Políticas lingüísticas e a conservação da língua alemã no Brasil

Ciro Damke

Universidade Estadual do Oeste do Paraná
UNIOESTE - Marechal Cândido Rondon, Paraná, Brasil


 

   
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Resumen: Brasil es mundialmente conocido, y reconocido, como un país plurilingüe y multicultural, algunos autores lo llaman de gran mosaico nacional donde varios brasiles se encuentran. Por medio de este estudio queremos participar del descubrimiento (no de la manera violenta y traumática como fue el proceso de descubriminto y colonización) de estos brasiles. Según diversos autores, en Brasil son actualmente hablados más de 200 idiomas, entre las lenguas autóctonas, las indígenas, y las lenguas alóctonas, traídas por los imigrantes. En estas últimas no se incluyen la lengua, junto con la cultura alemana. Con este trabajo pretendemos ampliar los estudios sobre la participación de los imigrantes alemanes y de sus descendientes en la formación sociocultural del pueblo brasileño y, a través de su lengua y cultura, en la composición de este gran mosaico nacional. Diversos son los elementos, las causas que llevan a la disminución, pérdida y hasta desaparecimiento (Sprachverfall, language death), o a la conservación de una lengua (Spracherhalt). Además de estos aspectos, comunes a cualquier situación de lenguas en contato, lo que llama la atención en el contexto alemán/portugués es la relativa estabilidad, la larga conservación por casi dos siglos, de la lengua y cultura alemanas en Brasil. En este trabajo intentaremos elucidar algunas de estas causas de esta longevidad, al contrario de otras numerosas islas lingüísticas, incluso alemanas, que tuvieron una existencia más efímera y desaparecieron en un espacio de tiempo mucho más corto. En otras palabras, intentaremos analisar la relación, si es que hay, entre políticas lingüísticas y la conservación de la lengua alemana.
Palabras clave: políticas lingüísticas, lengua alemana, diversidad lingüística y cultural.

Abstract: Brazil is worldwide known, and recognized, as a plurilangual and multicultural country; some authors call it as a large national mosaic where many Brazis come together. Through this study we want to participate in the clearance (not violently and traumatic as the process of discovery and colonization) of one of these Brazis. According to several authors, nowadays in Brazil are more than 200 languages being spoken, since the autochthones languages, the indigenous, and the alochtones languages, brought by immigrants. In this one is included the language as well as the German culture. With this work we want to extend the studies on the participation of German immigrants and their descendants in Brazilian’s socio-cultural development, and through its language and culture, in the composition of this great national mosaic. Many are the factors, the causes leading to the decrease, loss and even disappearance (sprachverfall, language death), or the preservation of a language (spracherhalt). Beside this aspects, common to any languages in contact, which draws attention in the context German / Portuguese is the relative stability, the long-life for almost two centuries of German language and culture in Brazil. In this work we will try to explain some of these causes this longevity, unlike other numerous linguistic Islands, including German ones, which had a more ephemeral life and disappeared within a very shorter time. In other words, we will analyze the relationship, if there is any, between language policies and the conservation of German language.
Keywords: linguistic policies, German language, linguistic and cultural diversity.

 

Políticas lingüísticas x língua alemã

A premissa da importância da linguagem para o ser humano é fato inquestionável e é uma das linhas que orientam estas análises. Segundo Damke (1992, p. 19), a língua/linguagem é parte integrante do ser humano, enquanto Wittgenstein em seu livro Tractatus logico-philosophicus (1921), citado por Faustino (1995, p. 21), já afirmava que os limites do meu mundo são os limites da minha linguagem (Die Grenzen meiner Sprache sind die Grenzen meiner Welt). Ainda, a autora, (Idem, p. 5), diz que o verdadeiro significado de uma palavra, e por extensão da própria linguagem, depende de seu uso (Die eigene Bedeutung eines Wortes, ist deren Gebrauch).

De forma idêntica, com base nos pressupostos da sociolingüística, Calvet (2002, p. 12), afirma que ... as línguas não existem sem as pessoas que as falam, e a história de uma língua é a história de seus falantes. Isto significa que cada falante, e cada grupo, traz uma história de vida, experiências, que estão presentes em sua língua/linguagem, o que vale também, para a língua e cultura alemãs sob análise no presente trabalho, onde a língua/cultura e história sempre tiveram uma relação estreita.

É necessário esclarecer que usamos, aqui, os termos língua e linguagem indistintamente, no entendimento que a língua, como estrutura, só existe através do seu uso, ou seja, da linguagem, como Wittgenstein afirma.

O mesmo pensamento, segundo Albrecht (1988, XVII), com base em Aristóteles, Humboldt e Heidegger, é defendido por Coseriu, quando diz que a língua é a técnica da fala (Sprache als Technik des Sprechens) ou quando afirma que língua é energeia, ergon e dynamis (estrutura, uso e mudança).

Vê-se que diversos dos conceitos oriundos da história greco-romana, e defendidos ao longo dos séculos pelos filósofos da linguagem, coincidem com as modernas concepções da sociolingüística que embasam nosso estudo e orientam as análises.

Com relação à cultura, incluindo a língua, concordamos com Certeau (2001, p. 9), que afirma que estas fazem parte da vida social de qualquer pessoa. Damke (2007, p. 233), diz que a língua e cultura fazem parte da identidade do próprio ser humano e, segundo Schneider in Damke (1997, p. 277 e 2007, p. 234), da identidade de brasileiros descendentes de imigrantes alemães.

Como já foi dito, o Brasil é mundialmente conhecido pela sua diversidade étnica, lingüística e cultural.

A mesma idéia, referindo-se à música popular brasileira, mas que vale perfeitamente para a língua e toda a cultura, defende Napolitano (2005, p. 7), dizendo que é lugar de mediações, fusões, encontro de diversas etnias, classes e regiões que formam o nosso grande mosaico nacional.

Por isso, estudar fatores que levam à conservação, perda e até desaparecimento de uma língua/cultura de uma minoria lingüística é uma forma de se entender, também o contexto maior. No caso, sob análise, pesquisar aspectos que levam à conservação da língua e cultura alemãs é uma forma de se conhecer melhor a própria realidade sócio-cultural brasileira, e nas palavras do autor citado, uma parte deste grande mosaico nacional.

No entanto, não basta reconhecer o pluralismo étnico, lingüístico e cultural é necessário que se adote uma política lingüística adequada a este contexto.

Por isso, concordamos com Savedra (2003) sobre a necessidade de definição de uma política lingüística para o Brasil que inclua as situações de bilingüismo decorrentes de movimentos migratórios e situações de fronteira. Com relação ao que prevê a Constituição Brasileira no que se refere à situação do bilingüismo e política lingüística a autora (Idem, 2003, p. 40) diz:

a) a Constuição atual em seus artigos 215 e 216 admite que o Brasil é um país pluricultural e multilíngüe; b) no Brasil coexiste um grande número de línguas de imigrantes; c) para integração cultural e lingüística das comunidades de imigrantes no território nacional pouco foi feito e ainda persiste o desprezo por minorias lingüísticas, revelando a discriminação legal para as comunidades de língua materna não portuguesa; d) a pluralidade lingüística no Brasil delineia situações diversas de bilingüismo e multilingüismo e somente a educação indígena está contemplada com propostas curriculares de educação bilíngüe na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1996.

Partimos do princípio que a diversidade lingüística e cultural é direito de todo indivíduo e grupo social. A própria Constituição Brasileira atual, Art. 215 prevê este direito:

O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. § 1º O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.

O parágrafo 3º do mesmo Artigo complementa, dizendo que a lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, visando o desenvolvimento cultural do país e a integração das ações do poder público que conduzem, entre outros objetivos, à valorização da diversidade étnica e regional.

A ausência de uma política lingüística Sprachenpolitik para situações de línguas em contato definida com maior clareza, foi constatada por Ammon (2003, p. 11) no contexto lingüístico da União Européia, mas que se aplica de forma idêntica para a realidade brasileira, como afirma Savedra (2003, p. 40 ss), já citada.

Segundo Fishman (1975) a relação entre o planejamento e aplicação de fato de políticas lingüísticas é muito estreita: o planejamento é a aplicação de uma política lingüística, e as definições posteriores. Calvet (2007, p. 17) vê as duas ações como complementares, mas diz que é preciso distinguir com cuidado as decisões de poder (a política) e a passagem à ação (planejamento).

Assim, como a Constituição Brasileira, também outras Instituições e documentos defendem o respeito ao pluralismo lingüístico e cultural dos indivíduos. A Declaração Universal dos Direitos Lingüísticos de 1996 (MÜLLER, 2003, p. 7), em diversos artigos proclama a igualdade de direitos lingüísticos, sem distinções não pertinentes entre línguas oficiais/não oficiais; nacionais/regionais/locais; majoritárias/minoritárias; ou modernas/arcaicas.

O reconhecimento de todas as variedades lingüísticas no Brasil foi, uma das resoluções finais do XXII Congresso da Associação Brasileira de Lingüística (ABRALIN) realizado em Recife em outubro de 1987:

Todos os grupos sociais devem ter o direito de identificar-se com uma ou mais línguas, bem como o reconhecimento e respeito desta identidade pelos outros indivíduos.

A Declaração de Recife (1987, p. 2) segue:

É necessário esclarecer outros indivíduos, grupos e o Estado sobre os direitos lingüísticos e exigir atitudes positivas com relação ao pluralismo lingüístico, para mudar as estruturas sociais na direção do reconhecimento dos mesmos direitos de falantes de línguas e variedades lingüísticas diferentes.

Não pode haver dúvidas, portanto, com base num regime democrático e no ritmo da globalização cada vez mais acentuado, que a coexistência pacífica de línguas e culturas diferentes, num mesmo contexto político, deve ser vista como algo perfeitamente normal, e possível.

Para se poder entender o contexto de coexistência de diversas línguas em contato é necessário definir o que é comunidade ou ilha lingüística.

Não há como entrar em detalhes, por isso a grosso modo tomamos a definição para ilha lingüística ou comunidade lingüística de Mattheier (1994, p. 131), também em Damke (1997, p. 57) adequada para a comunidade de língua alemã no sul do Brasil:

Ilha lingüística é uma comunidade lingüística formada a partir de uma assimilação cultural e lingüística retardada ou evitada, que, como minoria lingüística, é cercada e/ou pressionada e até mesmo é excluída por uma maioria étnica e lingüística diferente e que é discriminada pela sociedade dominante por causa de sua disposição social e individual para a singularidade.

Esta definição, de maneira geral, serve para o contexto pesquisado. No entanto, segundo Born (1994, p.131), a maioria das pesquisas e das definições de ilhas lingüísticas partem de uma visão eurocentrista, isto é, que se trata, no caso de minorias étnicas, de grupos exóctonos ou seja de populações que emigraram, quando os grupos autóctonos, isto é os nativos da América e África, são esquecidos ou tratados à margem da sociedade como populações exóticas.

Altenhofen (1990, p.17), falando sobre minorias étnicas do Brasil, inclui a população indígena quando diz:

Quando se fala em minorias étnicas, pensa-se normalmente nos grupos de origem européia e asiática, como os descendentes de alemães, italianos, japoneses, chineses, poloneses, russos, ucranianos, espanhóis e toda uma série de comunidades que se concentram, sobretudo, no sul do país. Em segundo lugar, lembram-se as populações indígenas, cujas línguas sobreviventes devem chegar a mais ou menos 100-150.

De acordo com a definição de Mattheier (1994, p.334) as minorias indígenas poderiam ser definidas como grupos sobrepostos (überdachte) socialmente. Falta-lhes, no entanto, hoje em dia, uma língua geral das quais estariam afastados, pois não se pode mais falar de uma língua histórica universal dos nativos para todo o Brasil, como, de certa maneira, teria sido o tupi-guarani de antigamente.

Com relação à conceituação de bilingüismo e bilinguadidade, adotamos as definições de Heye (2003, p. 34) também adotados por Borstel (2003, p. 139), como norteadoras do presente trabalho:

A condição de bilíngüe se modifica na trajetória de vida dos indivíduos e assume diferentes contornos em relação ao domínio e à variação de uso de ambas as línguas. A coexistência de duas línguas, num determinado espaço social, deve ser analisada de acordo com os diferentes contornos (estágios) de bilingüismo, que se definem nos diferentes momentos de vida dos indivíduos bilíngües. Estes estágios são estabelecidos pelas funções de uso das línguas em contextos diferentes (familiar, social, escolar e profissional). Nesta perspectiva, propomos uma distinção entre bilingüismo e bilingualidade. Por ‘bilingüismo’ entendemos a situação em que coexistem duas línguas como meio de comunicação num determinado espaço social, ou seja, um estado situacionalmente compartimentalizado de uso de duas línguas. A ‘bilingualidade’ é definida como os diferentes estágios distintos de bilingüismo, pelos quais os indivíduos, portadores da condição de bilíngüe, passam na sua trajetória de vida.

O autor (idem, p.35) afirma que o caráter da dinamicidade da língua, o que vale especialmente para a língua alemã no Brasil, está ligado a fatores sociais e comportamentais:

De modo geral, a situação identificada pelo contexto de aquisição não apresenta estabilidade no decorrer da vida dos indivíduos. Ela muda em decorrência da variabilidade de uso funcional de cada uma das línguas e pode acarretar, em determinados períodos de vida, numa situação de domínio lingüístico (uso específico quanto à temática, tópico e situações) de uma língua em relação a outra. Esta variabilidade de uso não é necessariamente uniforme em todos os domínios de comunicação. Ela sofre modificações também em decorrência de fatores sociais e comportamentais.

A diminuição e o aumento da utilização de uma variedade lingüística depende de vários fatores. Por isso, não é fácil comprovar se há conservação ou renascimento de uma língua, ou se a diminuição do uso de uma variedade já se aproxima mais da morte, de sua extinção. São três os fatores que têm importância fundamental nestes processos: a competência, o desempenho e as atitudes dos falantes com relação às variedades utilizadas. Na maioria dos casos, como afirma Schlieben-Lange (1991, p.108ss.), os três fatores agem juntos, assim, à uma maior utilização da língua corresponde, em geral uma maior competência e atitudes mais positivas com relação às variedades utilizadas.

Concordando com Fishman (1966), definimos o termo manutenção da língua (language maintenance) como o processo de conservação de uma determinada variedade lingüística de um indivíduo em si, ou de uma comunidade lingüística inteira, no transcorrer de várias gerações com base em sua consciência de grupo, lealidade lingüística, credo religioso etc.

Como regressão do uso da língua (Sprachverfall/language shift), conforme o autor citado, definimos a diminuição do uso; enquanto renascimento lingüístico, como o aumento da utilização de uma variedade lingüística. No que se refere a utilização de uma ou mais variedades lingüísticas por uma comunidade, concordamos com o autor, (1975, p.109) que afirma, que em suma, nenhuma comunidade necessita de mais de um sistema lingüístico oficial para sua comunicação no mesmo contexto social. No entanto, assim como o autor, também nós enfatizamos a importância da existência do bilingüismo e até do multilingüismo, quando as necessidades comunicativas dos membros de uma comunidade lingüística assim o exigirem.

A regressão e perda de uma língua têm implicações dos mais diversos aspectos na vida do falante e também na própria sociedade na qual este está inserido, no entanto, somente agora pesquisadores estão acordando para esta questão como afirma Woodbury (2003, p. 39):

Sociolingüistas e lingüistas-antropólogos estão apenas agora começando a entender os efeitos da perda ou da mudança de línguas nas comunidades. O processo é complicado porque a perda pode ser voluntária ou involuntária, embora sempre haja algum tipo de pressão. Qualquer que seja o caso, percebe-se freqüentemente uma perda de identidade social, como um símbolo de derrota pela força colonial, se não ainda por aqueles que abandonam a língua, então pelos da geração seguinte. Além disso, a perda não é somente uma questão de percepção da identidade. Muito da vida cultural, espiritual e intelectual de um povo é transmitido pela língua: rezas, mitos, cerimônias, poesia, oratória, vocabulário técnico, saudações, despedidas, registros conservacionais, humor, maneiras de falar com as crianças, e os termos para hábitos, comportamentos e emoções. Quando se perde uma língua tudo isso precisa ser refeito numa outra língua com diferentes categorias de palavras, sons e estruturas gramaticais. Pesquisas lingüísticas em comunidades onde a mudança está ocorrendo mostram que quase sempre este ‘refazer’ implica numa perda abrupta de tradições mesmo quando é mantida a identidade social.

Segundo o autor as causas, fatores da regressão de uma língua podem ser os mais diversos: a pressão sofrida pelas línguas pode ser econômica, social, cultural, religiosa, política ou militar, ou uma combinação destes fatores. Diversos destes fatores estão presentes no processo de conservação e regressão da língua alemã no sul do Brasil.

O processo de perda lingüística (Sprachverfall) foi, também observado, por Borstel (2003, p. 144) em comunidades lingüísticas por ela pesquisadas:

A cultura e a identidade de minorias lingüísticas surgem a partir das considerações da heterogeneidade lingüística que se dá em grupos restritos no país. Pois atualmente, as comunidades lingüísticas de imigrantes encontram-se em um processo de perda cultural e lingüística, pois os grupos étnicos estão limitados a pequenos grupos que falam a língua materna, restrita à rede familiar em determinadas comunidades de formação étnicas culturais. As revitalizações de redes culturais e lingüísticas regionais, só serão possíveis, se houver um programa nacional de educação bilíngüe, reconhecendo a necessidade do uso de duas variedades lingüísticas em contextos de línguas em contato no Brasil. O que se observou nestas duas comunidades interétnicas é que os jovens estão cada vez mais assimilando a cultura nacional e deixando de lado a língua e a cultura materna.

Alguns dos aspectos da perda lingüística ou regressão de uma língua observados no contexto sob análise, que não chegam, porém, a morte lingüística, language death, já foram descritos por Crystal. Ammon (1973, p. 570), já naquele ano, ligava a regressão lingüística, denominada por ele Sprachauflösung, à seqüência de gerações.

Ao lado de outros grupos étnicos, que participaram e estão participando do processo civilizatório nacional, estão os imigrantes alemães. Mesmo que já houvesse a presença de alemães no Brasil muito antes desta data, o ano de 1824, segundo a maioria dos autores como Porto (1934, p. 46) e Fouquet (1974, p. 28), é reconhecido, oficialmente, como o início da imigração alemã para o Brasil.

Mesmo que sejam somente estimativas, os números mostram que o uso da língua alemã, com base no número de falantes, está em fase de regressão. Segundo Born e Dickgiesser (1989, p. 55) o número de brasileiros descendentes de alemães, no ano de 1986, teria sido de 3 milhões e 600 mil pessoas. Para o Rio Grande do Sul, com base em dados do BIRS (Bilingüismo no Rio Grande do Sul) de 1970, Altenhofen (1996, p. 56) estima em 1.386.945 o número de falantes de qualquer variedade do alemão e que no ano de 1996 teria sido de 700.000 a 900.000 falantes. Já Damke (1997, p. 59), neste ano, estima em mais de 2.000.000 o número de falantes de qualquer variedade da língua alemã no Brasil.

O questionamento que se faz, é por que após quase dois séculos, a língua e cultura alemãs se conservam vivas e são praticadas com relativa intensidade em muitas regiões, principalmente no sul do Brasil, até os dias de hoje.

Os dados mostram que o uso da língua alemã está em regressão (Sprachverfall), no entanto, se se olhar para os quase 200 anos desde a vinda dos primeiros imigrantes desta etnia, deve-se concordar que a conservação (Spracherhalt) desta língua e cultura é bem mais longa do que seria de se esperar.

Bossmann (1953, p. 98-99) define esta diminuição como zähes Abklingen: lenta regressão/extinção.

O quadro de Hamel (1988, p. 64) efetivamente aponta para um relativo equilíbrio entre a língua “A” (alemão) e “B” (português) para os anos de 1960/70 para toda a comunidade falante do alemão do Brasil. Damke (1997, p. 60-61), numa comunidade lingüística do Rio Grande do Sul, comprovou o relativo equilíbrio entre as duas forças ainda no ano de 1997. Os dois autores comprovaram que a partir deste relativo equilíbrio há a tendência do domínio da língua “B”, o português, em toda a comunidade.

Com relação aos fatores de conservação da língua alemã em diversos países do mundo, Ammon em 1991 (p. 111-113), apresenta uma tabela em que, para a realidade brasileira, apresenta os seguintes escores (+: forte, -: fraco e +: médio): densidade : +, língua escolar: -, localização (com relação à Alemanha): -, isolamento: -, meios de comunicação: +, afluência de novos imigrantes: + , igreja: +, reconhecimento oficial: -, interesse oficial: -, contatos com países da língua alemã: +.

Diversos destes dados foram confirmados por Damke, (1997, p. 137ss) na comunidade lingüística pesquisada no Rio Grande do Sul.

Alguns fatores/causas que foram, e alguns ainda são responsáveis pela manutenção da língua e cultura sob análise, foram abordados detectados por autores em pesquisas realizadas anteriormente.

A impossibilidade da volta para a antiga pátria para a grande maioria dos imigrantes devido à grande distância, problemas financeiros, entre outros, levava à formação de uma pátria de compensação nas características da pátria de origem, o que colaborava para a formação do espírito da nacionalidade aliada à toda a identidade cultural, lingüística e étnica dos imigrantes. A grande diferença entre a estrutura do português e do alemão dificultava a aprendizagem e o uso do primeiro, o que foi, e continua sendo, um pretexto para a utilização dos dialetos alemães, e em especial do Hunsrückisch, como meios de comunicação normais em muitas localidades. Ao contrário, a grande semelhança entre a estrutura do português e do italiano, como línguas românicas, é uma das causas para a mais rápida assimilação da língua portuguesa pelos imigrantes italianos no sul do Brasil. O léxico bastante idêntico entre os dialetos alemães da Europa e os ainda falados no Brasil, em especial do Hunsrückisch, foi constatado por Ammon (2004) com base em seu Variantenwörterbuch des Deutschen. Diversos destes dados foram confirmados em sua recente visita (julho de 2007) a diversas comunidades de falantes do alemão na região oeste do Paraná.

Um outro processo, o qual, sem dúvida alguma, deve ser visto como uma das causas principais para a forte conservação da língua alemã, são os milhares de empréstimos do português, o que levou à formação da mescla lingüística Brasildeutsch. Foi assim que este pôde, quase como uma língua parasitária, sobreviver até hoje ancorado ao português. Este fato já foi comprovado em trabalhos anteriores Damke (1988, 1997) e novamente confirmado em análises mais recentes (idem, 2008).

Estudos já realizados por Baranow (1973), Altenhofen (1996 e 2003), Borstel (1992, 1999, 2003 e 2006), Heye (1978, 2003), Vandresen (2006) e Damke (1988, 1997, 2007 e 2008) mostram que há fatores lingüísticos, históricos, culturais, étnicos, políticos em jogo. No presente estudo, com base em material empírico analisado à luz de conceitos de sociolingüística, tentaremos elucidar quais, como e por que estes fatores interferem na conservação da língua, no contexto sociolingüístico do Brasil.

De acordo com os termos Abstandsprachen e Ausbausprachen de Born (2003, p. 109) e com base em Kloss (1967) em Abstand Languages e Ausbau Languages a língua alemã do Brasil, em relação ao português, pode ser considerada como Abstandsprache ou língua por distância, enquanto o Brasildeutsch como Ausbausprache ou língua por elaboração, pois desde a vinda dos primeiros imigrantes em 1824 até hoje, mesmo em termos gerais estando em regressão, ela está em constante elaboração através da mescla (Sprachmischung) com o português.

Ao lado dos estudos já realizados e dos que estão sendo desenvolvidos por pesquisadores brasileiros, como os acima citados, há um interesse grande por estudiosos da Alemanha que freqüentemente visitam o Brasil e desenvolvem estudos sobre a língua alemã.

Citamos Ammon, que em julho de 2007 visitou a região oeste do Paraná e que verificou in loco a realidade da comunidade lingüística alemã e, por isso, seu interesse em orientar o presente trabalho sobre os motivos da perda lingüística e fatores de conservação da língua alemã.

A tradicional revista em língua alemão Skt. Paulusblatt, nº 196 de abril de 2008, sob o título Unsa guud Hunsbucklisch Sprooch, traz a notícia de um projeto para a elaboração de um Sprachatlas da língua alemã no Brasil, Argentina e Paraguai sob a coordenação do Prof. Dr. Harald Thun que afirma: Nós queremos pesquisar como a língua alemã se mantém na América do Sul, e se, na verdade ela está se mantendo.

Com relação à presença da língua alemã, como língua estrangeira, no sistema escolar do Brasil, Ammon (2001, p. 68 ss) no ano de 1993/94 constatou em torno de 58.800 alunos que estudavam alemão. Bredemeier (2007, p. 5-7) acha que o número de alunos que aprendem a língua alemã está crescendo em diversos estados brasileiros, inclusive apresenta um expressivo número de Instituições de Ensino Superior que formam professores de língua alemã.

Efetivamente, o mito do monolingüismo e da unidade lingüística é arduamente defendido por gramáticos conservadores ao longo dos séculos, segundo Bagno (1999, p. 15 ss), não se sustenta mais.

No entanto, segundo César e Cavalcanti (2007, p. 49ss) o sistema educacional brasileiro em suas políticas lingüísticas ainda não acordou para esta realidade:

Em relação à língua portuguesa enquanto língua histórica no Brasil, o que se verifica é a tensão entre os interesses da nação hegemônica e os interesses das sociedades (ou nações) minoritárias, que convivem no mesmo território sob o manto do Estado brasileiro. O país mantém interna e externamente o mito de nação “monolíngüe”, tornando, assim, invisíveis suas “minorias” lingüísticas e socioculturais (Bortoni-Ricardo 1984; Cavalcanti 1999; César 1999 no prelo). Nesse contexto é que se instala o prestígio de determinada norma da língua portuguesa e o apagamento das línguas nacionais minoritárias.

Cavalcanti (1999, p. 387) atribui a inadequação da política lingüística brasileira à falta de atenção à verdadeira realidade plurilíngüe e multicultural do Brasil:

Isso talvez aconteça, porque, em primeiro lugar, existe um mito de monolingüismo no país (Cf. Bortoni, 1984, Cavalcanti, 1996a, Bagno, 1999). Esse mito é eficaz para apagar as minorias, isto é, as nações indígenas, as comunidades imigrantes e, por extensão, as maiorias tratadas como minorias, ou seja, as comunidades falantes de variedades desprestigiadas do português. Em segundo lugar, uma das razões para essa estranheza pode ser decorrente de o bilingüismo estar estereotipicamente relacionado às línguas de prestígio no que se convencionou denominar bilingüismo de elite. Em terceiro lugar, esses contextos bilíngües de minorias são (tornados) invisíveis.

Thomas (2007, p. 431ss), faz algumas considerações e questionamentos com relação às políticas lingüísticas referentes a línguas alóctones, se de fato há incentivo ou muito mais proibições.

 

CONCLUSÃO

Com relação às línguas/culturas autóctones as dos indígenas, estas deveriam merecer políticas lingüísticas mais objetivas do estado, pois não há como negar que estes são os legítimos proprietários das terras brasileiras, todos os demais, inclusive nós, somos de certa forma imigrantes, senão um pouco estrangeiros nesta terra.

Referindo-se às línguas alóctones, as trazidas pelos imigrantes, no caso específico ao espanhol nos EUA, mas cuja realidade é muito semelhante ao contexto brasileiro, Sole (1975, p. 16) diz:

Em tais circunstâncias nos encontramos diante do dilema de se o abandono da língua materna é coisa necessária e até desejável, já que é bom sintoma de assimilação e integração à sociedade dominante, ou se existe a possibilidade de alcançar os mesmos fins mediante uma visão mais ampla da pluralismo lingüístico que inclua também o aspecto lingüístico.

No caso dos imigrantes alemães, deixamos a palavra aos próprios imigrantes, SCHNEIDER em GLOBUS (1984, p. 3 e 10) resumindo os sentimentos dos descendentes dos imigrantes alemães com muita propriedade diz:

Nós somos brasileiros, e sobre isto não deve haver dúvidas. Assim como os filhos e netos dos portugueses se tornaram brasileiros...Nós amamos esta terra, pois ela é nossa pátria. Ano após ano nós ajudamos a construir o progresso desta terra, ajudamos de pequenas vilas fazer cidades e de cidades, grandes metrópoles. Nós nos sentimos em casa aqui, nós amamos esta terra...

A pergunta que sempre se faz, de novo, é: até quando este quadro continuará a existir? Quanto tempo a língua alemã, na forma de qualquer variedade, continuará a existir? Como já comentado, não há, para estas perguntas, respostas definitivas. Certo é, no entanto, que, devido aos modernos meios de comunicação, pressão social, modernização da agricultura etc, mostram-se tendências de assimilação cada vez mais fortes. Apesar disso, a forte conservação e utilização, faz prever que a língua e cultura alemãs continuarão a existir no Brasil ainda durante muitos anos.

Somos da opinião (DAMKE, 1998, p. 20ss), que uma minoria, aqui o caso de imigrantes, tem o dever, tanto sob o aspecto político quanto lingüístico, de se adaptar ao novo contexto da vida, isto significa querer pertencer à nova pátria, o que exige um certo grau de assimilação. No entanto, este processo deveria ser levado a efeito dentro de uma política democrática o mais liberal possível, o que significa, que o processo de assumir a nova cidadania, da qual faz parte também, a nova língua, deve ser levado a termo com respeito à língua materna do falante e à toda sua cultura de origem.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Ciro Damke, docente da Graduação no Curso de Letras da Unioeste - Marechal Cândido Rondon - PR e da Pós-Graduação no Programa de Mestrado em Letras - Cascavel, Paraná, Brasil. Mestrado em Língua Portuguesa na Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS sob orientação da Profª. Drª. Margot Levi-Mattoso. Doutorado em Sociolingüística/Dialetologia na Ruprecht-Karls Universität Heidelberg - Alemanha sob orientação do Prof. Dr. Klaus J. Mattheier.

 

© Ciro Damke 2008

Espéculo. Revista de estudios literarios. Universidad Complutense de Madrid

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