecimento do mundo, de alienação em relação ao mundo conforme nos afirma Hannah Arendt: “A grandeza da descoberta de Max Weber quanto às orígens do capitalismo reside precisamente em sua demonstração de que é possível haver enorme atividade, estritamente mundana, sem que haja qualquer preocupação ou satisfação com o mundo, atividade cuja motivação mais profunda é, ao contrário, a preocupação e o cuidado com o ego. O que distingue a era moderna é a alienação em relação ao mundo e não, como pensava Marx, a alienação em relação ao ego.” ARENDT(1958:266 )

[3] RAMOS, 1936, p.65

[4] ARENDT, 1983, p.265

[5] RAMOS, 1936, p.69

[6] ARENDT, 1958, p.265

[7] RAMOS, 1936, p.15

[8] RAMOS, 1936, p.10

[9] ARENDT, 1958, p.127, n.63

[10] RAMOS, 1936, p.10

[11] Grifo nosso

[12] RAMOS, 1936, p.20

[13] RAMOS, 1936, p.07

[14] RAMOS, 1936, p.21

[15] RAMOS, 1936, p.16

[16] RAMOS, 1936, p.14

[17] RAMOS, 1936, p.14

[18] RAMOS, 1936, p.23. Grifo nosso

[19] RAMOS, 1936, p 36

[20] ARENDT, 1958, p.148

[21] RAMOS, 1936, p.97

[22] RAMOS, 1936, p.96

[23] RAMOS, 1936, p.96

[24] RAMOS, 1936, p.182

[25] RAMOS, 1936, p.187

[26] RAMOS, 1936, p.190

[27] ARENDT, 1958, p.190

[28] ARENDT, 1958, p.201

[29] RAMOS, 1936, p.182

[30] RAMOS, 1936, p.97

[31] RAMOS, 1936, p.65

[32] RAMOS, 1936, p.158/160

[33] RAMOS, 1936, p.10

[34] RAMOS, 1936, p.116

 

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* Historiadora IFCS/UFRJ. Doutora em Ciências Sociais, CPDA/UFRRJ. Professora Visitante UFC.

 

© Ana Amélia M. C. Melo 2008

Espéculo. Revista de estudios literarios. Universidad Complutense de Madrid

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