O que o professsor está fazendo?
Análise sobre o uso de dicionários em sala de aula de línguas

Januza da Silva Costa             Vanessa Ribas Fialho

Faculdade Metodista de Santa Maria
Brasil
janu_sc@yahoo.com.br        vanessafialho@gmail.com


 

   
Localice en este documento

 

Resumen: Averiguar la utilización del diccionario en las clases de lengua materna y extranjera en la enseñanza fundamental en escuelas de Santa Maria - Brasil, a través de investigación cualitativa interpretativa es el objetivo de este trabajo. Por ser un instrumento didáctico de gran importancia para el aprendizaje, buscamos conocer su real aplicación en las clases de lenguas. El profesor desempeña papel fundamental en la conducción del aprendiz rumo al saber. En ese sentido, elegimos el papel del educador como referencia para nuestro estudio, analizando informaciones de esos sujetos en relación al uso del diccionario en sus clases. Con base en autores que valoran la utilización de esa herramienta en el proceso de enseñanza, analizamos las informaciones colectadas y percibimos que, aunque esté presente durante las clases, el diccionario no posee posición de destaque entre los recursos didácticos utilizados por los maestros. En obras online, la distancia que estas presentan, tanto de los profesores como de los alumnos, aún es muy extensa. El presente estudio presenta un breve histórico de los diccionarios (desde su origen hasta los tiempos modernos), conceptos de autores que sugieren la utilización de ese material en las clases de lenguas. La metodología utilizada en la búsqueda de datos discute esas informaciones buscadas junto a los profesores y, al final, expone la conclusión a la qua llegamos después del proceso de producción de este estudio.
Palabras clave: diccionario, profesor, enseñanza de lenguas.

Resumo: Averiguar a utilização de dicionário nas aulas de língua materna e estrangeira no ensino fundamental em escolas de Santa Maria - Brasil, através de pesquisa qualitativa interpretativa é o objetivo deste trabalho. Por ser um instrumento didático de grande importância para a aprendizagem, buscamos conhecer sua real aplicabilidade durante as aulas de línguas. O professor desempenha papel fundamental na condução do aprendiz rumo ao saber. Nesse sentido, elegemos a figura do educador como referência para nosso estudo, analisando informações destes sujeitos em relação ao uso de dicionário em suas aulas. Com base em autores que valorizam a utilização dessa ferramenta no processo de ensino, analisamos as informações coletadas e percebemos que, embora estando presente durante as aulas, o dicionário não possui lugar de destaque entre os recursos didáticos utilizados pelos docentes. Em se tratando de obras online, a distância que estas apresentam, tanto dos professores como dos alunos, ainda é longa. O presente estudo apresenta um breve histórico dos dicionários (desde sua origem até os tempos modernos), conceitos de autores que sugerem a utilização eficaz desse material nas aulas de línguas. A metodologia utilizada na coleta de dados discute essas informações coletados junto aos professores e, por fim, esboça a conclusão a que chegamos após o processo de produção deste trabalho.
Palavras-chave: dicionário, professor, ensino de línguas.

 

1. Considerações iniciais

Ao estabelecer como foco do estudo, o uso de dicionários por professores do ensino fundamental, é preciso buscar informações na formação desses sujeitos. Nesse sentido, a partir da aplicação de questionários, buscamos analisar e compreender o universo dos educadores da área de línguas, tanto em língua materna como estrangeira.

Objetivando entender como é feito o uso dessa ferramenta em sala de aula e estabelecendo relações com autores que sugerem a valorização do dicionário em todas as etapas do ensino aprendizagem, questionamos sua real aplicabilidade em sala de aula. Por ser o elo entre o estudante e o conhecimento, elegemos o professor como referência do nosso estudo.

Para salientar a importância do professor no processo de ensino-aprendizagem, sobretudo no que se refere ao uso do dicionário, Maldonado (1998) escreve que:

[...] nosotros, los profesores de Lenguas y Literatura, somos los encargados de iniciar el proceso porque somos encargados de iniciar al alumno en la práctica del uso del diccionario, provocando en él una serie de cuestiones que quizá nunca antes se ha planteado, y demostrándole, a continuación, que para todas ellas hay solución en el diccionario. Pero una vez cumplido ese previo paso, será el propio alumno el que, ya de forma autónoma, acuda al diccionario a buscar respuesta a esas preguntas que ya ha aprendido a plantearse él solo. En ese momento, pues, habremos posibilitado que nuestros alumnos hayan culminado el proceso de aprender, ejercitar y automatizar la consulta y estén preparados para transferirla a otros contextos [...] los profesores debemos llegar a conseguir la autonomía de nuestros alumnos en la aplicación del procedimiento. (Maldonado, 1998:15)

Por ser uma ferramenta de grande utilidade nas aulas de línguas, pretendemos conhecer a aplicabilidade do dicionário por professores nas séries fundamentais, pois é nessa etapa do processo de ensino que se constrói a base do conhecimento humano. Nesse sentido, o presente estudo teve como sujeitos de pesquisa professores de línguas em quatro escolas de Santa Maria - Brasil. O questionário aplicado visa entender como e por que os professores de línguas usam os dicionários em sala de aula de língua materna e de línguas estrangeiras.

Este trabalho se propõe a evidenciar a real utilização de dicionários nas aulas de línguas e abrir caminhos para novas discussões sobre este assunto e, inicialmente, a proposta surgiu na disciplina de Língua Espanhola e Aspectos Pragmáticos, na Faculdade Metodista de Santa Maria, em discussões sobre o uso desse material didático em sala de aula.

 

2. Breve histórico dos dicionários

O surgimento dos primeiros dicionários ocorreu entre 2500 e 2200 anos antes de Cristo e eram, provavelmente, bilíngües, conforme refere Humblé (2008). Foram encontrados nas escavações de Ebla, atual Síria, e traduziam palavras sumérias em Eblaita. Até o Renascimento, eram bilíngües, traduzindo palavras de uma língua A para uma língua B ou palavras difíceis de uma língua A para palavras mais simples dessa mesma língua. Sua finalidade era auxiliar o usuário a entender ou a se fazer entender.

De acordo com Humblé (2008), somente em 1612, a Accademia della Crusca criou o dicionário monolíngüe, supostamente com intenções de evidenciar a superioridade do dialeto italiano falado em Toscana sobre os demais dialetos. Na mesma época teria surgido o Tesoro de la Lengua Castellana o Española (1611), a Académie Française (1694) e o dicionário do Doctor Johnson (1755). Para este autor, os dois últimos tinham clara intenção de preservar suas línguas, pois consideravam que as mesmas teriam chegado à perfeição.

Ao comentar a história dos dicionários, Humblé (2008) escreve que os primeiros dicionários bilíngües possuíam uma finalidade objetiva: ensinar uma língua estrangeira, especialmente o latim. Após o Renascimento, na Idade Média, com a expansão do comércio, surgem dicionários preocupados em ensinar outras línguas. Os ingleses foram os pioneiros na percepção de que os dicionários deveriam se preocupar com quem buscasse recursos para utilizar uma língua estrangeira de maneira produtiva.

Discorrendo sobre a preocupação inglesa em expandir sua língua, Humblé (2008) cita o Oxford Advanced Learner's Dictionary, publicado por Hornby em 1948, que deu origem ao gênero Learner's Dictionary ou Dicionário para Aprendizes, inovando na área lexicográfica. Esta obra, de acordo com o referido autor, foi concebida para um público alvo não-nativo, embora escrito em língua meta e lançou bases para os problemas mais importantes da lexicografia: a oposição entre compreensão e produção e a escolha de exemplos a serem usados nas definições.

2.1. Uso de dicionário em sala de aula

É no ensino fundamental que o aluno descobre e aprende a utilizar livros de consulta. Para Maldonado (1998), no ensino médio e profissionalizante, é necessário que o professor não confie no domínio total do aluno no uso dessa ferramenta. Por isso, aconselha que o professor proponha exercícios que testem o domínio da classe no manuseio de dicionários. A autora considera, ainda, de suma importância que:

Al principio de cada clase escolar, el profesor emplee un tiempo precioso en revisar y evaluar con el alumno estas cuestiones, porque sólo así se asentarán las bases necesarias para poder interpretar y utilizar correctamente la cantidad ingente de información que los diccionarios proporcionan.

Sólo entonces podrá el profesor conducir al alumno a plantearse una serie de cuestiones sobre el uso de lenguaje que van más allá del significado desconocido de una palabra o de la mera duda ortográfica [...] (Maldonado, 1998: 16)

Segundo esta autora, se o professor inicialmente mostrar ao aluno que as respostas para seus questionamentos estão no dicionário, em outro momento, será o próprio aluno quem irá buscar, sabendo encontrar a resposta neste instrumento e o professor se tornará um ponto de apoio em suas consultas. Este apoio será dispensável quando o processo de aprendizagem chegar ao ápice, ou seja, quando o aluno estiver preparado para compreender que são diversos os tipos de dicionários e que cada um destes soluciona questionamentos diferentes, devendo ser eleito o que melhor convir com a situação enfrentada.

Salientando a necessidade de desfazer mitos sobre o ensino de línguas, Maldonado (1998) aconselha que devemos lutar para dissipar três falsas idéias relacionadas ao uso do dicionário:

En primer lugar, estaremos enriqueciendo la gama de posibilidades de consulta que ofrece un diccionario, tradicionalmente reducidas a la búsqueda de significados desconocidos o a la aclaración de dudas ortográficas. En segundo lugar, estaremos enseñando a nuestros alumnos que no existe el diccionario total que contenga todas las palabras de una lengua; no existe, ni ha existido, ni existirá, porque la lengua está viva, evoluciona y se transforma en función de cómo se va transformando la sociedad que habla. Estaremos enseñando, por último, que un diccionario no es para toda la vida [...] (Maldonado, 1998: 48)

Maldonado (1998) questiona a multidisciplinariedade dos dicionários e infere que “Todo diccionario debería ser [...] un instrumento multidisciplinar y, portanto, no exclusivo del área de Lengua y de Literatura; de hecho, en todas las áreas, [...], es el lenguaje el vehículo que sirve para transmitir unos conocimientos muy diversos.” (Maldonado, 1998: 48).

Ao fazer referência sobre o melhor dicionário, Maldonado (1998) argumenta que existem diferentes obras e que todas são úteis, cabendo ao usuário eleger a mais oportuna a cada ocasião, sabendo aproveitar o que esta tem a oferecer. A autora alerta ainda que não devemos acostumar-nos com um exemplar específico, por melhor que seja, pois dentre a imensa variedade existente, sempre haverá o mais adequado para a necessidade de cada momento.

Vários são os questionamentos sobre dicionários online, pois trata-se de uma ferramenta moderna que, segundo Mighetto (1996), corrobora com uma pedagogia tradicional que primordialmente se baseia em uma fonte de conhecimentos concretizada na pessoa do professor, respaldada, em alguns casos, por instrumentos de relativa e, às vezes, duvidosa atualidade.

Em 1996, os autores Santana, Hernández, Perez, Rodriguez e Carreras (1996) já previam o uso de dicionários online como uma ferramenta que iria evoluir dos instrumentos em CD-ROM:

Los diccionarios son herramientas para trabajar con palabras, y lo esperable es que acaben unidos a los grandes programas de procesamientos de textos, dentro de una panoplia de herramientas destinadas a ayudar al usuario, como correctores de estilo, programas de búsqueda de información, resumidores automáticos de documentos y demás. La pérdida de importancia de los soportes locales (disco duro, CD-ROM) a favor de las conexiones por línea va a provocar una situación nueva: el usuario obtendrá de la red solamente la información que necesita, y por supuesto sólo pagará la que use. (Santana, Hernández, Perez, Rodriguez, Carreras, 1996: 75)

Anterior às aulas virtuais, a tecnologia do CD-ROM gozava de certa atualidade nas aulas de ensino de línguas. Segundo Mighetto (1996), nota-se uma diferença primordial entre uma pedagogia baseada em CD-ROM e uma baseada na estratégia de aula virtual: “en ésta el contacto y la comunicación entre estudiantes, y entre profesor y estudiantes, así como el aprovechamiento de la información en línea, se establece con premisas muy flexibles y en situaciones, donde quien sea, donde sea, lo que sea y cuando sea constituye la premisa fundamental de su condición de tal”. (MIGHETTO, 1996, p.61)

Ainda traçando um paralelo entre aulas tradicionais e com uso de CD-ROM com as virtuais, Mighetto (1996) reforça que as duas primeiras exigem um encontro pessoal entre os membros do grupo para obterem aproveitamento, além de serem ferramentas pedagógicas que dependem de tempo, lugar, material pré-estabelecido e de uma plataforma de trabalho. Sobre o acesso online a dicionários, este autor argumenta que existe muita facilidade, pois estes materiais são muitos, constantemente atualizados e, na maioria das vezes, gratuitos.

Com o intento de responder à pergunta: o que é um dicionário? Ezquerra (1995 apud Mighetto 1996: 63) escreve: “el diccionario por antonomasia es el que recoge las palabras e explica su significado”. Porém, complementando este conceito, Mighetto (1996) refere que, hoje, esse sentido deve ser ampliado para englobar outras formas, além da tradicional porque não são poucos os materiais que são editados em forma digital, requerendo uma definição atualizada de dicionário nas obras de consulta. Argumenta, então, que:

[...] un diccionario moderno debe ser un instrumento básico para el manejo de la lengua, un buen diccionario tiene que estar ideado para usarse como recurso al cual los estudiantes - y también el profesor - puedan dirigirse para obtener información sobre aspectos diversos relativos a la gramática de la lengua, por un lado, y para aclarar dudas que tienen que ver con el uso de la lengua de todos los días, la lengua oficial, los tecnicismos, la jerga, etcétera, por otro. (Mighetto, 1996: 63)

O referido autor sugere ainda que, quer em um ambiente tradicional de ensino de línguas ou em uma aula virtual, professores e alunos atuem como investigadores de todo o processo de construção da língua, utilizando os dicionários tradicionais, em CD-ROM ou online como referência, garantindo êxito em seus estudos. A função de um dicionário em qualquer nível de ensino de língua materna ou estrangeira é descrita por Mighetto (1996) da seguinte forma:

La función que cumple aquí el diccionario es innegable [...] Un buen diccionario es aquel que refleja no sólo lo relativo al sistema de la lengua, sino también - y en forma especial - el uso actual de la misma. En la enseñanza moderna de lengua materna y lenguas extranjeras, el profesor debe buscar los medios que ofrezcan al estudiante la posibilidad de acceder asimismo a ese sistema intuitivo de reglas prolífero en significaciones, elipsis y metáforas [...] Un buen diccionario -ya sea en versión papel, en CD-ROM o un hipertexto en línea- debe mantenerse actualizado sí con él se quiere ofrecer información fresca sobre el uso de la lengua. Pero también es fundamental que, con ayuda de él, el profesor ejercite activamente a los estudiantes en el uso, manejo y creación de la lengua. La función que cumple el diccionario en el marco de esa visión de lengua es social, puesto que ofrece una plataforma general para toda la comunidad. (Mighetto, 1996: 63, 64, 65)

Fernández (1996), quando se refere ao uso do dicionário monolíngüe em aulas de língua estrangeira, afirma que estes possuem o fim específico de servir como auxílio nessa aprendizagem, embora também tenham outras aplicações. Questionando sobre o que faz com que estes instrumentos sejam especiais, as necessidades que pretendem satisfazer e o que se pode esperar destes, escreve que são as situações específicas que vivenciam os estudantes que responderão a estas perguntas e enfatiza:

[...] no es fácil dar respuestas claras o sencillas a estas interrogaciones porque las situaciones de las personas que están aprendiendo una lengua extranjera son enormemente variadas y vienen determinadas por numerosos factores lingüísticos y extra-lingüísticos: es importante tener en cuenta la distancia lingüística entre la lengua de origen y la lengua meta, el número de lenguas que domina el estudiante, el nivel de conocimiento de la lengua meta, la comunidad idiomática en la que se desarrolla el proceso de aprendizaje, el nivel de motivación del estudiante, los fines específicos a los que va orientado el aprendizaje de la lengua meta, la edad del hablante, el contexto específico del aprendizaje, etcétera. (Fernández, 1996: 47, 48)

Salientando alguns fatores importantes no processo de ensino-aprendizagem, Fernández (1996) esclarece que são três que servem de base para que tal processo ocorra: o professor, o manual (livro didático) e o dicionário. Ressalta ainda que a importância de cada um desses fatores durante a aquisição da língua estrangeira é diferenciada e está condicionada à metodologia utilizada e ao papel do professor em sala de aula.

Outro fator citado por Fernández (1996) que deve ser levado em conta é a competência lingüística do estudante, ou seja, os conhecimentos acumulados e as características de sua própria língua que foram sendo internalizados durante sua vivência. Dentro da experiência lingüística do aluno, o autor em questão cita a experiência metalingüística como eficaz na aprendizagem de língua estrangeira:

[...] la experiencia metalingüística es el conocimiento sobre cómo están organizados los diccionarios, los manuales, los libros de ejercicios destinados al aprendizaje de lenguas. En este sentido se espera que los instrumentos utilizados en la enseñanza-aprendizaje de una lengua extranjera tengan puntos en común con las obras manejadas en otro tipo de enseñanza por esos mismos extranjeros: la terminología metalingüística debería ser lo más parecida posible [...] (Fernández, 1996: 48, 49)

Ao discorrer sobre as características esperadas dos dicionários, Fernández (1996) deseja que ensine a usar a língua, não só conforme a norma culta, mas de acordo com diferentes contextos, interlocutores e situações comunicativas para que não causem frustração no aluno ao não alcançar seus objetivos durante uma busca de conhecimento. Segundo este autor, é preciso que o livro didático e o dicionário o ponham em contato com uma variedade da língua que se aproxime à realidade lingüística a que o estudante se propõe. Para isso, Fernández (1996) refere que: “[...] de estas obras se espera que pongan al estudiante en contacto con una variedad usada realmente y dentro de ella, con los estilos habituales en la comunicación con, hacia y entre extranjeros” (Fernández, 1996: 51).

O autor Fernández (1996) aconselha ainda que, para um estudante de língua estrangeira, primeiramente seja ofertado um dicionário bilíngüe, pois permite maior aproximação da língua meta através da língua materna. Considera inestimável e insubstituível a ajuda que tal dicionário prestará em todas as fases do processo de ensino, inclusive em áreas específicas como a tradução. O autor, porém, adverte que um dicionário bilíngüe tem suas limitações, como no caso de produção de enunciados, pois a informação gramatical, estilística ou pragmática é pequena, devendo ser usado com cautela. Ao reforçar suas ressalvas quanto ao dicionário bilíngüe, escreve ainda que:

El lexicógrafo bilingüe debe dedicar una parte importante de su esfuerzo a señalar los peligros de los falsos amigos, a advertir sobre la falta de absoluta correspondencia entre los límites semánticos de las palabras y a informar sobre el uso estilístico o el contexto en que suelen aparecer las variantes léxicas. Las distintas posibilidades estilísticas, la polisemia y la asimetría en la correspondencia semántica llevan a aparición, en los diccionarios bilingües, de nutridas listas de “traducciones alternativas” para una sola palabra de la otra lengua. (Fernández, 1996: 52, 53)

Sobre o dicionário learner's, conhecido como um dicionário monolíngüe para aprendizes de línguas estrangeiras, Fernández (1996) refere que estes surgiram há apenas sessenta anos, evoluindo com os avanços da lingüística aplicada. Seu intento era proporcionar um aprendizado de línguas rápido e eficaz para soldados durante as guerras mundiais. Ao atingir os estudantes de língua estrangeira, os dicionários monolíngües, segundo este autor, “[...] permiten conseguir que un estudiante dedique su primer y mayor esfuerzo al aprendizaje de las unidades léxicas realmente esenciales y no pierda su tiempo memorizando unidades que jamás va a usar.” (Fernández, 1996: 54)

Referindo-se ao que faz um dicionário monolíngüe diferenciar-se dos demais, Fernández (1996) cita quatro pontos fundamentais: devem seguir critérios coerentes e sistemáticos para a seleção do léxico; as definições devem ter atenção particular para que não apareçam elementos de difícil compreensão; podem conter exemplos para ilustrar ou complementar as definições e valorizar o uso correto das palavras que o formam.

2.2. Sobre dicionários...

De acordo com Humblé (2008), as atividades de produção e compreensão requerem organizações diferentes do dicionário. Para a compreensão, o usuário necessita de uma macroestrutura extensa, com uma grande quantidade de palavras e com a inclusão de palavras pouco usuais que possam ser entendidas e aplicadas de acordo com o contexto que aparece no texto. Sobre a produção textual, o autor citado alerta que esta tarefa é bem mais complexa que a anterior, visto que o contexto está sendo produzido por um aprendiz não-nativo e o dicionário precisa de uma microestrutura bem elaborada, com definições que possam ser empregadas em contextos variados e com exemplos que sirvam de parâmetro para sua produção.

Em seu artigo “O discurso do dicionário”, Humblé (2008) avalia que a lexicografia vive uma situação contraditória em que todos admitem usar dicionários, mas poucos o estudam. Para este autor, a impopularidade desse material didático pode estar relacionada com o trabalho do lexicógrafo que é visto como enfadonho, meticuloso e, muitas vezes interminável, deixando a impressão de que sua obra é uma entidade fora do comum, incriticável, sem autor, ou autor mítico.

Traçando um paralelo entre os dicionários monolíngües e bilíngües Humblé (2008), complementa as idéias de Fernández (1996) apresentadas em linhas anteriores escrevendo que os primeiros possuem, entre aprendizes de uma língua estrangeira, uma grande estima, são feitos para o avanço da cultura e educação de um povo, gozam de subsídios estatais e são considerados a origem de todos os dicionários. Sobre os bilíngües, refere que são menos valorizados, pois carregam a imagem de cópias seletivas dos dicionários monolíngües feitas por pessoas bilíngües, traduzindo palavras usadas com mais freqüência, apresentam problemas estruturais como verbetes longos e abundância de abreviaturas e são lançados por editoras, muitas vezes sem autores definidos, tendo como principal finalidade o retorno financeiro.

Quanto à preocupação que um lexicógrafo deve ter em relação ao público-alvo que irá usufruir de sua obra, Humblé (2008) argumenta que este deve levar em conta duas necessidades básicas dos aprendizes: entender textos, desde os mais simples até os mais complexos e produzir textos simples, porém corretos. No que diz respeito ao usuário, este estudioso salienta a importância de que faça uma leitura atenta da carta de apresentação que cada obra traz em suas páginas iniciais para que possa eleger o dicionário que melhor se adéqüe às suas necessidades. Embora seja importante esse procedimento, raramente nos preocupamos em buscar informações sobre a obra em suas primeiras páginas.

Humblé (2006) refere também que os dicionários são empreendimentos comerciais que visam lucro, por isso geralmente buscam atingir um grande público, não tendo muitas preocupações com os benefícios para o usuário. Para que o aproveitamento seja maior, é importante que sejam concebidos objetivando alcançar um público mais específico. Nesse sentido, este autor esclarece que os estudantes brasileiros, de acordo com seus estudos comparativos, estão melhores servidos que os europeus.

Para ilustrar o que foi escrito no parágrafo anterior, podemos citar o que Humblé (2006) concluiu após estudo detalhado de quatro dicionários bilíngües português-inglês de uso escolar destinados ao público brasileiro:

[...] pode-se dizer que o Michaelis é um dicionário de compreensão e que os três outros (Longman, Oxford, Larousse) se dirigem a um público de aprendizes brasileiros interessados também em aprender a língua ativa. O Larousse, com as etiquetas em inglês, parece dirigido a um público mais avançado [...] cada um desses dicionários tem alguma coisa a oferecer que o outro não oferece e os resultados foram, para mim surpreendentes. Cada um deles [...] representa uma obra de consulta feita com muita seriedade. (Humblé, 2006: 268, 271, 272)

Sobre a importância dos exemplos nas definições dos verbetes no dicionário, Humblé (2008) declara que estes servem de elo entre a definição e a vida real, tanto para usuários nativos como para não-nativos, sendo uma função típica dos exemplares monolíngües. Escreve ainda que: “o exemplo reúne em si, portanto, características próprias da explicação do sentido, da análise sintática e da informação pragmática. O não-nativo usa o exemplo como modelo a imitar”.

Conceituando o que seria um corpus na área da lexicografia, Humblé (2008) define como “um conjunto de textos, de preferência grandes, estocados em um computador e que podem ser consultados por meio de programas específicos [...]” Este material, então, como refere o autor, serve como ferramenta que possibilita uma definição mais completa de uma determinada palavra, dando uma idéia mais real de como essa palavra é normalmente usada.

Muitos autores dão exemplos para um uso mais eficaz dos dicionários. Maldonado (1998) refere ser importante utilizar o dicionário para trabalhar exercícios de ortografia, acentuação e pronunciação (formação do plural, parônimos), de morfologia (flexão das palavras e derivações), alguns exercícios de sintaxe, vocabulário e tarefas que trabalhem o emprego de palavras em diferentes contextos, latinismos, estrangeirismos, etc.

Humblé (2008) recomenda a utilização de dicionário para compreensão, tradução e produção textual, evidenciando, como já referido anteriormente, sua preocupação com o emprego da obra mais adequada para cada tipo de necessidade do aluno. Tomando como exemplo a produção de textos, o referido autor argumenta que, nesse caso, “expressar-se de maneira simplesmente inteligível, sem usar o vocabulário e a sintaxe apropriados, torna a comunicação estranha, e até inaceitável [...] a compreensão pode ser vaga, a produção tem que ser precisa.” Dessa maneira, aconselha o emprego de uma obra de boa qualidade para auxiliar o aprendiz na produção de enunciados eficazes.

Diante da pergunta: qual tipo de dicionário é mais eficaz para as tarefas de produção e compreensão: monolíngüe ou bilíngüe? Humblé (2008) assim se expressa:

A verdade é que ambos os tipos de dicionários têm sua utilidade e se complementam. Algumas pessoas terão a sensação de conhecer uma palavra somente após conseguir traduzi-la. Para estas pessoas, um dicionário bilíngüe falará mais do que mil palavras de um dicionário monolíngüe. Outros, no entanto, preferirão a submersão na língua estrangeira para depois tirar suas próprias conclusões. (Humblé, 2008: 166)

Para complementar sua afirmação anterior, Humblé (2008) evidencia que um dicionário com verbetes híbridos, ou seja, aquele que misture informações úteis tanto para quem esteja procurando entender um texto como para quem busca produzir enunciados seria o mais recomendado. Evidencia, novamente, a necessidade de atentarmos para as diferentes fases por qual passa um estudante, precisando de obras diferenciadas.

Ao comentar sobre a postura do professor diante do aluno que busca informações sobre qual o melhor dicionário para aquisição, Humblé (2008) refere que os mesmos se sentem incomodados quando questionados e não se indagam sobre o porquê de usarem mais uma obra que outra. As razões para tal perturbação seriam variadas, como a falta de estudos sobre o tema, a compra do material sem muito critério e, muitas vezes, por possuir apenas um exemplar, encontram dificuldades em compará-lo com outros ou, possuindo vários, a falta de paciência para utilizar diferentes dicionários para tarefas distintas.

Com base nas afirmações anteriores, Humblé (2008) ressalta que investigações na área lexicográfica podem orientar professores que, por sua vez, passarão a orientar melhor seus alunos. Dessa forma, haverá uma maior preocupação dos lexicógrafos e editoras em produzir obras de melhor qualidade.

Discorrendo sobre a seleção de materiais didáticos, os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) referem que todos estes são fontes de informação, mas nenhum deve ser utilizado com exclusividade. Para que os conteúdos possam ser tratados de forma mais abrangente possível, é fundamental que essa diversidade seja oferecida aos alunos. Assim, esse educandos terão uma ampla visão do conhecimento. Enquadramos aqui, o nosso objeto de estudo como elemento dessa diversidade sugerida pelos PCNs.

É com essa base teórica que o presente estudo se realiza. Nas linhas seguintes, apresentamos a metodologia usada para a elaboração desta pesquisa sobre o uso dos dicionários em sala de aula de línguas. Após, explanaremos a análise dos resultados com base nestes pressupostos teóricos.

 

3. Metodologia

Neste capítulo serão expostos os procedimentos metodológicos adotados para a busca de elementos que servirão de base para o desenvolvimento deste artigo. O método utilizado foi o da pesquisa qualitativa interpretativa realizada através da aplicação de questionários em um reduzido número de professores de línguas do ensino fundamental. E, com esse método, tentamos demonstrar como se realiza o emprego do dicionário em sala de aula em quatro escolas de Santa Maria. Sobre o objetivo desse tipo de pesquisa, Bogdan e Biklen (1994) escrevem:

O objectivo dos investigadores qualitativos é o de melhor compreender o comportamento e experiência humanos. Tentam compreender o processo mediante o qual as pessoas constroem significados e descrever em que consistem esses mesmos significados. Recorrem à observação empírica por considerarem que é em função de instancias concretas do comportamento humano que se pode reflectir com maior clareza e profundidade sobre a condição humana. (Bogdan, Biklen, 1994: 70)

Foram entrevistados seis professores de línguas em quatro diferentes escolas, sendo dois de Língua Portuguesa, dois de Língua Espanhola e dois de Língua Inglesa. A escolha por docentes do ensino fundamental deu-se em razão de que, segundo Maldonado (1998), é no ensino primário que o aluno aprende a usar o dicionário e descobre a existência e a importância dos livros de consulta. Atentamos, então, para a importância do aprendizado adquirido nesta fase em que se firmam as bases da formação do ser humano.

A elaboração dos questionários foi realizada a partir de autores que recomendam o uso do dicionário no ensino de línguas como ferramenta importante para o desenvolvimento do saber.

Os questionários foram aplicados entre os dias 22/09/08 e 30/09/08 com a participação voluntária dos professores que se dispuseram a colaborar com este trabalho.

A seleção das escolas foi baseada nas disciplinas de línguas que ofertam a seus alunos, visto que são poucas as que ofertam o Espanhol como Língua Estrangeira no ensino fundamental. Quanto ao Português e ao Inglês, não houve dificuldades em conseguir coletar dados, pois são disciplinas obrigatórias no currículo escolar dessa fase do aprendizado.

Partindo do princípio de que o dicionário é um instrumento de grande utilidade para o ensino de línguas e pode ser utilizado com freqüência pelos professores do ensino fundamental, foi elaborado um questionário com treze perguntas referente a esse assunto. As questões referem-se à língua trabalhada pelos professores, as séries, se são utilizados dicionários em aula, qual a procedência desse material, atividades desenvolvidas com o emprego de dicionários, dificuldades encontradas no emprego desse instrumento nas aulas de línguas, utilização ou indicação de ferramentas online para os alunos, definição e indicação de um bom dicionário e a importância deste para o ensino de línguas.

 

4. Análise dos questionários

Nesta seção serão analisadas as respostas fornecidas por professores de língua materna e estrangeira do ensino fundamental aos questionários aplicados em quatro escolas de Santa Maria. A busca de informações fundamentou-se em como ocorre o uso de dicionários no ensino dessas disciplinas.

Foram entrevistados no total seis professores das disciplinas de Língua Portuguesa, de Língua Inglesa e de Língua Espanhola. Os docentes responderam a treze perguntas sobre o uso do dicionário em sala de aula. A primeira questão refere-se à que disciplina trabalham, sendo que todos identificaram suas áreas: dois ministram aulas de Língua Inglesa, dois trabalham com a Língua Portuguesa e dois com a Língua Espanhola. Respondendo à segunda pergunta que indaga em que séries desenvolvem suas atividades, assim se manifestaram:

·   um professor trabalha com alunos de quinta e oitava séries;

·   um com alunos de sexta, sétima e oitava séries e primeiro ano do ensino médio em uma escola estadual e com quinto, sexto, sétimo, oitavo e nono ano em uma escola municipal;

·   um é professor de turmas de sétima série em uma escola estadual e com quintas e sextas séries em outra;

·   um ministra aulas para turmas de quinta a oitava séries;

·   um desenvolve suas atividades para alunos de quinta a oitava séries do ensino fundamental e nos três níveis do ensino médio;

·   um é professor de quinta, sétima e oitava séries.

Ao responder à terceira pergunta que questiona se, de maneira geral, os docentes utilizam dicionários, sendo de língua materna ou estrangeira, três responderam que sim, sempre em sua área de atuação sendo que um destes evidenciou que utiliza muito este instrumento; um argumenta que o utiliza sempre que for necessário, tanto em língua materna ou estrangeira; outro respondeu que faz uso raramente, em língua estrangeira, a título de pesquisas e que seus alunos produzem uma espécie de dicionário próprio. Apenas um professor afirmou que não faz uso desse material.

De acordo com Maldonado (1998), os professores de Línguas e Literatura são os responsáveis pela iniciação do aluno na prática do uso do dicionário, provocando nestes uma série de questionamentos, demonstrando a importância de buscar a resposta nestas obras de consulta e ensinando-lhes a transferir esse aprendizado para outros contextos. Relacionando o que menciona a autora com as respostas dadas pelos professores à terceira questão da pesquisa, observa-se que, embora alguns demonstrem fazer uso de dicionários, nem todos os docentes dão a devida importância a esse material didático, desprezando o papel deste instrumento no processo de aprendizagem de uma língua. Percebe-se isso nas palavras do professor que menciona raramente utilizá-lo em suas aulas e refere que seus alunos produzem uma espécie de dicionário próprio, não esclarecendo de que forma.

Questionados sobre a oferta de bons dicionários pela biblioteca de suas respectivas escolas, os professores responderam que estas oferecem bons materiais. Somente um escreveu que, em um dos seus locais de trabalho, não há muitas opções, tendo que trabalhar com o pouco que lhe é oferecido. Somos sabedores de que é importante a escola oferecer bons materiais a seus alunos, mas quando os questionados afirmam que seus alunos têm acesso a bons materiais nas bibliotecas, não sabemos se a qualidade realmente está presente. Ainda não temos como concluir se o conceito que estes professores têm a respeito de um bom dicionário condiz com as teorias que embasam nosso estudo e, por ser um trabalho restrito, não foi possível nos estendermos numa avaliação dos materiais disponibilizados aos alunos.

A questão cinco busca saber se, em sala de aula, os professores fazem uso do dicionário com seus alunos. Temos então o seguinte contexto:

·   um menciona que sim, o dicionário é utilizado nas aulas de redação;

·   outro relata que raramente utiliza e, quando o faz, é com textos nas oitavas séries;

·   um professor refere que faz uso e os alunos devem trazê-lo sempre na mochila;

·   um respondeu que utiliza sempre;

·   um refere que não faz uso, pois são poucos exemplares em sua escola;

·   outro docente escreveu que sempre o usa com a preocupação de que os alunos aprendam a manuseá-lo, pois “incrível que pareça”, existem alunos de ensino médio que não sabem buscar as palavras nos dicionários e que talvez não tenham aprendido.

Diante das respostas dos professores ao item cinco, especialmente as palavras que mencionam a dificuldade de manuseio do dicionário por alunos do ensino médio, retomamos Maldonado (1998) que, em seus estudos, evidencia a importância de ensinar o aluno a manusear esse material. Esta autora esclarece que o professor é responsável por conduzir o aluno durante o processo de aquisição do conhecimento, possibilitando que estes atinjam certa autonomia na busca por respostas e saibam eleger o exemplar mais indicado para cada situação.

Maldonado (1998) também nos aconselha que é necessário desfazer mitos sobre o ensino de línguas, dissipando três falsas idéias relacionadas ao uso do dicionário. Podemos relembrar suas colocações a esse respeito:

En primer lugar, estaremos enriqueciendo la gama de posibilidades de consulta que ofrece un diccionario, tradicionalmente reducidas a la búsqueda de significados desconocidos o a la aclaración de dudas ortográficas. En segundo lugar, estaremos enseñando a nuestros alumnos que no existe el diccionario total que contenga todas las palabras de una lengua; no existe, ni ha existido, ni existirá, porque la lengua está viva, evoluciona y se transforma en función de cómo se va transformando la sociedad que habla. Estaremos enseñando, por último, que un diccionario no es para toda la vida [...] (Maldonado, 1998: 48)

As afirmações mencionadas acima nos remetem à importância da valorização do dicionário nas aulas de línguas. Somente com a ajuda do professor, o aluno aprende a construir conhecimentos e a ter consciência que, conforme a evolução da língua, as obras de consulta devem ser atualizadas e utilizadas de acordo com cada etapa do aprendizado Percebemos, nas palavras da autora, que é fundamental o professor possuir amplo conhecimento sobre o material didático utilizado em suas aulas, sabendo empregá-lo adequadamente e direcionando o aluno em suas pesquisas.

A pergunta número seis indaga se, em caso de usar dicionário em sala de aula, os mesmos são da escola, do professor ou dos alunos. A maioria respondeu que são da escola e/ou dos alunos. Um docente mencionou fazer uso do seu material e outro argumentou que todas as fontes são necessárias, deixando vaga sua resposta. Apenas um entrevistado deixou em branco este item, já que, na questão número cinco havia afirmado não utilizar dicionários em suas aulas, portanto, cremos que não teria o que argumentar.

Quando perguntados se os alunos têm dicionários e os levam para as aulas de línguas, três professores responderam apenas que sim. Um argumentou que mesmo tendo, os alunos não levam, outro refere que os alunos que possuem costumam levá-los nas aulas, às vezes, esquecem, mas são casos isolados. Um escreveu que a maioria de seus alunos não têm dicionários. Podemos observar, em alguns casos, o uso recorrente do dicionário em sala de aula, uma vez que os alunos devem levá-lo e que esquecimentos são casos isolados. A resposta do professor alegando que seus alunos não têm esse instrumento didático, não esclarece se existem outras fontes para consulta, pois quando retomamos a questão quatro que indaga sobre a oferta de dicionários pela escola, encontramos como reposta apenas “sim”.

A questão oito pergunta: que tipo de atividades você desenvolve em aula utilizando dicionários? As respostas obtidas foram as seguintes:

·   redação, cruzadinhas e interpretação de textos;

·   interpretação de textos, redações, sinônimos e antônimos, etc.;

·   leitura e interpretação de textos, produção textual e estudo do vocabulário;

·   atividades de tradução de palavras (não de textos inteiros), atividades de sinônimos e antônimos, etc.;

·   normalmente em textos mais complexos ou técnicos;

·   já tentei algumas atividades, mas alguns alunos levam muito tempo procurando nos dicionários.

Maldonado (1998) sugere que o professor utilize o dicionário para trabalhar exercícios de ortografia, acentuação e pronunciação (formação do plural, parônimos), de morfologia (flexão das palavras e derivações), alguns exercícios de sintaxe, vocabulário e tarefas que trabalhem o emprego de palavras em diferentes contextos, latinismos, estrangeirismos, etc. Humblé (2008) recomenda o uso desse recurso didático para compreensão, tradução e produção textual, evidenciando sua preocupação com o emprego da obra mais adequada para cada tipo de necessidade do aluno para que produza enunciados eficazes.

Ao confrontar as sugestões de atividades feitas por Maldonado (1998) e Humblé (2008), com as mencionadas pelos professores entrevistados, percebemos que, embora as possibilidades sejam muitas, o emprego do dicionário restringe-se à produção e compreensão textual, vocabulário, antônimos e sinônimos. Podemos deduzir que essa ferramenta não recebe muita atenção por parte dos docentes no momento de desenvolver atividades em sala de aula. Assim, existe todo um mundo ainda por ser descoberto pelos professores de línguas no que se refere ao uso dos dicionários, pois é possível explorar amplamente esse instrumento e fazer com que os alunos sejam capazes de, depois da escola, tirar o melhor proveito desse material.

Perguntados, no item nove, sobre as dificuldades encontradas durante as aulas com a utilização de dicionários, os entrevistados escreveram:

·   nas quintas, sextas e sétimas séries, os alunos procuram no português, palavras em inglês;

·   o manuseio em si, a busca alfabética no mesmo;

·   nenhuma dificuldade;

·   quando se trata de um verbo conjugado, os alunos sempre perguntam se o verbo no infinitivo é “a mesma coisa”;

·   a preguiça dos alunos para buscar as palavras nos dicionários. Eles preferem perguntar ao professor o significado das mesmas. Há também os alunos que não sabem manusear os dicionários. Nesse caso temos que ensiná-los;

·   como são poucos os dicionários, muitas atividades levam muito tempo.

Observando as afirmações acima, podemos relembrar as palavras de Fernández (1996) que evidencia os fatores importantes no processo de ensino-aprendizagem: o professor, o livro didático e o dicionário. Diante das dificuldades mencionadas pelos professores, podemos avaliar que, talvez, o processo esteja falho porque a metodologia utilizada durante as aulas não corresponde às expectativas dos alunos e, em conseqüência disso, as dificuldades no uso do dicionário em sala de aula se tornem evidentes. Notamos também que a pouca oferta de material pela escola contribui para o desuso desse instrumento didático.

Embora não evidenciando o quesito motivação em nossa revisão bibliográfica, vale aqui ressaltar a importância deste durante uma aula de qualquer disciplina. Um aluno motivado é capaz de produzir com maior empenho e qualidade. Todos sabemos que cabe ao professor proporcionar ao aluno um bom ambiente de estudo, mas também somos conscientes das dificuldades que estes docentes enfrentam como, por exemplo, poucos recursos disponíveis para desenvolver suas aulas. Essa situação é compreensível, mas como educadores nossa missão é de, mesmo assim, inovar para que nossos alunos sintam-se atraídos pelo conhecimento que nos propomos a transmitir.

A décima pergunta questiona se os professores trabalham com dicionários online e se indicam para seus alunos. Das respostas afirmativas, um respondeu apenas que sim e outro afirmou que os alunos usam dicionários online. As respostas negativas foram assim descritas:

·   Não, pois a escola dispõe de poucas horas para a informática para as séries finais do ensino fundamental;

·   normalmente não;

·   nunca trabalhei, mas é uma possibilidade;

·   não.

De acordo com Mighetto (1996), os dicionários online são ferramentas modernas, constantemente atualizadas, muitas vezes gratuitas que servem de auxílio às pedagogias tradicionais que podem ser usadas para enriquecer as aulas de línguas. Diante disso, é importante que os professores coloquem seus alunos em contato com esse tipo de dicionário, pois as novas tecnologias estão se destacando no nosso cotidiano. Notamos, pelas respostas negativas dos docentes, que muitos ainda não estão interados com a internet ou a escola não dispõe desse recurso para as aulas de línguas. Assim como o dicionário tradicional não é muito valorizado nas aulas, os que estão disponíveis online também não recebem a atenção merecida por parte dos professores.

Das respostas afirmativas, não podemos concluir se o uso de dicionários online ocorre na escola ou em casa pelos professores e/ou alunos ou ainda se estes levam material pesquisado e/ou impresso para as aulas. Este estudo não se deteve nessa questão por ser um trabalho restrito e considerar seu foco, isto é, a utilização de dicionários em sala de aula, como mais relevante para o momento, deixando outros questionamentos para uma possível investigação posterior.

A questão onze indaga como os professores definiriam um bom dicionário. As respostas obtidas foram:

·   atualizado e completo nas várias significações das palavras, classes;

·   o bom dicionário, na minha opinião, é o mais completo;

·   aqueles que apresentam os vários significados das palavras, de acordo com o contexto em que a mesma é utilizada. Não gosto de dicionários que apresentam somente um ou dois significados para a palavra, pois sabemos que, dependendo do contexto, as palavras podem ter vários significados diferentes;

·   aquele que é simples no que diz respeito aos sinônimos, pois muitos dicionários trazem significados que os alunos não entendem;

·   aquele que, além do significado, apresenta exemplos de uso, transcrição fonética correta, função das palavras em contextos diferentes;

·   quanto mais completo, melhor. De preferência, bilíngüe

Encontramos conceitos variados sobre o melhor dicionário nas repostas dos professores entrevistados. Para complementar os comentários, podemos voltar ao que escrevem alguns autores sobre o assunto. Mighetto (1996) assim se manifesta:

[...] un diccionario moderno debe ser un instrumento básico para el manejo de la lengua, un buen diccionario tiene que estar ideado para usarse como recurso al cual los estudiantes - y también el profesor - puedan dirigirse para obtener información sobre aspectos diversos relativos a la gramática de la lengua, por un lado, y para aclarar dudas que tienen que ver con el uso de la lengua de todos los días, la lengua oficial, los tecnicismos, la jerga, etcétera, por otro. (Mighetto, 1996: 63)

Maldonado (1998) esclarece que existem diferentes dicionários e que todos são úteis, cabendo ao usuário eleger o mais oportuno a cada ocasião, sabendo aproveitar o que este tem a oferecer. Atenta também para o fato de que não devemos nos acostumar com uma obra específica, por melhor que seja, pois dentre a imensa variedade existente, sempre haverá a mais adequada para a necessidade de cada momento.

Sobre o dicionário mais indicado (monolíngüe ou bilíngüe) para diferentes situações, especialmente para as tarefas de produção e compreensão, Humblé (2008) argumenta:

A verdade é que ambos os tipos de dicionários têm sua utilidade e se complementam. Algumas pessoas terão a sensação de conhecer uma palavra somente após conseguir traduzí-la. Para estas pessoas, um dicionário bilíngüe falará mais do que mil palavras de um dicionário monolíngüe. Outros, no entanto, preferirão a submersão na língua estrangeira para depois tirar suas próprias conclusões. (Humblé, 2006: 166)

Quando formulamos a questão onze, deixamos livre para o entrevistado eleger o que considera um bom dicionário, se monolíngüe ou bilíngüe. Nas respostas obtidas, apenas encontramos uma afirmação a esse respeito. Além disso, não foi mencionado por nenhum professor diferenciações entre obras para distintas etapas do aprendizado ou para diferentes situações de uso, conforme recomendam Humblé (2008) e Maldonado (1998).

Na pergunta doze, pedimos para que os professores indicassem um bom dicionário da língua com que trabalham. As sugestões foram:

·   na disciplina de Língua Portuguesa: Aurélio e do Google;

·   em Língua Espanhola os indicados foram: Larousse, Usual e os da FTD;

·   na Língua Inglesa: os da editora Oxford, Longman e Cambridge e Michaelis.

Analisando as respostas obtidas nos questionários, retomamos as palavras de Humblé (2006) quando este comenta sobre como os professores se sentem quando questionados por alunos sobre o melhor dicionário para aquisição. Embora alguns demonstrem ter contato com diferentes dicionários, a maioria menciona apenas um ou dois exemplos. As razões para poucas sugestões, de acordo com o autor já mencionado, seriam variadas, como a falta de estudos sobre o tema, a compra do material sem muito critério e, muitas vezes, por possuir apenas uma obra, a comparação com outras se torna difícil ou, possuindo vários, a falta de paciência para utilizar diferentes dicionários para tarefas distintas.

Percebemos também que, entre os entrevistados, somente um professor indica dicionário online como ferramenta de qualidade. Reforçamos nossa afirmação expressa na questão dez onde, pelas respostas negativas quanto ao uso desse recurso online, deduzimos que muitos docentes ainda não estão interados às novas tecnologias ou a escola não disponibiliza esse recurso para as aulas de línguas.

Humblé (2006) escreve ainda que o dicionário mais recomendado é aquele que apresente verbetes híbridos e misture informações úteis tanto para quem esteja procurando entender um texto como para quem busca produzir enunciados e evidencia a necessidade de atentarmos para as diferentes fases por qual passa um estudante, necessitando de obras adequadas para cada uma dessas etapas. Este autor enfatiza que, tanto um exemplar monolíngüe como um bilíngüe, tem sua utilidade e se complementam, ressaltando que investigações na área lexicográfica podem orientar professores que, por sua vez, passarão a orientar melhor seus alunos, acarretando maior preocupação dos lexicógrafos e editoras em produzir obras bem qualificadas.

A última questão pergunta qual é a importância do dicionário nas aulas de línguas. Os entrevistados responderam:

·   acho muito importante o uso do dicionário em qualquer atividade, pois sempre que aparece a dúvida de ortografia, o aluno deverá pesquisar e não “ganhar” a palavra do professor;

·   permitem que o aluno busque o que precisa saber em termos de significado e vocabulário sem precisar apelar para o professor ou colega, criando, desta forma, uma certa autonomia;

·   desenvolver o vocabulário, usar uma linguagem culta e sem repetições;

·   podem nos esclarecer (aos alunos e a mim também) muitas dúvidas. Servem como um apoio às aulas;

·   como um recurso pedagógico;

·   trabalho muito com o quesito DEDUÇÃO, tentando mostrar aos meus alunos que não criem barreiras (trazidas muitas vezes na busca de palavras) no entendimento de um texto. Trabalho, sempre que possível, com as devidas estratégias de leitura (observação de gravuras, datas, nomes de pessoas, título, subtítulo, palavras cognatas, etc.), preparando-os, assim, para testes seletivos como PEIES e vestibular.

Diante das respostas obtidas, é necessário comentar o último item onde um professor refere-se a sua preocupação em preparar seus alunos para o ingresso no ensino superior. Achamos louvável a atitude deste, mas enfatizamos que, no ensino fundamental, nossa tarefa é iniciar o aluno na busca do conhecimento e colocá-lo em contato com as diferentes maneiras de internalizá-los, experimentando todo tipo de ferramenta que possam ser úteis em todas as demais fases de seu aprendizado.

Mighetto (1996) respalda nossa opinião quando evidencia que a função que desempenha um dicionário é inegável e o professor é responsável pela busca dos meios que ofereçam ao estudante maneiras de acessar a todo um sistema de regras abundante em significações, elípses e metáforas. Este autor esclarece ainda que:

[...] es fundamental que, con ayuda de él [diccionario], el profesor ejercite activamente a los estudiantes en el uso, manejo y creación de la lengua. La función que cumple el diccionario en el marco de esa visión de lengua es social, puesto que ofrece una plataforma general para toda la comunidad. (Mighetto, 1996: 65).

Diante das respostas dos professores ao nosso questionário, ressaltamos o que aconselham os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) sobre a diversificação de materiais didáticos em sala de aula. De acordo com a lei, os conteúdos devem ser trabalhados com a utilização de recursos variados para que o aluno amplie seu conhecimento. Para nós fica evidente que, dentre esses recursos, o dicionário deve ter papel de destaque, pois é uma ferramenta de grande utilidade, conforme já ressaltado neste trabalho.

 

5. Considerações finais

Pesquisar o uso de dicionário nas aulas de línguas é uma tarefa enriquecedora, pois nos coloca diante da real situação vivenciada por professores e alunos durante o processo de ensino-aprendizagem. Neste trabalho, procuramos conhecer a visão do professor diante desse material didático, pois, como já argumentamos anteriormente, trata-se de um espaço restrito no qual tivemos que optar por apenas uma linha de pesquisa.

Inicialmente, nossa proposta era de coletar dados com professores de língua materna e língua estrangeira sobre o tema em questão (uso de dicionário em aulas de línguas), entrevistar seus alunos, buscando conhecer a opinião crítica destes a respeito do assunto e ainda analisar o material disponibilizado pelas escolas. Dessa maneira, poderíamos constatar a qualidade dos dicionários ofertados aos alunos e confrontar as informações coletadas com a opinião dos autores que embasam nosso estudo.

Acreditamos ser válido, em outra oportunidade, desenvolver a parte de nossa proposta que ficou em aberto, assim poderemos ter uma visão mais ampla de como ocorre o emprego do dicionário durante o aprendizado de línguas no ensino fundamental. Não descartamos também a possibilidade de investigar outros focos e/ou fases do aprendizado.

Para que uma aula se torne agradável e produtiva, é necessário que o professor utilize recursos variados. Somos sabedores da importância do dicionário como recurso didático nas aulas de línguas. Maldonado (1998) enfatiza que este instrumento deveria ser multidisciplinar, não sendo utilizado apenas nas aulas de Línguas e Literatura, pois a linguagem é o veículo que transmite conhecimento em todas as áreas.

Diante dos resultados obtidos através dos questionários aplicados aos professores de línguas no ensino fundamental, concluímos que, embora a maioria se manifeste positivamente quanto ao uso de dicionário em sala de aula, não há uma diversificação das atividades oferecidas aos alunos. O emprego dessa ferramenta ocorre normalmente em produção e interpretação textual, vocabulário, antônimos e sinônimos. Dentre várias sugestões de emprego desse material, podemos relembrar algumas indicações de Maldonado (1998): trabalhar orografia, acentuação e pronunciação (formação de plural, parônimos), exercícios de morfologia (flexão das palavras e derivações), exercícios de sintaxe, tarefas que trabalhem o emprego de palavras em diferentes contextos, latinismos, estrangeirismos, etc.

Quanto ao uso de dicionários online, percebemos que ainda se trata de uma ferramenta pouco usada pelos docentes. Acreditamos que alguns fatores dificultam o acesso de professores e/ou alunos a esse tipo de material, talvez seja a falta de recursos tecnológicos e humanos nas escolas e o despreparo dos professores para utilizar essa alternativa didática. Embora sendo uma fonte inesgotável de informação, a internet ainda não faz parte da vida escolar de grande parte dos alunos, especialmente nas escolas públicas.

As respostas dos entrevistados sobre a definição de um dicionário de qualidade e algumas indicações de obras nos remetem às palavras de Humblé (2006) que comenta as razões para respostas imprecisas e poucas sugestões de obras. Este autor menciona que a falta de estudo sobre o tema, poucos critérios para a compra desse material, a não comparação entre exemplares e a falta de paciência para eleger a obra mais adequada para cada situação podem ser alguns motivos para afirmações pouco incisivas.

Então, como podemos definir um bom dicionário? Humblé (2008) acredita que tanto um dicionário monolíngüe como um bilíngüe tem sua utilidade e se complementam, dependendo da situação comunicativa que se encontre o estudante e evidencia:

[...] Algumas pessoas terão a sensação de conhecer uma palavra somente após conseguir traduzí-la. Para estas pessoas, um dicionário bilíngüe falará mais do que mil palavras de um dicionário monolíngüe. Outros, no entanto, preferirão a submersão na língua estrangeira para depois tirar suas próprias conclusões. (Humblé, 2008: 166)

Maldonado (1998) argumenta que entre os diferentes dicionários, todos são úteis, devendo o estudante eleger o mais condizente com sua necessidade, tirando proveito do que este lhe oferece. A referida autora alerta que uma obra, por melhor que seja, não servirá para sanar todas as dúvidas em ocasiões distintas, existindo uma grande variedade de exemplares que se adequarão a situações específicas do aprendizado.

Mighetto (1996) manifesta sua opinião a respeito de um bom dicionário evidenciando que este deve servir como um recurso ao qual, tanto professores como estudantes, possam recorrer para sanar dúvidas relativas à gramática e ao uso da língua em diferentes situações do cotidiano. O autor refere ainda que um bom dicionário deve manter-se atualizado, seguindo a evolução da língua, cumprindo uma função social.

Os professores entrevistados consideram o dicionário como uma ferramenta importante no ensino de línguas. Percebemos, porém, que este não ocupa lugar de destaque entre os materiais didáticos utilizados nas aulas de línguas. Mesmo assim, de acordo com as palavras da maioria destes docentes, o dicionário faz parte da vida escolar dos alunos do ensino fundamental.

Nosso trabalho buscou mostrar não apenas como o dicionário é utilizado em sala de aula, mas também evidenciar que, tanto no ensino tradicional como moderno, serve para esclarecer questionamentos diversos. Acreditamos que um educador motivado, ciente de seu papel na formação de seres humanos e apoiado em recursos didáticos eficazes, elevará a qualidade do ensino, transformando a educação em todos os níveis.

Esperamos que este estudo abra caminhos para outras pesquisas nesse campo, pois é uma área que, de acordo com Humblé (2008), possui pouca investigação, embora rica em problemáticas a serem tratadas. Dessa forma, poderemos estar contribuindo para melhorar a qualidade dos materiais disponibilizados aos aprendizes de línguas e, conseqüentemente, contribuindo para um ensino mais eficaz.

 

Referências bibliográficas

BODGAN, Robert C.; BIKLEN, Sari Knopp. Investigação qualitativa em educação: uma introdução à teoria e aos métodos. Porto Condex-Portugal: Porto, 1994.

FERÑÁNDEZ, Francisco Moreno. EL diccionario y la enseñanza del español como lengua extranjera - Cuadernos Cervantes. Universidad de Alcalá, 1996.

HUMBLÉ, Philippe. Melhor do que muitos pensam: Quatro dicionários bilínguies português - inglês de uso escolar. Universidade Federal de Santa Catarina.2006, 21p. Disponível em:
http//www.cadernos.ufsc.br/online/cadernos18/philippe.pdf Acessado em: 30 set. 2008.

___________. O discurso do dicionário (no prelo). Disponível em:
http://www. pget.ufsc.br/publicacoes/professores.php?titulo=O+Discurso+do+Dicion%E1rio. Acessado em: 29 set. 2008.

MALDONADO, Concepción. El uso del diccionario en el aula - Cuadernos de Lengua. Española-Arco Libros - Madrid. 1998

MIGHETTO, David. Los diccionarios y las necesidades en el aula - Cuadernos Cervantes. Universidad de Gotemburgo - Suécia, 1996.

Parâmetros Curriculares Nacionais. Disponível em: http//portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf - acessado em 30 set. 2008.

SANTANA, O. et al. Diccionarios en soportes informáticos - Cuadernos Cervantes. Universidad de Las Palmas de Gran Canaria, 1996.

 

Anexo

Questionário

1. Com qual língua você trabalha?

2. Em que séries?

3. De maneira geral, você utiliza dicionários? De língua materna ou de língua estrangeira?

4. A biblioteca da sua escola oferece bons dicionários?

5. E em sala de aula, com seus alunos, você os utiliza?

6. Em caso afirmativo, são da escola, do professor ou dos alunos?

7. Seus alunos têm e levam dicionários para sala de aula?

8. Que tipo de atividades você desenvolve em aula utilizando dicionários?

9. Quais as dificuldades encontradas durante as aulas com a utilização de dicionários?

10. Você trabalha com dicionários online? Indica para seus alunos?

11. Como você definiria um ‘bom dicionário’?

12. Se lhe pedisse para me indicar um dicionário da língua com a qual você trabalha, qual me indicaria?

13. Para você, qual a importância do dicionário nas aulas de línguas?

 

© Januza da Silva Costa y Vanessa Ribas Fialho2009

Espéculo. Revista de estudios literarios. Universidad Complutense de Madrid

El URL de este documento es http://www.ucm.es/info/especulo/numero42/dic_aula.html