Os empréstimos linguísticos em Grande Sertão: Veredas

Clarice Nadir von Borstel

Universidade Estadual do Oeste do Paraná
(Marechal Cândido Rondon, Paraná, Brasil)
cborstel@sigha.com.br


 

   
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Resumen: En 2008, Guimarães Rosa completaría 100 años. Su obra Grande Sertão: Veredas es muy prestigiosa y atrae, hechiza, encanta a todos los que trabajan con el lenguaje y la “brasilidade” representada en ella. El uso del léxico es transmitido por una expresión artística neológica única, sea por la información fonológica, morfosintáctica, sea por la expresividad semántica contenida en las metáforas que configuran el lenguaje y en los recursos estilísticos. El objetivo de este ensayo es averiguar en esta obra, como fueron utilizados por el autor, los recursos de préstamos lingüísticos.
Palabras clave:Guimarães Rosa, léxico; préstamos linguísticos; lenguaje literaria

Abstract: In 2008, Guimarães Rosa would have his 100th birthday. His book Grande Sertão: Veredas is so prestigious that it attracts, fascinates, bewitches everyone who works with the language and the “brazilianity” represented in his masterwork. The usage of the lexicon is communicated by a unique neologic artistic expression, either by the phonological, morphosyntactic information, by the semantic expressivities contained in the metaphors that configure the language and by the stylistic resources. This work’s intention is to investigate in this book how the resources of linguistic loans were used by the author.
Key words: Guimarães Rosa, lexicon; linguistic loans; literary language.

 

Introdução

Inúmeros são os estudos e as reflexões efetuadas, nacional e internacionalmente, sobre a obra literária Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. A riqueza lexical do brasileirismo utilizada pelo autor é algo inusitado - vertido à sublimidade de ser universal. Palavra que se Mostra. Linguagem que se Oculta. Palavras criadas pelo autor que se configuram no “entre-tempo e no entre-espaço social” (HOISEL, 1983, p. 478) para representar os seus personagens em sua narrativa literária.

A importância do léxico para Guimarães Rosa fica evidente quando ele dialoga com Günter Lorenz, dizendo que “ele é um escritor que cultiva a idéia antiga, porém sempre moderna, de que o som” (elementos fonéticos e prosódicos) e “o sentido de uma palavra pertencem um ao outro, estas seguem juntas”, como:

Nesta Babel espiritual de valores em que hoje vivemos, cada autor deve criar seu próprio léxico, e não lhe sobra nenhuma alternativa; do contrário, simplesmente não pode cumprir sua missão. Estes jovens tolos que declaram abertamente que não se trata mais da língua, que apenas o conteúdo tem valor, são pobres coitados dignos de pena. O melhor conteúdo de nada vale, se a língua não lhe faz justiça (LORENZ, 1983, p. 88).

A linguagem pluricultural e societal, criada através da palavra por Guimarães Rosa, realmente lhe faz justiça quando utiliza o léxico-semântico e fonológico-sintático de uma criação inusitada do falar do português brasileiro com um grau máximo de criatividade linguística, vergando a língua portuguesa a seus desejos artisticamente expressivos “o que a lógica da língua obriga a crer” (LORENZ, 1983, p. 88).

O autor, por suas obras, é considerado um nacionalista convicto, pelo inusitado acervo e pela riqueza do uso lexical fonológico, sintático e semântico na arte literária em suas obras, tem enriquecido o acervo lexical do português brasileiro, em Grande Sertão: Veredas há um cenário do sertão através de um processo de criação lexical de inovações linguística regionalista.

Esse cenário regionalista é citado por Guimarães Rosa no diálogo que teve com Lorenz, em Gênova, em 1965, quando descreve o lugar no qual nasceu “e este pequeno mundo do sertão, este mundo original e cheio de contrastes, é para mim o símbolo, diria mesmo o modelo de meu universo. Assim, o Cordisburgo germânico, fundado por alemães, é o coração do meu império suevo-latino” (LORENZ, 1983, p. 66). Em toda a entrevista-diálogo referenciou e utilizou várias expressões em língua alemã, visto que Guimarães Rosa nasceu e se criou em uma comunidade fundada por alemães no interior de Minas Gerais.

Outro fator relevante foi que Guimarães Rosa publicou sua obra em primeira edição em 1956, depois de um período de oito anos sob a ditadura do Estado Novo, de Getúlio Vargas, quando estava em curso a Campanha da Nacionalização da língua portuguesa e a proibição do uso de línguas estrangeiras no Brasil. Já o governo Dutra (1946-1951), que sucedeu ao Estado Novo, passou à história oficial como um período relativamente liberal na política brasileira, na produção literária, musical, teatral e artística. Depois destes períodos de governos, ocorreu um período de história da nacionalização sócio-política-cultural, houve fatos de brasileirismos na produção literária por seguidores de Antonio Candido, em 1957, sobre a formação da literatura brasileira (CANDIDO, 1993).

A partir destas observações, pretende-se investigar na obra Grande Sertão: Veredas se o autor fez uso de empréstimos e, ou o estrangeirismo, e como o empregou, nesta época quando Guimarães Rosa escreveu a sua obra, como foi citado, houve a proibição do uso de línguas estrangeiras no Brasil, pelo governo Vargas, já no governo de Dutra, uma maior liberdade de expressão do brasileirismo quanto à formação da “identidade cultural da literatura brasileira” pelos escritores deste período, resultando a literatura de cunho fortemente nacionalista.

Nos estudos desenvolvidos por Cavalcanti Proença (1958), citado por Coutinho (1983), sobre o uso dos neologismos utilizados por Guimarães Rosa, afirma que:

O autor não se limitou apenas a reproduzir a linguagem falada no Brasil. E à síntese já existente, acrescentou a sua própria síntese: uma estrutura sintática bastante peculiar e um léxico que inclui grande número de neologismos; vocábulos extraídos de idiomas estrangeiros ou revitalizados do antigo português; uma série de termos indígenas ou dialetais que ainda não tinham sido incorporados à sua língua de origem. (COUTINHO, 1983, p. 208).

Assim como pode ser verificado, há referências sobre o uso dos estrangeirismos nas obras de João Guimarães Rosa. Portanto, pretende-se analisar e interpretar como estes usos dos estrangeirismos e dos empréstimos linguísticos foram utilizados em Grande Sertão: Veredas.

 

Os usos linguísticos: empréstimos e estrangeirismos

O empréstimo é uma expressão utilizada entre as línguas e culturas como fenômenos de usos linguísticos e não de sistema de língua. Os Neogramáticos, no final do século XIX, já citavam o termo empréstimo quando as “exceções aparentes às ‘leis fonéticas’ poderiam explicar-se como empréstimos feitos por alguma língua que tenha parentesco, vizinhança ou a um dialeto, depois da ‘lei’ que essas exceções pareciam violar” (LYONS, 1979, p. 30, grifos do autor), como, quando se dava o contato de línguas ou variáveis dialetais.

O empréstimo, de acordo com o ponto de vista linguístico e, ou cultural, pode enriquecer as línguas ou criar polêmicas segundo o recorte sincrônico dado por um estudioso. O empréstimo pode assumir aspectos linguísticos (formas lexicais, fonológicas, morfossintáticas e semânticas), sociolinguísticos, pragmáticos, culturais, sincrônicos e diacrônicos em uma dada língua.

O empréstimo linguístico pode ocorrer em todas as línguas, quando estas tomam emprestados itens lexicais de outras línguas introduzidas às regras gramaticais de uma língua nacional. Na Europa, certas línguas têm tido uma tendência de tomar emprestados itens lexicais de outras línguas, a exemplo da língua alemã que, através de séculos, incorporou um grande número de palavras do latim, italiano, francês e, recentemente, do inglês.

Termos emprestados podem ser adaptados um ao outro, apenas, foneticamente, como por exemplo: no francês é étoile ou no espanhol estrés, ou adapta-se a fonologia, a morfossintaxe e a semântica, como no caso a formação do alemão de gestylt, ou o plural de líderes. Um empréstimo pode ser feito ao copiar a pronúncia nativa (a língua de origem), como a palavra computer, pronunciada em alemão, mais ou menos da mesma maneira como em inglês, mesmo que a sequência fonética, [pj] seja rara na língua alemã.

Se um empréstimo se adapta ou não, depende de inúmeros fatores, como a frequência de uso, a rapidez do empréstimo ao incorporar o léxico geral da palavra nativa, facilmente integrada à fonologia, ao léxico e à gramática da língua receptora. Termos como empréstimos em uma língua são muito frequentes, e, estes estão refletidos em vários números de listas, dicionários, artigos e dicionários específicos de uma determinada área de estudo e em obras literárias.

As palavras emprestadas podem ser designadas à langue, segundo Mackey (1968) e Grosjean (1982) como, também, os elementos lexicais emprestados de uma língua para outra, quando são usados por indivíduos monolíngues, que os distinguem de exemplos, quando o bilíngue empresta termos, espontaneamente, e adapta a sua morfossintaxe de “empréstimo da fala”. Mais tarde, o empréstimo utilizado entra para o domínio da fala, podendo, diferentemente da interferência lexical, tornar-se um traço permanente da “língua anfitriã”, cristalizando-se como um empréstimo linguístico na língua receptora.

O termo empréstimo traz, ainda, várias conceituações e interpretações e, muitas vezes, há criações de novos termos, mas esses não são os resultados, nem de interferência nem de empréstimo, podendo ocorrer mistura de língua.

O empréstimo cria um tipo de mudança linguística, inteiramente diverso, do que resulta da evolução. São os empréstimos lexicais não integrados na língua nacional, revelando-se estrangeiros nos fonemas, na flexão e até na grafia, ou os vocábulos nacionais empregados com a significação dos vocábulos estrangeiros de forma semelhante.

No português brasileiro, os estrangeirismos mais freqüentes são, hoje, galicismos e anglicismos. O léxico estrangeiro, quando necessário, tende a adaptar-se à fonologia e à sintaxe e à semântica da língua nacional, o que para a nossa língua vem a ser o aportuguesamento com traços lexicais emprestados, normalmente é pela tradução de elementos lexicais que ocorre o estrangeirismo em uma dada língua.

Ao se referenciar estudos do léxico do português brasileiro, este se singulariza pelos interesses em questões que se concentram, sobretudo, em informações de representação lexical de preferência sob uma conexão semântica. Partindo da concepção do conhecimento que se dá ao Léxico, Basílio, cita que estudos investigados sobre a morfologia tratam na maioria das vezes que “[...] o interesse mais consistente da Morfologia no Brasil não se relaciona à sintaxe e à gramática, mas à Semântica lexical e à Lexicologia” (BASÍLIO, 1999, p. 57).

Quando se pretende identificar termos linguísticos em forma de empréstimos, estes se constroem pelo léxico com as informações fonológicas, sintáticas e semânticas em uma dada enunciação, este nomear em narrativas pode ser percebido pelo léxico como um “repositório de todas as propriedades (idiossincráticas) de itens lexicais individuais. Estas propriedades incluem a representação da forma fonológica de cada item, a especificação de sua categoria sintática e suas categorias semânticas” (CHOMSKI e LASNIK, 1995, p. 427). Estas propriedades idiossincráticas com informações enunciativas de traços lexicais podem ocorrer em duas línguas como um processo de hibridização linguística, observadas e interpretadas em uma significação discursiva, tanto na interlocução de um enunciado partilhado por dois falantes, como também em situações de narrativização enunciativas em obras literárias.

A língua nacional tem recebido termos emprestados de línguas como resultado das relações políticas, culturais e comerciais com outros países. Há uma verdadeira riqueza lexical em relação às línguas estrangeiras, ao uso prosódico e às mudanças fonéticas latentes na deriva secular do português brasileiro, desde a vinda dos portugueses, dos africanos e de todas as outras imigrações que no Brasil se enraizaram, apresentam uma riqueza lexical de empréstimos estrangeiros em geral e ao inglês em particular, no momento principalmente na linguagem da informática. Na área técnica, o inglês tem fornecido uma vasta nomenclatura, demonstrando que o processo de mudança linguística está intimamente relacionado com a história sócio-política-cultural de um povo.

A entrada de elementos estrangeiros em uma língua não é fruto, apenas, das relações mencionadas, trata-se antes de um fenômeno sociolinguístico e pragmático ligado ao prestígio de que goza uma língua ou o povo que a fala. Desta forma, os povos que dependem econômica, culturalmente e de imigrações, não podendo deixar de adotar, com as denominações e ideias importadas, à nomenclatura correspondente.

Segundo Aubert (2003), mesmo em pesquisas empíricas ocorre a complexidade do empréstimo, estes se mostram menos simples e transparentes do que se poderia imaginar. Aubert (2003) cita os antropônimos em particular, mas os topônimos também resultam em múltiplas variantes de traços de línguas estrangeiras.

Os empréstimos linguísticos podem ocorrer em uma dada língua, quando forem utilizados traços fonológicos (segmentos consonantais, vocálicos e recursos prosódicos), morfossintáticos e semânticos com elementos linguísticos de vocábulos estrangeiros e termos dialetais da língua nacional. Essa hibridização linguística de informações lexicais, semântico-pragmático de traços fônicos e prosódicos enriquece o dialogismo, caracterizado pela enunciação dada pelo escritor-narrador em situações enunciativas de pessoas reais no tempo e no espaço de dado personagem na obra.

Quando se referencia o termo hibridização, reporta-se aos estudos de Bakhtin, quando da utilização de dois códigos linguísticos há “uma hibridização involuntária e inconsciente [...] uma modalidade mais importante da existência histórica e das transformações das linguagens” (2002, p. 156).

De fato, estes traços de língua estrangeira hibridizado com o português, podem ser observados nos enunciados empíricos em Grande Sertão: Veredas sobre o uso dos antropônimos, quando do sobrenome do personagem alemão: “E como é mesmo que o senhor frasêia? Wusp? É. Seo Emílio Wuspes... Wúpsis... Vupses.” (ROSA, 1980, p. 57).

Em obras literárias o uso de empréstimos pode se desdobrar em diversas opções formais, estilísticas e pragmáticas. Este recurso de uso linguístico necessita de outros elementos de apoio inseridos na urdidura da narrativa, mostrando uma opção deliberada do autor em utilizar determinados termos estrangeiros para simbolizar e descrever o personagem, reforçando características próprias do mesmo, através de descrições físicas e psicológicas retratadas de forma discursiva e narrativa na obra.

 

Os traços de línguas estrangeiras em Grande Sertão: Veredas

Os processos de neologismos na linguagem literária estão sempre ligados a uma situação específica de enunciação a um contexto societal e cultural específico. Pautando-se sobre estudos de Barbosa, sobre neologia na literatura, quando trata que

o discurso literário, diferentemente dos demais universos de discurso, não tem caracterizadores gerais de processos neológicos preferenciais, enquanto norma discursiva. Cada ato de enunciação, de que resulta um texto, elege, no aqui e agora, um ou mais desses processos. Efetivamente, dentro de uma mesma obra literária, podem co-ocorrer segmentos de vários outros universos de discurso, ainda que modificados. (BARBOSA, 1998, p. 47).

Assim, a polissemia e a pluri-isotopia utilizada e criada por Guimarães Rosa em suas obras, no estudo deste artigo, em específico na obra Grande Sertão: Veredas, vem a ser uma marca única e universal na literatura brasileira. O autor utiliza processos neológicos únicos e preferenciais em cada ato de enunciação do léxico no uso da linguagem literária trabalhada e criada artisticamente por ele.

Para obter uma melhor compreensão destes fenômenos de uso de línguas em uma efetiva amplitude das expressões linguísticas dadas por Guimarães Rosa, na obra, porém, faz-se necessário empreender uma investigação baseada em corpus real. Com este objetivo em vista, faz-se um levantamento de todas as recorrências de empréstimos lingüísticos utilizados pelo autor na obra da 14ª edição, de 1980, para cada expressão culturalmente marcada em sua narrativa de forma espacial e atemporal.

A língua de uma nação é retratada na história política, social e cultural de um povo, como o é o português brasileiro em determinadas comunidades e regiões do país. Já para Guimarães Rosa, nas colocações de Oliveira,

A palavra perdeu a sua característica de termo, entidade de contorno unívoco, para converter-se em plurissigno, realidade multi-significativa. De objeto de uma só camada semântica, transformou-se em núcleo irradiador de policonotações. A língua roseana deixou de ser unidimensional. Converte-se em idioma no qual os objetos flutuam, numa atmosfera em que o significado de cada coisa está em contínua mutação. É ver, por exemplo, as numerosas cargas semânticas com as quais se apresenta a palavra sertão - realidade geográfica, realidade social, realidade política, dimensão folclórica, dimensão psicológica conectada com o subconsciente humano, dimensão metafísica apontando para as surpreendentes virtualidades demoníacas da alma humana, dimensão ontológica referida à solidão existencial - infinitas possibilidades significativas. (OLIVEIRA, 1983, p. 180).

Também, Josef, trata sobre a linguagem regional de Guimarães Rosa,

O sertão roseano é um sertão enfaticamente significante, mas nunca completamente significado, num processo dinâmico que não nos fornece um sentido acabado. É um sertão, polivalente, ambíguo, um sertão construído na linguagem. O resultado é a reinvenção do coloquial. Sendo assim, Rosa usará a linguagem em todo o seu dinamismo, para expressar da melhor maneira o seu mundo, criando suas próprias leis gramaticais. Assombra pela ‘pluralidade de recursos expressivos chamados a atuar a um só tempo, em níveis que abrangem desde a infra-estrutura sonora, a morfologia verbal, a polifonia fraseológica, a dinâmica sintática, as translações imagéticas’ (MARQUES, 1957, apud JOSEF,1983, p. 195).

De acordo com Josef, a linguagem regional de Guimarães Rosa, “vai desde a transcrição fonética até a captação de sua sintaxe particular, nos modismos e em tudo que lhe é próprio, elevando a linguagem a uma categoria artística” (JOSEF, 1983, p. 195).

Na leitura, sobre o diálogo de Guimarães Rosa com Lorenz, observou-se que o autor caracterizava e apresentava a semiotização onomástica com muita paixão e sabedoria, quando descreve a origem de seu sobrenome,

[...] uma parte de minha família é, pelo sobrenome, de origem portuguesa, mas na realidade é um sobrenome sueco que na época das migrações era Guimaranes, nome que também designava a capital de um estado suevo na Lusitânia. Portanto, pela minha origem, estou voltado. (LORENZ, 1983, p. 65-66).

Portanto, verifica-se a importância que é dada à etimologia onomástica por Guimarães Rosa, quando explica de onde e como se originou o seu próprio sobrenome “Guimarães”.

Neste sentido, apresentam-se a análise e reflexão sobre os traços lexicais de línguas estrangeiras na semiotização de sobrenomes em Grande Sertão: Veredas, explicitando as propriedades de itens e expressões lexicais em situações enunciativas da onomástica nas narrativas, quando Guimarães Rosa descreve e caracteriza o personagem alemão, a partir do sobrenome:

Pois ia me esquecendo: o Vupes! Não digo o que digo, se o do Vupes não orço - que teve, tãomente. Esse um era estranja, alemão, o senhor sabe: clareado, constituído forte, com olhos azuis, esporte de alto, leandrado, rosalgar - indivíduo, mesmo”. (ROSA, 1980, p. 56).

Neste enunciado narrativo, o autor utiliza o sobrenome do personagem em forma de traços de empréstimo linguístico, usando o elemento lexical “Vupes” através de informações de forma fonológica, morfossintática e semântica, já na produção gráfica deste termo nesta edição do livro não marca este item lexical em itálico.

Ou ainda, como já foi referenciado na exemplificação do uso de antropônimos, na situação narrativa deste mesmo personagem que vendia ferramentas agrícolas no sertão: “E como é mesmo que o senhor frasêia? Wusp? É. Seo Emílio Wuspes... Wúpsis... Vupses.” (ROSA, 1980, p. 57).

Ainda, em outro fragmento de enunciação:

Mas estava lá o Vupes, Alemão Vupes, que eu disse - seo Emílio Wusp, que o senhor diz. Das vezes que viera a passar pelo Curralinho, ele já era meu conhecido. Tresdobrado homem. Sendo que entendia tudo de manejar com armas, mas viajava sem cano nenhum; dizia: - Níquites! Desarmado eu completo,... (ROSA, 1980, p. 97).

Neste enunciado, Guimarães Rosa utiliza na narração as duas formas do empréstimo linguístico, a hibridização do nome próprio com traços da língua alemã e do português: “Vupes” e Wusp, neste último, marcando graficamente o sobrenome de origem em itálico.

Há outro momento da situação narrativa quando o narrador utiliza o sobrenome “Wusp” utilizando duas formas prosódicas,

[...] Rosa’uarda, a mocinha Miosótis, meu mestre Lucas, dona Dindinha, o comerciante Wababa, o Vupes - Vúsps... Todos, o meu padrinho Selorio Mendes. Todos, que em minha lembraças eu carecia de muitas horas para repassar”. (ROSA, 1980, p. 298).

Guimarães Rosa, ao finalizar a narrativização de Grande Sertão: Veredas, volta a referir-se ao personagem “Vupes”, na última página do romance. Isto pode ser observado na situação narrativa quando Diadorim faz a travessia, como pode se ver na enunciação-narrativa. “O senhor vai ver pessoas de tal rareza, como perto de todo-o-mundo pára sossegado, e sorridente, bondoso... Até com o Vupes lá topei” (ROSA, 1980, p. 460).

Na situação semântica enunciativa da narrativa o autor trabalha as palavras em um processo de hibridização linguística fônica-semântica para caracterizar o personagem a partir da semiotização personativa do sobrenome.

Portanto, reforça-se a análise dada por Campos sobre a origem etimológica de sobrenomes,

O processo de metamorfose etimológica, posto em prática pelo escritor em muitas oportunidades, é enfatizado, textualmente, quando Riobaldo se refere ao nome do ‘alemão Vupes’: E como é mesmo que o senhor fraseia? Wusp? É. Seo Emílio Wuspes... Wúpsis... Vupses. Pois esse Vupes [...]. (GSV, p. 69 por CAMPOS, 1983, p. 341).

O uso onomástico sobre a origem etimológica de sobrenomes, estes, caracterizam o personagem, reforçando a descrição física e psicológica da pessoa na enunciação narrativa da obra.

Têm-se outros sobrenomes estrangeiros, em Grande Sertão: Veredas,

Aí, namorei falso, asnaz, ah essas meninas por nomes de flores. A não ser a Rosa‘uarda - moça feita, mais velha do que eu, filha de negociante forte, seo Assis Wababa, dono da venda. O Primeiro Barateiro da Primavera de São José - ele era estranja, turca, eles todos turcos, armazém grande, casa grande, seo Assis Wababa de tudo comerciava. (ROSA, 1980, p. 89).

O sobrenome de origem estrangeira “Wababa” utilizado por Guimarães Rosa, quando narra que é de origem turca.

Nas análises e reflexões de Dias, quando este diz que a origem etimológica do sobrenome como os apelidos são importantes na descrição narrativa de uma obra literária, para ter conhecimento da procedência e da ascendência étnica das pessoas,

A origem do nome é importante na descrição narrativa. Os apelidos também se baseiam, em muitos casos, na procedência das pessoas (p. 396). Também estrangeiros, havia pelo sertão: seu Sawaba, em cuja casa Riobaldo conhece estranhas comidas sírias; o alemão Vupes, seu amigo desconfiado, que se embrenhara pelo interior, vendendo instrumentos agrícolas, os dois padres missionários que desmascaram a viúva assassina, no estranho episódio ocorrido em Jequitá e narrado por João Bexiguento. (GSV p.220 e segs. por DIAS, 1983, p. 402).

Guimarães Rosa, também utiliza em Grande Sertão: Veredas o sobrenome “Curi”, utilizado no processo narrativo da obra, este é de origem da ascendência étnica de países árabes,

Em casa de seo Assis Wababa, me deram trato regozijante. No que jantei, ri, conversei. Só a praga duma surpresa me declararam: a de que a Rosa’uarda agora estava noiva, para se casar com um Salino Cúri, outro turco negociante, nos derradeiros meses lá vindo. (ROSA, 1980, p. 97).

Nesta obra literária, para caracterizar e descrever os personagens o autor utilizou-se de outros sobrenomes de ascendências estrangeiras, como no caso de países árabes: o personagem Siruiz o contador de versos, canções e histórias. De ascendência portuguesa têm-se os seguintes sobrenomes: Pereira, Mendes, Félix, Medeiro Vaz, Alves, da Silva, Lemes, de Lima; um sobrenome de origem francesa Bettancourt e Marins de ascendência do espanhol quando cita o personagem: Maria Deodorina da Fé Bettancourt Marins.

No percurso enunciativo de descrição narrativa quando da identificação do personagem, que estabelece o sentido semiótico de cada referência de sobrenome dada e criada por Guimarães Rosa, há uma relação muito particular entre o nome etimológico dado pelo narrador e a semiotização a que se chega à personagem enunciada. O sobrenome só tem sentido na obra, a partir de uma história de enunciações e de descrições físicas e psicológicas do próprio personagem.

Reforçam-se, as colocações de Charaudeau (1996), que em todo texto é possível levantar, destacar e interpretar as inferências dadas e referenciadas em dada obra, aqui no caso sobrenomes com traços de língua estrangeira, que se dá a partir de inferências situacionais, contextuais e intertextuais que é constituído de um certo saber de experiências partilhadas pelo escritor-narrador nos fatos enunciados no processo de narrativização.

Além da semiotização de sobrenomes, outros traços lexicais estrangeiros foram utilizados na obra. Os críticos literários e os estudiosos que analisaram Grande Sertão: Veredas mostraram a força e a riqueza do uso de expressões linguísticas de negação que Guimarães Rosa apresenta na obra. Isso, também, se deu quando usou empréstimos linguísticos hibridizados com o falar alemão e o português: “Níquites”, este elemento lexical apresenta informações semânticas que quer dizer nada, coisa nenhuma, que não usa nada, está desarmado por completo. Esta mesma expressão é utilizada no enunciado do narrador: “Seo, Vupes, o senhor não quererá me ajustar, em seu serviço? Minha bestice. “Níquites!” - conforme que o Vupes constante exclamava.” (ROSA, 1980, p. 98). O empréstimo linguístico “Níquites” está incorporado a traços fonológicos, morfossintáticos e semânticos do português e na língua alemã no advérbio de negação nichts.

Sobre o uso semântico do advérbio de negação, Coutinho, reforça os recursos prosódicos de aliteração, dado por Guimarães Rosa,

[...] a relação entre a aliteração do fonema [n] e o significado do texto só pode ser percebida após o leitor apreender o sentido do eixo semântico de negatividade que constitui uma das linhas mestras da estrutura narrativa do romance... está relacionada com um dos significados básicos de toda a narrativa. (COUTINHO, 1983, p. 222).

Como pode se observar no enunciado a seguir:

Num nu, nisto, nesse repente, desinterno de mim um nego forte se saltou. Não. Diadorim, não. Nunca que eu podia consentir. Nanje pelo tanto que eu dele era louco amigo... por mesmo isso nimpes nada, era que eu podia aceitar aquela transformação: negócio de para sempre receber mando dele... nhem, hem? Nulo que eu ia estuchar. Não, hem, clamei. (ROSA, 1980, p. 79.).

Guimarães Rosa, também, faz uso da expressão de empréstimo lingüístico “nimpes”, este provém do advérbio de negação nie (nunca) da língua alemã. O autor criou vários neologismos de negação para reforçar os traços fonéticos e prosódicos para dar uma forma estilística que cristaliza a negação no enunciado e na obra.

Para Dias, o termo empregado por Guimarães Rosa “nimpes” vem a ser um recurso sonoro caracterizando a reiteração de negação (1983, p. 396). Neste sentido, quanto ao seu aspecto externo da linguagem verbal, através deste termo lexical mostra o semântico (a representação do significado) e o pragmático (a representação interpretativa) do termo “nimpes” utilizado pelo escritor-narrador, para reforçar de várias maneiras a informação lexical de uma hibridização do falar alemão-português, reiterando com este elemento lexical de negação.

Em outra situação narrativa, utiliza-se de mais um termo da língua alemã: “Zé Bebelo apontou nos cachos dele a máuser: estampido que espatifa - as miolagens foram se grudar longe e perto” (ROSA, 1980, p. 61). Nesta enunciação usa o empréstimo “máuser”, recurso estilístico, a marca de um tipo de fuzil usado pelo exército alemão (1879-1945), etimologicamente tem origem em Paul Mauser (1838-1914), armeiro alemão, inventor deste tipo de espingarda (HOUAISS; VILLAR, 2001, p. 1872).

Tem-se, ainda, a enunciação na narração, em Grande Sertão: Veredas: “Agora, sou anta empoçada, ninguém me caça. Da vida pouco me resta - só o deo-gratias; e o troco. Bobéia.” (ROSA, 1980, p. 77). O autor faz uso de uma locução interjeitiva “deo-gratias” do latim Deo gratias, expressão de alívio em uma situação de aborrecimento ‘dar graças a Deus’, com fortes características discursivas, as interjeições e, ou locuções interjeitivas criam um sentido de naturalidade e espontaneidade, nas situações enunciativas dos personagens na comunicação verbal, caracterizando o dialogismo, através de enunciados com traços fônicos e a expressão semântico-pragmática utilizada.

Em obras literárias o empréstimo linguístico é um recurso de uso de línguas muito utilizado. Sabe-se que Guimarães Rosa dominava várias línguas estrangeiras, mesmo assim, uma obra literária com 460 páginas como o é desta 14ª edição, poucos foram os empréstimos linguísticos utilizados no romance Grande Sertão: Veredas.

 

CONCLUSÕES

Os dados investigados e as reflexões (re)tecidas no que precede sobre os empréstimos linguísticos utilizados por Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas, da criatividade na palavra que enriquece a enunciação do escritor-narrador sob o aspecto histórico, social e cultural, de uma dimensão linguística sobre o uso lexical de itens emprestados que é narrado por uma expressão artística sem igual, dadas pelas informações fonológicas, sintáticas, pela expressividade semântica de forma enunciativa, pela discursividade pragmática contida nos recursos estilísticos, configurados na linguagem para descrever e simbolizar os personagens na obra através dos empréstimos linguísticos como o uso do antropônimo da língua alemã Wusp, empregando recursos expressivos de empréstimos através de elementos substantivos com traços linguísticos da língua alemã e do português brasileiro na forma de recursos prosódicos de informações fonológicas, morfológicas e semânticas nos itens lexicais: “Vupes, Wuspes, Wúpsis e Vupses”. Os sobrenomes de origem dos países árabes: “Wababa” e “Curi”, entre outros sobrenomes enunciados e descritos.

O autor utiliza-se, também, de uma expressão nominativa de locução de interjeição do latim: Deo gratias.

Assim como as expressões de advérbio de negação de uma hibridização da língua alemã com a portuguesa: “Níquites” e “nimpes”, como também foi utilizado o recurso estilístico do substantivo “máuser”.

De todo modo, reforçando o que já foi dito, observou-se que foram poucos os empréstimos linguísticos utilizados por Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas. A polissemia e a pluri-isotopia criada pelo autor é uma marca única e universal na obra literária brasileira, utilizando como processos neológicos preferenciais em cada ato de enunciação do léxico na linguagem literária.

Desta forma, é impossível não utilizar destes recursos pragmático-estilísticos de processos neológicos de empréstimos, mesmo com uma forte Campanha de Nacionalização da língua, literatura, música, teatro e artes, pela política brasileira da época. Também, os dados biográficos de Guimarães Rosa, reforçam o conhecimento que tinha sobre a língua e a cultura alemã. O autor foi Cônsul-adjunto em Hamburgo, na Alemanha, durante o período de 1938-1942, e, pode ser observado a partir das referências dadas, do conhecimento do domínio normativo e das variações dialetais da língua alemã e de várias outras línguas, conforme foi citado na entrevista-diálogo que Guimarães Rosa teve com Günter Lorenz, quando diz que

Escrevo, e creio que este é o meu aparelho de controle: o idioma português, tal como o usamos no Brasil; entretanto, no fundo, enquanto vou escrevendo, eu traduzo, extraio de muitos outros idiomas. Disso resultam meus livros, escritos em um idioma próprio, meu, e pode-se deduzir daí que não me submeto à tirania da gramática e dos dicionários dos outros. (LORENZ, 1983, p. 70).

Ainda, na fala de Guimarães Rosa no diálogo com Lorenz “como autor do século XX, devo me ocupar do idioma formado sob a influência das ciências modernas e que representa uma espécie de dialeto” (LORENZ, 1983, p. 82).

Segundo o exposto nesta discussão, reitera-se que esta obra redimensiona o papel da história e da memória no tempo e no espaço sócio-geográfico-político e cultural do escritor-narrador na enunciação da narrativa, e, sobretudo, inserindo a sua própria história de experiência de vida no contexto de sua criação literária.

Portanto, usar de elementos lexicais estrangeiros não significa que não seja uma cultura nacional e sim os fatos históricos de linguagem e cultura de imbricação do país no plano mundial.

 

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Clarice Nadir von Borstel. Professora do Curso de Graduação e do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Letras da Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste campus de Marechal Cândido Rondon, Paraná. Doutora em Linguística pela UFRJ e Pós-Doutorado em Linguística Aplicada pela Unicamp.

 

© Clarice Nadir von Borstel 2009

Espéculo. Revista de estudios literarios. Universidad Complutense de Madrid

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