Identidade e alteridade em Toda a América, de Ronald de Carvalho:
a vinculação do local e do global

Antonio Donizeti da Cruz [1]

Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Brasil


 

   
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RESUMO: Marcada pelo teor de Modernidade e inserida no Modernismo brasileiro, Toda a América, de Ronald de Carvalho - poeta, crítico, ensaísta, pesquisador da literatura, história e problemas brasileiros - apresenta uma lírica centrada na questão da Identidade e Alteridade. Buscar-se-á, ainda, verificar como ocorre a diversidade cultural presente em Toda a América enquanto reconhecimento de conteúdos e costumes culturais pré-dados, marcada pela diversidade e diferença cultural.
PALAVRAS-CHAVE: Alteridade, lírica, Identidade, Ronald de Carvalho

 

América livre do terror,
América dos meus avós guerreiros e
construtores,
América do meu Pai que morreu pelo Rei!

                      Ronald de Carvalho

 

Toda a América, de Ronald de Carvalho, é uma obra centrada na estética modernista, mas nota-se, também, que ela traz marcas daquilo que Fábio Lucas denomina conexão “simbolismo-modernismo”, pois o modernismo na literatura brasileira “constitui um prolongamento dentro da corrente inovadora da literatura brasileira” (LUCAS apud MURICY, 1987, p. 8.). Para o crítico Andrade Muricy, o modernismo, ao engendrar uma ruptura radical com a tradição, impregnou-se de tendências e atitudes espirituais que poderiam ser denominadas de simbolistas, a exemplo de Manuel Bandeira, Henriqueta Lisboa, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt, Guilherme de Almeida, que apresentam uma poesia marcada pela musicalidade e a expressão diáfana. (1987, p. 8).

Ao se referir à Toda a América, José Aderaldo Castelo afirma que

O livro constitui um verdadeiro poema de reconhecimento de uma identidade americana heterogênea: bela pela natureza; primitiva pelos aspectos selvagens; rústica como civilização e cultura mestiça assim limitada ao universo rural; progressista e dinâmica, industrial nos centros urbanos. Esse todo heterogêneo abrande as três partes que compõe a América, posta em confronto com a matriz européia, invocada com este objetivo, conforme a composição que abre o poema. Formalmente o poeta se libertou das limitações de sua formação [...]. Sem dúvida, Ronald de Carvalho integra-se no pan-americanismo em voga no primeiro quartel do século atual [XX], também relacionado com a ideologia da brasilidade (CASTELLO, 1999, p. 163-164).

Percebe-se na lírica de Carvalho, de maneira especial, em Toda a América, uma poesia em que sobressai a economia dos meios, os contornos intimistas, a motivação social.

O poeta e escritor Ronald de Carvalho é um dos poetas representativos da moderna poesia brasileira. Em Portugal, com Luís de Montalvor, fundou e colaborou intensamente na Revista Orpheu (1915), marco do Modernismo português. Manteve constante diálogo com Fernando Pessoa. Desde 1910 trabalhou como jornalista no Diário de Notícias, que tinha como diretor Ruy Barbosa. No Europa cursou Filosofia e Sociologia, na Sorbonne, em Paris. Ao retornar ao Brasil entrou para o Itamaraty. Participou da Semana da Arte Moderna em São Paulo (1922). Exerceu vários cargos como Diplomata: Paris, Haia (Países Baixos). Foi secretário da Presidência da República. Faleceu no Rio de Janeiro em 1935. Na literatura brasileira, Ronald de Carvalho estreou em 1913, com a obra Luz gloriosa, mantendo-se dentro de uma estética de tendências parnasianas, com retoques simbolistas e românticos. Publica Poemas e sonetos, em 1919; No mesmo ano publica Pequena história da literatura brasileira; Em 1922, Epigramas irônicos e sentimentais; Estudos brasileiros, em 1924; O espelho de Ariel (Ensaios), em 1923. Publica Toda a América, em 1925, obra inserida no Modernismo brasileiro.

 

Poesia, Identidade e Alteridade

Conforme Octavio Paz, a otredad [2] está no próprio homem, isto é, “a partir da perspectiva de morte e ressurreição incessante, de unidade que resulta em “outridade” para se recompor numa nova unidade, talvez seja possível penetrar no enigma da “outra voz” (1982, p. 215).

A linguagem poética é por natureza diálogo. É social porque envolve quem fala e quem ouve. A palavra que o poeta inventa é a de “todos os dias” e faz parte de nosso ser, quer dizer, “são nosso próprio ser. E por fazerem parte de nós, são alheias, são dos outros: são uma das formas de nossa “outridade” constitutiva. [...] A palavra poética é a revelação de nossa condição original porque por ela o homem, na realidade, se nomeia outro, e assim ele é ao mesmo tempo este e aquele, ele mesmo e o outro” (PAZ, 1982, p. 217). Por essa razão, a palavra poética é pessoal, social, histórica, pois revela a permanente otredad, uma vez que o poema é ato que se repete no constante diálogo do Eu e do Outro. Nas palavras de Paz, a criação poética é

exercício de nossa liberdade, de nossa decisão de ser. Essa liberdade, conforme já foi dito muitas vezes, é o ato pelo qual vamos mais além de nós mesmos, para sermos mais plenamente. Liberdade e transcendência são expressões, movimentos da temporalidade. A inspiração, a ‘outra voz’, a ‘outridade’ são, na sua essência, a temporalidade brotando, manifestando-se sem cessar. Inspiração, ‘outridade’, liberdade e temporalidade são transcendência (PAZ, 1982, p. 218).

O homem é marcado pela temporalidade e mudança. A “outridade” constitui sua maneira de ser, o homem se realiza ou se completa quando se torna outro, quer dizer, ao se tornar outro, se recupera, “reconquista seu ser original, anterior à queda ou ao despencar no mundo, anterior à cisão em eu e ‘outro’” (PAZ, 1982, p. 219). No dizer de Paz, “talvez o verdadeiro nome do homem, a cifra de seu ser, seja o Desejo. Pois o que é a temporalidade ou a “outridade” (a ‘essencial heterogeneidade do ser’) de Machado, o que é esse contínuo projetar-se do homem para o que não é ele mesmo senão Desejo?” (1982, p. 165).

Para Octavio Paz, o crescimento do eu - na poesia - ameaça a linguagem em dupla função: enquanto diálogo e enquanto monólogo. Diálogo que aponta para a pluralidade (A contradição do diálogo consiste em que cada um fala consigo mesmo ao falar com os outros ). O Monólogo direciona para a Identidade (a contradição do monólogo em que nunca sou eu, mas o outro, que escuta o que digo a mim mesmo). Dessa forma, Paz salienta que “a poesia sempre foi uma tentativa de resolver essa discórdia através da conversão dos termos: o eu do diálogo no tu do monólogo. A poesia não diz: eu sou tu; diz meu eu és tu. A imagem poética é outridade” (1982, p. 318. grifo do autor).

A poesia é a “procura do outro, descoberta da outridade” (Paz, 1982, p. 319. grifos do autor). Conforme Paz, a outridade - experiência feita do tecido de nossos atos diários - é acima de tudo,

a percepção de que somos outros sem deixarmos de ser o que somos, e que, sem deixarmos de estar onde estamos, nosso verdadeiro ser está em outra parte. Em outra parte quer dizer: aqui, agora mesmo enquanto faço isto ou aquilo. E também: estou só e estou contigo, num não sei onde que é sempre aqui: quem és tu, quem sou eu, onde estamos quando estamos aqui? Irredutível, elusiva, indefinível, imprevisível e constantemente presente em nossas vidas, a outridade se confunde com a religião, a poesia, o amor e outras experiências afins (PAZ, 1982. p. 325-326. Grifos do autor).

A constante descoberta da otredad pode ser constatada na obra Toda a América, de Ronaldo de Carvalho. Marcada pelo teor de modernidade, Toda a América, apresenta um diálogo contante do sujeito da enunciação com a cultura de alguns povos das Américas e também da Europa. Segundo Octavio Paz,

a modernidade se identificou com a mudança, concebeu a crítica como o instrumento desta mudança e identificou ambas como progresso [...]. No campo da literatura e das artes a estética da modernidade, desde o Romantismo até nossos dias, tem sido a da mudança. A tradição moderna é a da ruptura, uma tradição que nega a si própria e assim se perpetua. O descobrimento das artes de outras civilizações - Índia e Extremo Oriente, África e Oceania, a América pré-colombiana - também foi considerado e vivido como rupturas da tradição central do Ocidente (1993, p. 53).

Na abordagem de Paz, o tempo cíclico do mito apresenta-se na fórmula “era uma vez”, “no começo”, “no princípio”. O tempo cristão, linear, realiza a crítica da circularidade do tempo cíclico. Já o tempo da modernidade é ruptura do tempo cristão. A história da poesia moderna - do Romantismo ao Simbolismo - é “a história das diferentes manifestações dos dois princípios que a constituem desde o seu nascimento: a analogia e a ironia” (PAZ, 1993, p. 39). A imagem da analogia, no dizer de Paz, pode ser concebida como “um leque que, ao se abrir, mostra semelhanças entre isto ou aquilo, o macrocosmos e o microcosmos, os astros, os homens [...], a ironia arrebenta o leque”. A ironia apresenta vários nomes: “é a exceção, o irregular, o bizarro, como dizia Baudelaire, e numa palavra, o grande acidente: a morte”, afirma Paz. A analogia, inserida no mito, tem por essência o ritmo, isto é, “o tempo cíclico feito de aparições e desaparições, mortes e ressurreições; a ironia é a manifestação crítica no reino da imaginação e da sensibilidade; sua essência é o tempo sucesssivo que desemboca na morte. A dos homens e as dos deuses” (PAZ, 1993, p. 38).

A analogia é um jogo de correspondências de opostos, quer dizer, uma combinatória que se concretiza na semelhança criada pelas imagens poéticas. Para Almeida,

A analogia é restabelecida pela consciência da cisão - da consciência do outro e por causa dela. O pensamento crítico, representado pela ironia, intensifica a separação e privilegia alteridade. A analogia identifica o eu e o outro, restabelece a unidade entre a palavra e o mundo, justamente porque ambos são distintos. Superação da alteridade pela otredad, a analogia é a otredad. Para ela, o eu e o outro, a palavra e a coisa são, a uma só vez, distintas e iguais, a consciência dos contrários, identificados na linguagem imagética. Se a anologia é otredad, este é o operador da linguagem de Octavio Paz. A identidade entre o eu e o outro é rigorosamente demonstrada pelas relações entre Paz e o Oriente (ALMEIDA, 1997, p. 54).

Desde o pensamento do Parmênides até o momento presente, nosso mundo tem sido o da distinção clara entre o que é o que não é. Assim, “o ser não é o não-ser”. (PAZ, 1982, p. 123). Nessa perspectiva,

O pensamento oriental não sofreu desse horror ao ‘outro’, ao que é e não é ao mesmo tempo, O mundo ocidental é o do ‘isto é aquilo’. Já o mais antigo upanixade se afirma sem reticências o princípio da identidade dos contrários: ‘Tu és mulher. Tu és homem. És o rapaz e também a donzela. Tu, como um velho, te apóias num cajado... Tu és o pássaro azul-escuro e o verde de olhos vermelhos... Tu és as estações e os mares.’ (PAZ, 1982, p. 124).

Ainda para Lúcia Fabrini de Almeida, ao investigar a relação entre tempo e otredad em Octavio Paz, afirma que, “a poesia da modernidade se inicia como crítica da sociedade burguesa e como subversão de seus valores. Entretanto, ao fazer isso não o faz livre dos conflitos gerados pelo embate entre a razão crítica e a consciência poética” (ALMEIDA, 1997, p. 38).

Conforme o poeta e crítico Octavio Paz, os fundamentos da modernidade sofrem um duplo paradoxo:

por um lado, o sentido não reside nem no passado nem na eternidade, mas no futuro, de onde a história se chamar também progresso; por outro, o tempo não repousa em qualquer revelação divina, nem em algum princípio inamovível: nós o concebemos como um progresso que se nega incessantemente e assim se transforma (PAZ, 1991, p. 98).

No dizer do autor, o que diferencia a modernidade é a crítica, uma vez que “o novo se opõe ao antigo e essa oposição é a continuidade da tradição” (1996, p. 134. Grifo do autor).

 

Toda a América: do Sonho à Utopia

A América - nas palavras de Octavio Paz - é “a súbita encarnação de uma utopia européia. O sonho se torna realidade, presente; a América é um presente: uma dádiva, um dom da história. Mas é um presente aberto, um agora que está tingido de amanhã. A presença e o presente da América são um futuro [...]. Seu ser, sua realidade ou substância, consiste em ser sempre futuro, história que não se justifica no passado, mas no porvir. Fundamo-nos não no que a América foi, mas no que será. A América não foi; e ela só é se é utopia, história em marcha para uma idade do ouro.” (PAZ, 1982, p. 365. Grifos do autor).

Toda a América, de Ronald de Carvalho, revela uma intenção de totalidade, de reunião, circunscrita nas configurações continentais, com uma poesia que apresenta a inquietação do poeta em cantar a América, no mesmo sentido que o fizera Machado de Assis, em sua obra Americanas. No prefácio de Toda a América (3ª ed., 2001), intitulado “Poema de um continente”, Antonio Olinto afirma:

Éramos, como ainda somos, todos americanos. Somos a América. [...] Para Machado e Ronald, estávamos no continente, éramos dele, éramos ele. E o que o poeta faz é precisamente uma viagem de conquista por toda a América, sob ‘a luz selvagem do dia Americano’. Percorre o Caribe, o México, descreve o mar das Antilhas, canta Guadalajara que é ‘toda uma dança’. (OLINTO, 2001, p. 23).

O primeiro poema intitulado “Advertência”, da obra Toda a América, o sujeito lírico adverte a Europa, nos versos: “Europeu! Filho da obediência, da economia / e do bom senso / tu não sabes o que és ser Americano!”. Há, nos versos, a descrição da paisagem européia:

Europeu!
Nos tabuleiros de xadrez
da tua aldeia,
na tua casa de madeira,
pequenina, coberta de hera,
na tua casa de pinhões e
beirais, vigiada
por filas de cercas paralelas,
com trepadeiras moles balançando e florindo;
[...]
na tua sala de jantar, em que os teus avós
leram a Bíblia e discutiram casamentos,
colheitas e enterros,
[...]
Europeu!
Filho da obediência, da economia
e do bom senso,
tu não sabes o que é ser Americano!
[...]
Europeu!
Nessa maré de massas informes,
onde as raças e as línguas se dissolvem,
o nosso espírito áspero e ingênuo
flutua sobre as coisas,
sobre todas as coisas divinamente rudes,
onde bóia a luz selvagem do dia americano!
                   (2001, p. 27-31)

O sujeito de enunciação faz uma comparação da paisagem européia com as paisagens do continente americano (das três Américas): “Europeu! / Em frente da tua paisagem, dessa tua paisagem / com estradas, / quintalejos, campanários e burgos, / que cabe toda na bola / de vidro do teu jardim; / diante dessas tuas árvores que conheces / pelo nome - o carvalho do açude, o / choupo do ferreiro, a tília da ponte - [...]” (p. 28-29). Nota-se, nos seguintes versos, que há todo um espaço a descobrir, cujas terras apontam para a busca e sentido de liberdade: “Ah! os tumultos do nosso sangue temperado / em saltos e disparadas sobre pampas, / savanas, planaltos, caatingas onde estouram / boiadas tontas, onde estouram / batuques de cascos, tropel de patas, / torvelinho de chifres! / Alegria virgem das voltas que o laço dá na / coxilha verde, / alegria virgem de rios-mares, enxurradas, / planícies cósmicas, picos e grimpas, / terras livres, ares livres, / florestas sem lei! / Alegria de inventar, de descobrir, / de correr! / Alegria de criar o caminho com a planta / do pé!” (p. 29-30).

O segundo poema intitulado “Brasil” (dedicado a Fernando Haroldo) apresenta o eu lírico atento ao “canto enorme do Brasil”:

Nesta hora de sol puro
palmas paradas
pedras polidas
claridades
faíscas
cintilações

Eu ouço o canto enorme do Brasil!
[...]
Eu ouço todo o Brasil cantando, zumbindo,
gritando, vociferando!
[...]
Ouro-Preto, Bahia, Congonhas, Sabará,
[...]
Nesta hora de sol puro eu ouço o Brasil.
Todas as tuas conversas, pátria morena,
correm pelo ar...
A conversa dos fazendeiros nos cafezais,
a conversa dos mineiros nas galerias de ouro,
a conversa dos operários nos fornos de aço,
a conversa dos garimpeiros, peneirando as
báteas
a conversa dos coronéis nas varandas das
roças...
[...]
(2001, p. 35-41)

O poema “Noturno das Antilhas” (dedicado a Ribeiro Couto) aponta para a nítida descrição feita pelo eu lírico que se diz estar a bordo, no Mar das Antilhas, e se aproxima do litoral: “Este noturno das Antilhas / quieto, morno / feito de folhagens e águas / marinhas, / este noturno ingênuo do mar / dos Caraíbas, / feito de corais e sargaços, / enche-me todo de melodias navais // Eu vivo aqui, nesta hora, a tranqüilidade / de todas essas ervas atlânticas” (p. 51-54). Há, ainda, a observação atenta do eu lírico no tocante à cultura e peculiaridades dos coloniais e dos nativos: “Os coloniais lêem as aventuras de / Roberto-Luis Stevenson. / Aroma de chá, / fumo da Virgínia / cakes, / sweet-home...”. Já “os nativos” - mais ligados à terra - “lêem o céu cheio de manitus: / redes / miçangas, / plumas, / âmbar, / fermentos ácidos, / volúpia / curvas lascivas da imaginação...” (p. 51-54).

“Broadway” (dedicado a Mário de Andrade) é um poema que apresenta convergências de muitas culturas e identidades.

Chato, pardo-cinzento, o chão
flutua lento, mole,
o chão escorre vagaroso,
contrai-se em blocos súbitos,
estica-se em flechas longas,
trepidantes,
dispara, de repente, em riscos elásticos,
gira,
rodopia,
turbilhona e ferve num vapor sutil de linhas e
movimentos.

Aquele chão carrega todas as imaginações
do mundo!
Aquele chão carrega
iscas da Ucrânia,
vinhas de Bordéus,
parques do Tâmisa,
saveiros do Volga,
âmbar, corais, madrepérolas das Antilhas,
guano de Mollendo,
canaviais de Cuba,
juncos de Shangai,
cafezais de Ribeirão Preto,
[...]
Aquele chão é uma paisagem em marcha.
Chão que mistura as poeiras do Universo e
onde se confundem todos os ritmos do
passo humano!

Chão épico, chão lírico, chão idealista,
chão indiferente de Broadway,
largo, chato, prático e simples no ar, este
roof liso, suspenso no ar, este roof, onde um
saxofone derrama um morno torpor
de senzala debaixo do sol.

New York. 1923 (2001, p. 61-64)

A otredad aparece de forma nítida na enunciação do eu lírico que apresenta o “chão” da Broadway em constate ritmo dos passantes, ou seja, da “paisagem em marcha” misturada pela “poeira do universo”. Ponto de convergência de muitas culturas, a Broadway é apresentada como um espaço transitado que traz idealismo, lirismo acentuado pelo ritmo dos “passos humanos”. A linguagem metafórica, os versos livres e o ritmo do poema dão movimento e forma ao texto.

Há no canto do poeta a referência explicita aos explorados e exploradores. América de todos. A “dos barões e dos escravos. Do ladrão e do capitão-mor, do santo e do herói”. A dualidade é visível no poema e é construído a partir de comparações.

O poema “Uma noite em Los Andes” (dedicado a Paulo Silveira) mostra o amor do sujeito lírico ao Brasil, por estar em outro país, no Chile, distante do Brasil, mas observador da natureza e da estrelas, pois nota que o Cruzeiro do Sul posiciona-se em outro quadrante. O elemento norteador é a natureza:

Naquela noite em Los Andes
eu amei como nunca o Brasil.

De repente,
um cheiro de bogari, um cheiro
de varanda
carioca balançou no ar...

Vinha não sei de onde um murmúrio de um
córrego tranqüilo,
escorregando como um lagarto pela terra
molhada.
A sombra vertia um frescura de folhas
úmidas.
Um vagalume grosso correu no mato.
queimou-se no sereno,
eu fiquei olhando uma porção de coisas,
doces, maternais.
Eu fiquei olhando, longo tempo,
no céu da noite chilena,
as quatro estrelas de um
cruzeiro pendurado fora do lugar...

(2001, p. 81-82)

O poema “Entre Buenos Aires e Mendoza” (dedicado a Agrippino Griego) mostra uma circularidade textual e o sujeito da enunciação que está atendo e olha o diferente, a cultura argentina, as pessoas, a natureza e os elementos de um tempo de modernidade e o entusiasmo dos que constroem a nação, especialmente reportando-se ao outro, ao argentino e ao imigrante (o italiano):

Eu vi o pampa!
O pampa claro de aços e
metais,
luzindo todo
nos raios limpos dos arados,
nas rodas lentas dos tratores,
nos trilhos brunidos, que disparam, retos,
debaixo do céu!
[...]
Eu vi as estradas do pampa, cheias de
automóveis e locomotivas,
de máquinas compressoras,
tubos, turbinas, chaminés, e caldeiras!

Eu vi calabreses, genoveses, florentinos,
siracusianos de calças de veludo,
debulhando espigas;

Eu vi agrônomos experimentando nitratos,
estancieiros pesados dirigindo Fords,
barracas de lonas abafando vozes de todos
os dialetos italianos...
Eu não vi nem um payador.
Eu não vi nem um criollo vestido de couro.
Eu não vi nem a sombra de Facundo, nem o
Punhal de Facundo, nem o cavalo de
Facundo varando os silêncios do ar...
Eu vi o pampa!

O pampa claro de aços e metais
[...]
(2001, p. 93-96)

Percebe-se a circularidade do texto, ou seja, o fechamento do texto que remete à imagem do círculo, e que por extensão aponta ao símbolo do tempo. Desde os tempos mais remotos, o círculo tem servido como indicador da perfeição, da totalização. O círculo é signo de “unidade de princípio”. Ele pode simbolizar o mundo e, em um outro nível de significação, o próprio céu torna-se símbolo do mundo espiritual, invisível e transcendente. Mais diretamente, entretanto, o círculo simboliza o céu cósmico, de maneira especial em suas relações com a terra (CHEVALIER & GHEERBRANT, 1993).

A reiteração “Eu vi” x “Eu não vi” presentifica-se em todo o texto de Ronald de Carvalho. Em relação ao fazer poético, Iuri Lotman salienta que a representação da criação poética tem como base os modelos cibernéticos do processo criador, ou seja, a escolha das variantes possíveis da formulação de um determinado conteúdo precisa levar em conta as regras formais restritas. Sendo assim, “a simples repetição de uma palavra torna-a desigual a ela própria. Assim, a flexibilidade da linguagem [...] passa a uma carga significativa complementar, elaborando uma entropia particular do conteúdo poético” (LOTMAN, 1978, p. 66-67. Grifos do autor).

O título “Jornal dos Planaltos” (dedicado a Carlos Pellicer), datados de 1923, é composto pelos poemas: “Fronteira do Rio Grande”, “Xochimilco ou o Epigrama da Índia exilada”, “San Agustín Acólman”, “Cholula”, “Puebla de Los Angeles”, “Puebla”, “Querétaro” [a Diego Rivera]”, “México (D.F.)”, “Guadalaraja [a Roberto Montenegro].

O texto “Cholula” apresenta de forma clara a arquitetura da Pirâmide verde, da cidade pré-hispânica que fora contruída no mesmo local em que atualmente se situa a cidade de Cholula de Rivadavia (México). Há, nos versos, a geometria, com suas formas e cores:

Altura que enfuna o céu...
Cholula!
Pirâmide verde
sob a esfera azul!

Nesse ar geométrico, exato,
abstrato
teu riso, índia mexicana,
tem o sabor das ervas livres do planalto.

Agosto. 1923. (2001, p. 103)

Há, nos versos, a geometria das formas da pirâmide relacionada à natureza circundante e à esfera azul, pois no dizer do eu lírico até o ar se empregna dos contornos exatos, abstrato na forma, mas não imperceptível ao olhar do sujeito da enunciação que vê “o outro”, o riso da índia mexicana comporando-o ao “sabor das ervas livres do planalto”. O verde da pirâmide contrasta com o azul da esfera.

No texto “México (D.F.)” o sujeito da enunciação nota a felicidade da índia mexicana, toda “florida de ritmos” e afirma que ela é o México; ela traz nas mãos os abrasantes “sarapes” (mantas ou colchas de lã, de uso no México e em outros países da América Latina).

A índia que passa todas as
manhãs,
sob a minha janela,
a índia da Avenida Juarez,
como é feliz!

Leva nas mãos as brasas dos sarapes,
na cabeça o rebozo de seda
de una niña muy bien,
nos pés as sandálias de tacões duros,
para riscar o jarabe,
e na boca o última canção tapatia.

Índia da Avenida Juarez,
toda florida de ritmos,
tu é o México, ou Deus não existe!

Agosto. 1923. (2001, p. 111-112)

A outredad persentifica-se no texto na observação do Eu para com o Outro. O sintagma “una niña muy bien” se destaca na estrofe, revelando a atenção do sujeito lírico para com língua e a cultura do “outro”.

“Xochimilco ou o Epigrama da Índia exilada” apresenta uma linguagem indagadora e sintética:

Olhei-me nas tuas águas,
Xochimilco.
Que águas poderão agora Refletir-me?

Junho. 1923. (2001, p. 101)

Nos versos do poema, a palavra poética adquire a inflexão da interrogação ontológica. A poesia - enquanto busca de sentido - faz com que o poeta e o leitor mantenham na atualidade um procedimento de indagação perante esta arte, pois, no dizer de Octavio Paz, na modernidade, o poema assume a forma de questionamento e, ao mesmo tempo, é “recuperação da outridade, projeção da linguagem num espaço despovoado por todas as mitologias, o poema assume a forma de interrogação. Não é o homem que pergunta: a linguagem nos interroga” (PAZ, 1982, p. 345). Tal como Narciso frente ao espelho de água, o eu lírico se mira no lago espelhado de Xochimilco e indaga por outras águas que terão o poder de lhe refletir.

“Toda a América” é um poema subdividido em cinco partes e é dedicado a Renato Almeida. O texto “Toda a América 1”, com seus versos livres, é uma ode, palavra-canção, de canto e amor à América, não no sentido ufanista:

Do Alto dos Andes, América,
do alto das sierras mexicanas,
de Laguna del Inca,
de Punta de las Vacas, de
Orizaba e
Xochimilco,
[...]
América livre do terror!
América voltada para o futuro como um
botão que espera a flor e o fruto,
[...]
América dos opróbrios e das reivindicações,
dos trusts e dos Estados
insolváveis,
[...]
América violenta do cavalo selvagem do
caudilho, do punhal dos generais, da
fogueira dos linchamentos,
dos imperadores banidos,
dos Presidentes degolados,
América sofista e causídica
dos Parlamentos e dos Tribunais,
América de todas as imaginações, do asteca
e do germano, do guarani e do latino, do
hispano e do inca, do aimoré e do saxão,
do eslavo e do africano,
América dos barões e dos escravos, do
ladrão e do capitão-mór, do santo e do
herói.
[...]
América livre do terror,
América dos meus avós guerreiros e
construtores,
América do meu Pai que morreu pelo Rei! [3]
(2001, p. 117-121)

O texto é uma prova clara de que a poesia é um “alimento que a burguesa - como classe - tem sido incapaz de digerir” (PAZ, 1982. p. 48). Para o poeta Armindo Trevisan, a poesia tem o poder de despertar e animar o homem para sua sobrevivência. A poesia - enquanto captação de realidade - se caracteriza por uma espécie de “imediatez e tato”, ou seja, uma maneira de “apalpar as coisas e o coração”. Ela “nos obriga a ir além daquilo que se vê, a transpor as palavras. Tentamos produzir em nós uma sensação ou sentimento semelhante ao do poeta. Nesse sentido, toda poesia exige um poeta, ou antes, dois: o poeta-autor e o poeta-leitor” (TREVISAN, 1993, p. 38). Trevisan salienta que é preciso ver a poesia como uma experiência a ser vivida. Ela é uma arma da natureza, pois através dela o homem se protege e se empenha por sobreviver [...]” (1993, p. 33).

O eu lírico, ao “cantar” a América, apresenta um diálogo com povos, culturas, sociedades e naturezas do continente americano. Em O labirinto da Solidão e Post. Scriptum, Octavio Paz assevera que “cada povo mantém um diálogo com um interlocutor invisível que é, simultaneamente, ele mesmo e o outro, seu duplo [...]” (1984, p. 239). E complementa, “A outridade somos nós mesmos. A dualidade não é uma coisa colada, postiça e externa; é a nossa realidade constitutiva: sem outridade não há unidade. E mais: a outridade é a manifestação da unidade, a maneira como se desdobra. A outridade é a projeção da unidade [...]” (PAZ, 1984, p. 239).

Cada civilização é uma “metáfora do tempo”, afirma Octavio Paz. A imagem do mundo - estrutura inconsciente da sociedade, animada por uma concepção particular de tempo (PAZ, 1991. p. 97), - se alicerça nas produções culturais, por isso que ela é efetivação de uma presença. É pelo diálogo com o mundo que o homem se instaura frente à realidade na qual se insere. A imagem do poema é sempre um convite à “transmutação de sentido”. Já a imaginação é a manifestação da temporalidade. Cada civilização imagina o tempo de diversas formas. Há as que o entendem “como eterno retorno, outras como eternidade imóvel, outras como vacuidade sem data ou como linha reta ou espiral” (PAZ, 1991. p. 98). Dessa maneira, as imagens do tempo e do mundo se interligam. O homem é tempo. Se cada época escolhe sua definição de homem, a do nosso tempo é “o homem é um emissor de símbolos” (PAZ, 1991. p. 114).

Para Octavio Paz, as sociedades primitivas são homegêneas e relativamente simples. Podem ser observadas enquanto unidades auto-suficientes. Já as sociedades modernas se apresentam com alto grau de complexidade. Dessa forma, “nas sociedades mais homegêneas na aparência, por exemplo, as do Ocidente moderno, encontramos uma impressionante diversidade de elementos. Dentro de cada sociedade há muitas culturas e sociedades (1991, p. 121). Paz exemplifica que a pluralidade de culturas e de tempos históricos é ainda mais complexa em países onde confluíram diversas civilizações, como é o caso da Espanha: celtas, romanos, finícios, árabes, visigodos, judeus. “Todos estão vivos, não na superfície, mas na profundeza histórica, no subsolo psíquico espanhol” (1991, p. 121). Ao se referir ao México, o poeta Octavio Paz, observa,

O México é ainda mais complexo. Em primeiro lugar, porque à rica herança espanhola se deve acrescentar a não menos rica herança índia, com a pluralidade de culturas, nações e línguas: maias, zapotecas, totonacas, mixtecas, nahuas. Em segundo lugar, porque todos esses elementos heterogêneos, em contínua interação, foram submetidos, desde a independência e até antes, desde o fim do século XVIII, a um processo de modernização que ainda não terminou. A modernização, no México, significou no século XIX a adoção de modelos republicanos de origem norte-americana e francesa; no século XX, a adoção de técnicas e formas de cultura também não tradicionais e igualmente originárias dos Estados Unidos e Europa (PAZ, 1991, p. 121-122).

Nessa mesma linha de pensamento, sobre a sociedade homogênea e pluralidade de culturas e de tempos históricos, também pode-se aludir ao Brasil, quer pelas nações/comunidades indígenas, quer pelos colonizadores, imigrantes que formaram e formam tal diversidade. Como nos versos de “Toda a América”: “América de todas as imaginações, do asteca/ e do germano, do guarani e do latino, do / hispano e do inca, do aimoré e do saxão, / do eslavo e do africano, / América dos barões e dos escravos, do / ladrão e do capitão-mor, do santo e do / herói.” (p. 120).

Ao se reportar à imagem da América, Almeida destaca que a partir das circunstâncias de sua descoberta, “a América oferece condições problemáticas à criação de uma possível imagem do tempo. Seu próprio descobrimento está condicionado a um nome, a utopia, que sendo etimologicamente o não-lugar é também o não-tempo. O tempo da utopia (Eldorado ou Idade do Ouro) é aquele que nunca chega: o futuro das utopias não completa sua figura.” (ALMEIDA, 1997, p. 80). Em relação à complexidade da imagem do tempo, Almeida salienta que,

Se por um lado a pura geografia americana é um vazio a ser preenchido (ontem, como hoje, uma imagem do tempo a ser inventada), por outro lado esconde e camufla outros tempos: o tempo cíclico das complexas culturas indígenas (México e Peru), ou o tempo do primitivo (dos índios do Brasil, por exemplo). A América é página em branco e também palimpsesto. No confronto das imagens do tempo a influência é recíproca: de sua parte, os nativos, ao se mostrarem ao homem europeu, fazem com que eles vejam de modo súbito e dramático a existência de uma descontinuidade cultural talvez nunca antes sonhada, que além do mais supõe e descontinuidade de tempo e espaço (ALMEIDA, 1997, p. 80-81).

Nessa perspectiva, “se a imagem do tempo determinda uma sociedade, sua formação na América Latina acaba por ser prejudicada pela ausência de um elemento essencial ao tempo da modernidade: a crítica” (1997, p, 81), assevera Almeida.

Ao tratar mais especificamente da questão da ficção latino-americana, Eduardo Coutinho salienta que durante o século XX, a ficção latino-americana estendeu a sua preocupação com a denúncia do contexto social, econômico e político de um determinado país ou região, num âmbito universal. Dessa forma, ela foi além do estágio documental de fotografar a realidade objetiva que dominava as primeiras décadas do século XX, e acabou por atingir as dimensões da revelação ontológica ou da exploração metafísica (1985, p. 17). É relevante registrar que este novo tipo de ficção que surge na América Latina é um fenômeno universal e desenvolveu-se a partir de uma nova visão de mundo do homem contemporâneo. Se no século XIX a certeza e a autoconfiança dominavam a mente do homem, tendo como resultado as grandes descobertas científicas, o homem do século XX e XXI é marcado pela dúvida e pela insegurança. A crença na realidade objetiva dá lugar a um mundo caótico, pois o homem vive num mundo absurdo. Assim, o homem contemporâneo procura desvendar as camadas mais profundas da realidade. Já a história da América Latina tem sido a da “construção da utopia”, como afirma Ana Pizarro. Dessa forma, o processo de busca de identidade das literaturas latino-americanas está relacionado ao fenômeno de aculturação, cujo processo está sempre em construção. A noção de cultura latinoamericana se estende muito além das fronteiras do continente. “O estudo das fronteiras culturais é, pois, um dos campos mais abertos e necessários ao desenvolvimento dos estudos latinoamericanos [...]” (PIZARRO, 1995, p. 28).

As confluências de culturas, o “multiculturalismo” e a vinculação do local e do global, evidencia-se na obra Toda a América, na qual o poeta Ronald de Carvalho apresenta uma poesia de luminosa transcendência e revelação da condição humana. A diversidade cultural está presente em Toda a América enquanto reconhecimento de conteúdos e costumes culturais pré-dados, que no dizer de Bhabha (2001), tal diversidade é um “objeto epistemológico” - a cultura como objeto do conhecimento empírico -, enquanto a diferença cultural é um processo de enunciação da cultura como conhecimento legítimo, adequado à construção de sistemas de identificação cultural.

A lírica moderna tem o poder de impor à linguagem a tarefa de expressar e, ao mesmo tempo, encobrir um significado, como diz Friedrich, (1978, p. 196-197). A lírica de Ronald de Carvalho traz a marca da modernidade no sentido de apresentar poemas que revelam uma linguagem “mágica”, condensada, com um tom extático suave, o lusco-fusco do significado, o ecoar da transcendência indeterminada e, acima de tudo, o poder da poesia, com suas transmutações, crítica, poder das palavras e revelação da condição humana, que aponta para a poesia enquanto descoberta da otredad.

 

Notas

[1] Professor Adjunto do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Letras da Unioeste - Área de concentração em Linguagem e Sociedade - campus de Cascavel e da Graduação em Letras - campus de Marechal Cândido Rondon - Brasil. Texto apresentado no 3º congresso internacional da Associação Internacional de Estudos Americanos, “Trans/Americano, Trans/Oceânico, Trans/lativo” (3rd world congress of the International American Studies Association, “Trans/American, Trans/Oceanic, Trans/lation”), realizado na Universidade de Lisboa, no período de 20 a 23 de Setembro de 2007. Com os agradecimentos à Fundação Araucária pelo Auxílio à Participação no referido Evento Científico.

[2] Optou-se pela grafia Otredad por ser um neologismo criado por Octavio Paz.

[3] Segundo Antonio Olinto, “O pai de Ronald de Carvalho foi o capitão-tenente Artur Augusto de Carvalho, engenheiro naval, fuzilado durante a revolução de Custódio José de Melo contra Floriano Peixoto (2001, p. 23).

 

Referências

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TREVISAN, Armindo. Reflexões sobre a poesia. Porto Alegre: InPress, 1993.

 

© Antonio Donizeti da Cruz 2008

Espéculo. Revista de estudios literarios. Universidad Complutense de Madrid

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