O discurso da adicção e o grupo de apoio a familiares de viciados em drogas

Luciane Thomé Schröder

Universidade Estadual do Oeste do Paraná
ltschroder@brturbo.com.br


 

   
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Resumen: Este estudo tem como objetivo analisar um fragmento do texto “Sobre Adicção” retirado de um livreto do grupo de apoio a familiares de dependentes químicos. Busca-se mostrar que o objeto analisado revela, dentre outros coisas, que, sob uma prática discursiva que se diz voltada ao familiar do adicto, existe uma outra. O que se pode verificar é a existência de um discurso de auto-preservação que busca, por meio da manutenção de uma auto-imagem positiva, a própria justificação como um grupo de apoio. A partir da análise, pode-se afirmar que o seu rumo norte se pauta numa prática discursiva demagógica que se orienta em função do interdiscurso que a atravessa e que revela, por meio da relação polêmica que a constitui, efeitos de sentido que superam a sua materialidade lingüística e obrigam a considerar as condições de produção para a revelação da prática discursiva que, em silêncio, a atravessa e a sustenta.
Palabras clave: discurso, memória, auto-ajuda, auto-imagem, adicção

Abstract: This study has the objective of analyzing a part of the text “Sobre Adição” removed from a booklet of the support group to the chemical dependents families. It is intended to show that the analyzed object reveals, among others issues, that even disclosing a discursive practice which claim it self as regarded to the addicted family, there is another discourse. What can be observed is the existence of a self-preservation speech which searchs, by the maintenance of a positive self-image, the proper justification as a support group. Based on the analysis, it can be affirmed that the “north “ is based in a demoagogical discursive practice that guide itself toward the interdiscurse function that it trespasses and discloses, by the controversial relation that constitutes it, sense effect that surpass its linguistic materiality and compel to consider the conditions of production for the discrusive practice revelation that, in silence, crosses it and supports it.
Key-words: discourse, memory, self preservation, self image, adiction

 

Introdução

O discurso selecionado faz parte do corpus da tese em desenvolvimento, cujo objetivo é analisar alguns textos publicados pelo grupo de apoio a familiares de dependentes químicos: o Nar-Anon. A entidade tem por objetivo, por meio do seu programa de recuperação, propiciar conforto espiritual aos familiares que convivem com o viciado em droga. Para o grupo, esse familiar é co-dependente da droga, que necessita, tanto quanto o drogado, de ajuda para se restabelecer dos danos emocionais que o convívio com o usuário provoca. O programa do Nar-Anon é oriundo dos Alcoólicos Anônimos (A.A.), sendo organizado em torno dos princípios que regem os 12 Passo de Alcoólicos Anônimos e as 12 Tradições [2]. Deve-se lembrar que o discurso em análise e o espaço enunciativo em que ele ocorre tomado como ponto de referência é o do Grupo Familiar Nar-Anon. Entretanto, é sabido que o Nar-Anon, assim como os grupos do N.A. (Narcóticos Anônimos) e do Al-Anon (Grupo de apoio a Familiares Dependentes do Álcool), apropriaram-se do discurso do A.A. Por essa razão, no decorrer do estudo, serão feitas referências à base de fundação sócio-histórica do discurso, ou seja, às suas condições de produção, no caso, ao discurso de fundação dos Alcoólicos Anônimos.

Dentre os temas tratados pela literatura do grupo Nar-Anon, selecionou-se o da adicção que diz respeito à compreensão por parte dos membros do Nar-Anon de que o abuso de qualquer substância entorpecente (seja ela o álcool ou a droga) se caracteriza por uma forma de obsessão, uma doença sobre a qual o viciado da droga não tem possibilidade de controle, entendendo-se, assim, que aquele que faz uso da droga não o faz porque o deseja, mas é levado forçosamente a consumi-la em decorrência da sua doença. Dessa forma, para as agências de saúde, o comportamento do viciado que coloca em risco a própria vida ao fazer uso da droga caracteriza-se, reconhecidamente, como uma doença que requer tratamento [3].

Por se tratar de uma doença definida como uma forma de compulsão auto-destrutiva, infere-se, pelo menos, duas justificativas para que, nos textos do grupo, faça-se a opção pelo uso do termo “adicto”, no lugar de outras denominações que podem levar a associações entre o sujeito usuário (viciado, portanto, “doente”) e práticas ligadas à marginalidade. Se uma ação leva a outra, não cabe a este estudo julgar. O comentário é feito, porque, no discurso da adicção, fatores de ordem social e moral são partes temáticas constitutivas do discurso. Outra justificativa para o uso de ‘adicto’, deve-se ao fato de que ao termo se agrega um valor médico-científico, diferentemente do que ocorre com ‘viciado’ ou ‘drogado’, embora se tenha observado a ocorrência do termo ‘viciado’ e ‘drogado’ nos textos do grupo, porém numa escala bem menor.

A escolha para análise do conteúdo sobre a adicção, que diz respeito à aceitação por parte dos familiares de que eles estão envolvidos emocionalmente com um indivíduo doente, deve-se à hipótese que vem conduzindo a construção da tese, ou seja, de que o discurso do Nar-Anon, o qual deseja proporcionar ajuda espiritual e emocional à família do drogado, concomitantemente, provoca, ainda que não o deseje, outras práticas, as quais se entendem demagógicas.

A partir da temática em análise, chama-se a atenção para o fato de o discurso sobre a auto-preservação que se constitui em torno do familiar, verificado em argumentos que conduzem a ações de auto-justificação, são conseqüências de uma forma de agir com o drogado que mascara atitudes egocêntricas, sobretudo, quando a família é levada a se confortar com o discurso da impotência, o que provoca, neste momento, um questionamento: “Afinal, quem se beneficia do discurso sobre a adicção?”. Uma das hipóteses a ser confirmada pela análise do discurso “Sobre Adicção” é de que ele serve, primeiramente, aos propósitos do próprio Nar-Anon, que o usaria a fim de provocar a adesão dos seus membros para justificar sua existência e, assim, preservar-se frente ao não sucesso do seu programa de recuperação.

O discurso tomado para análise mostra que o mesmo falha no sentido literal do termo. Ainda que ele busque se constituir como estando a serviço dos familiares e como esclarecedor por ser uma instância autorizada, capaz de conduzir pais aflitos a um novo modo de viver, “sugere” ao membro um comportamento que se entende como problemático, ou seja, de que ele leve a uma postura de não-enfrentamento do problema, expondo, assim, seu apoio àquilo que talvez Nar-Anon silencie (ainda que inconscientemente): de que a questão do vício é um quadro de complexidades que superam ações generosas, bondosas, amorosas: causa “perdida” e que ao familiar, o melhor a fazer é “cuidar da própria vida”. Contudo, este é um discurso impossível de ser proferido, seja em que circunstância for, sob o risco de uma séria acusação de que se esteja propagando um discurso que fere com os princípios da família (espaço incondicional de manifestação do amor ao outro). Porém, ainda que não seja dito, esse discurso de causa perdida (no mínimo, de árdua solução) se faz presente: nas justificativas, nas afirmações, nas denegações, na voz do Outro a quem o discurso do Nar-Anon responde sem que o deseje (conscientemente).

As reflexões introdutórias apresentadas até o momento se constituem em ponto de partida para a análise que tomará como fundamentação teórica a Análise de Discurso de orientação francesa, alicerçada, neste momento, principalmente, nos estudos de Maingueneau (1997; 2005; 2008).

 

Fundamentação Teórica

A primeira defesa a ser explicitada diz respeito ao modo como o discurso em estudo é compreendido: trata-se de um discurso polêmico, no sentido de que “a polêmica é necessária porque, sem essa relação com o Outro, sem essa falta que torna possível sua própria completude, a identidade do discurso correria o risco de desfazer-se”, conforme afirma Maingueneau (2005, p. 118). O “Outro”, na perspectiva teórica da Análise de Discurso, diz respeito às vozes sócio-ideológicas constitutivas do discurso, que se situam “onde se pode captar que se fala do sujeito, que se fala ao sujeito, antes de que o sujeito possa dizer: ‘Eu falo’” (PÊCHEUX, 1997, p. 154). Elas estão presentes no discurso, ainda que não explicitadas. Maingueneau explica que se tratam de outros discursos, mas intrínsecos e imprescindíveis à organização do “novo” discurso. Pode-se, ainda, compreender o “Outro” a partir do viés psicanalítico lacaniano, que afirma se tratar de uma entidade cuja presença vem pelo inconsciente que se manifesta no discurso enunciado, como as vozes da família, da religião, das leis e da cultura a que o discurso pertence (MUSSALIM, 2001).

Entende-se, assim, que a formulação de um discurso, seja ele qual for, implicará sempre numa resposta a uma instituição, a uma ideologia, a uma prática cultural que coexiste ao enunciado dito, sem que seu locutor saiba disso, ou seja, sem que ele tenha total consciência do processo constitutivo daquilo que diz. Esse entendimento da constitutividade do discurso está fundamentado no conceito de interdiscurso.

O interdiscurso consiste em um processo de reconfiguração incessante no qual uma formação discursiva é levada (...) a incorporar elementos pré-construídos, produzidos fora dela, com eles provocando sua redefinição e redirecionamento, suscitando, igualmente, o chamamento de seus próprios elementos para organizar sua repetição, mas também provocando, eventualmente, o apagamento, o esquecimento ou mesmo a denegação de determinados elementos (MAINGUENEAU, 1997, p 113).

Tendo o exposto como norte de reflexão, entende-se que a polêmica é constitutiva dos discursos, ou seja, ela faz parte da existência do enunciado; sem sua presença, o discurso perderia sua eficácia. A polêmica, como explicada, não deriva apenas da verificação sobre a existência, num mesmo discurso, de duas formações discursivas em estado de oposição, mas “ela introduz o Outro em seu recinto para melhor conjurar sua ameaça, mas esse Outro só entra anulado enquanto tal, simulacro” (op. cit., p. 113), ou ainda: ela “é a convergência que prevalece sobre a divergência, já que o desacordo supõe uma acordo sobre um ‘conjunto ideológico comum’, sobre as leis do campo discursivo partilhado” (op. cit. p. 115). É nesse sentido que o conceito de polêmica vem ao encontro do discurso em análise: o discurso “Sobre Adicção” é uma manifestação que responde às vozes sócio-ideológicas que entram em controvérsia com a perspectiva assumida pelo Nar-Anon e os membros do grupo, a partir de estratégias que se referem ao

modo pelo qual o enunciador legitima o lugar de onde fala [o Grupo Familiar Nar-Anon é o porta voz dos familiares], ao modo pelo qual atinge seu adversário [no caso, a sociedade que culpa o pai pelo filho ser um viciado em droga], ao modo pela qual legitima a própria relação polêmica [ou seja, a prática discursiva do Nar-Anon abriga o discurso da não-culpabilidade vs. seu contrário] (CHARAUDEAU e MAINGUENEAU, 2004, p. 380).

Ao discorrer sobre a adicção, o Nar-Anon o faz de um certo modo em decorrência do espaço enunciativo que ocupa. A entidade torna o discurso sobre a adicção uma “interpretação” dos membros do grupo sobre o problema daquele que usa droga. A leitura interpretativa do vício oferecida pelo grupo como uma questão de saúde permite a ele, por meio do discurso assumido como seu, falar aos seus membros exatamente o que eles desejam ouvir (ou precisam ouvir). Ao pertencer ao campo discursivo da auto-ajuda, filiações de sentido se estabelecem em razão das formações discursivas que imprimem identidade ao Nar-Anon, produzindo efeitos de sentido que respondem às vozes do Outro. Nesse processo, tendo por base Mainguenau (2005), o Nar-Anon assume o papel de discurso-agente, enquanto que a temática “adicção” é tida como um discurso-paciente (porque outros sentidos poderiam ser atribuídos ao discurso em questão se situado em diferente espaço enunciativo), e ele está voltado aos interlocutores que comungam de um mesmo modo de pensar. A adesão dos membros ao discurso da adicção - diga-se, necessária - “convence porque ia pela cabeça [do grupo] o que já convencia”, passando o discurso a ser reconhecido “por um conjunto de sujeitos como o todo da verdade” (MAINGUENEAU, 2005, p. 117-118). O discurso do grupo simula um sentido para a temática, que, como se espera demonstrar, é importante para justificar a existência do grupo.

Ao se simular informativo, ocorre o apagamento do discurso Outro no discurso do Nar-Anon, isto é, daquele discurso que não se encontra com o seu. No discurso em estudo, retoma-se uma voz autorizada (a Organização Mundial da Saúde) e “cria-se”, assim, uma imagem de grupo como fonte de saber confiável, portanto, positiva. Ele constrói um ethos [4] (AMOSSY, 2005), que, tomado na perspectiva discursiva e como processo interativo de influência sobre o outro, é concebido como “uma noção híbrida (sócio-discursiva), um comportamento socialmente avaliado, que não pode ser apreendido fora de uma situação de comunicação precisa, integrada ela mesma numa determinada conjuntura sócio-histórica” (MAINGUENEAU, 2008, p. 17).

Deve-se lembrar que a dinâmica do grupo colabora para que se constura uma estreita relação de confiabilidade entre o discurso do Nar-Anon e os seus membros, já que se trata de um pai de drogado falando a outro, ou seja, alguém que, em tese, saberia entender o problema, portanto, no mínimo, bem intencionado, provocando a construção de uma imagem de grupo honesto e verdadeiro. Essa auto-imagem se refere ao modo como o locutor se apresenta em relação ao discurso que enuncia, que não diz “eu falo de algo bom e verdadeiro a vocês”, mas o mostra no discurso. Por exemplo, quando o discurso sobre a adicção incorporado pelo Nar-Anon diz que “não é por falta de amor” que a pessoa faz uso da droga, ele cria uma empatia com os seus interlocutores e diz, ao mesmo tempo, “familiar, não faltou amor”, “familiares, vocês não são culpados”. Isto é, o grupo Nar-Anon não diz “sou um bom grupo de apoio”, mas mostra por meio dos enunciados que traz, por meio do discurso que apresenta e que, fundamentalmente, é construído a fim de levar certo conforto para aqueles que o procuram. A partir dessas reflexões é que a análise será feita.

 

Análise do corpus

O discurso “Sobre Adicção” é parte do livreto intitulado Nar-Anon e faz parte de uma coletânea temática relacionada ao problema da droga, aos problemas que afetam o familiar, além de trazer informações sobre o funcionamento do próprio grupo. Cada tema listado no livreto é abordado a partir de um título-chave, sobre o qual é desenvolvida uma breve reflexão (a exemplo, “Sobre Adicção”, “A Família”, “Mudando a nós mesmos”). O discurso em estudo se encontra integralmente na página 4 do livreto, de medidas reduzidas (9cm x 14cm), o que permite, para iniciar a análise, que se levantem duas hipóteses em torno da brevidade com que o discurso em estudo é abordado pelo grupo.

Primeiramente, aquela que poderia traduzir uma iniciativa interessante do grupo, ou seja, de que a abordagem feita é fruto de um trabalho maior do Nar-Anon, que haveria pesquisado sobre a “adicção”, optando por apresentar naquele espaço uma versão resumida do assunto, de forma a torná-lo mais acessível ao leitor leigo, considerando que as discussões em torno do tema droga comumente envolvem outras bastante complexas, como as de ordem social, médico-científica, econômica e política. Nesse sentido, a brevidade é tida como positiva, pois se trataria de um serviço do grupo prestado aos membros que teriam acesso ao que se constituiria no foco da sua atenção, previamente analisado e selecionado pelo Nar-Anon. Tem-se, portanto, uma construção positiva da imagem do grupo.

Porém, num segundo momento, a mesma brevidade pode ser compreendida como superficialidade e vulgarização. Quer dizer, o grupo estaria sendo leviano ao fazer a reflexão de modo simplificado e, por isso, simplista do tema. Duas justificativas sobre isso podem ser levantadas: a) sabendo que o grupo Nar-Anon tem sua origem na literatura dos Alcoólicos Anônimos (A.A.), o grupo teria recortado dos livros do A.A. (pressupõe-se) o veredicto final sobre assuntos tidos como mais importantes, como a adicção, ignorando, assim, o histórico de como chegou, por exemplo, à mudança, no caso, nominativa, sobre o modo de se dirigir ao sujeito que bebia. Ou seja, passou-se do uso de termos pejorativos comumente associados àqueles que bebem, para outro, mais modalizado, “científico” e coerente com a situação. Entende-se que o termo ‘adicção’ devolve ao bêbado e ao drogado certa dignidade e integridade, pois eles haveriam de ser portadores de um doença - a adicção física e mental -, superando o discurso senso comum, que, durante muito tempo, atribuiu ao vício a característica de “distúrbio social”; b) a brevidade com que o tema é tratado poderia representar, também, falta de conhecimento sobre o assunto ou, ainda, falta de propriedade teórico-intelectual do grupo Nar-Anon para abordar o tema com maior aprofundamento e cientificidade [5]. Isto é, quando o grupo apresenta de modo sucinto uma temática complexa como a da adicção, ele revelaria, assim, um estado de ignorância, mas também poderia estar projetando a imagem que ele faz daquele que toma seu discurso como apoio, ou seja, ter-se-ia aí a projeção da ignorância daquele que faz uso do discurso do Nar-Anon. Caberia ao membro, no caso, não se preocupar com maiores definições sobre a adicção, bastando que ele se aproprie daquilo que o Nar-Anon traz como resposta e assuma o discurso como verdadeiro. Estabelecido este contrato entre as partes, o Nar-Anon cumpriria seu papel: informar aos familiares aquilo que necessariamente ele deve saber a partir de um repertório teórico “prático”, evitando revelar, com isso, imagens do Nar-Anon constrói e que deporiam contra o grupo.

Sabe-se que o livreto de onde foi retirado o corpus não é o único material produzido pelo grupo sobre os temas ali presentes, entretanto, é apenas no material de estudo dos Alcoólicos Anônimos que se encontra um histórico de como se chegou à compreensão de que o vício é uma doença, fato hoje reconhecido pelas agências de saúde mundiais. O que se deseja afirmar, contudo, é que o livreto de onde foi tirado o discurso pode ser a única fonte de consulta do familiar (e acredita-se que os textos do grupo o sejam), o que torna as simplificações um problema, pois o discurso não provoca reflexões; ao contrário, é um indicador de resposta e forma de conduta, cabendo àquele que o lê crer no que está dito.

Verifica-se que a linguagem utilizada é de forma geral informal, o que reitera a intencionalidade do Nar-Anon de se mostrar “simples” e “acessível”, termos utilizados pelos co-fundadores de A.A. que descrevem o programa dos 12 Passos como um programa simples.

Feitas essas primeiras reflexões, parte-se para análise do corpus, que, neste momento, tomará apenas o primeiro parágrafo. Contudo, acredita-se que ele permitirá alcançar os objetivos propostos:

 

SOBRE ADICÇÃO

Aprendemos que adicção é uma doença - não uma questão moral. É uma doença dupla: uma alergia física ligada a uma obsessão da mente. Pode ser controlada, mas nunca curada. Sob este aspecto ela é similar à diabetes. Somente com a completa abstinência do uso de drogas e/ou álcool em qualquer forma, incluindo a de medicamentos, é que se pode sustar a doença. Da mesma maneira que não podemos impedir a tosse do tuberculoso, também não podemos impedir o uso de drogas de uma adicto. Ninguém, nem mesmo o médico, o clérigo ou a família pode fazer isto por ele/ela.

O texto inicia com uma afirmação em primeira pessoa do plural, genérica; “Aprendemos que adição é uma doença”, o que, no mínimo, causa efeito de sentido eufórico, porque faz com que os sujeitos da interação compartilhem com uma situação de ignorância anterior, em que havia a crença de que o adicto (o drogado ou o alcoólatra) sofresse de um mal “moral”; eis a razão da afirmação “é uma doença - não uma questão moral”. Entretanto, são apagadas do discurso quaisquer menções à fonte do conhecimento que colocou a questão do viciado noutro patamar, mais digno, pode-se dizer: o de que ele haveria de ser um doente. Entende-se que essa afirmação inicial silencia qualquer indagação contrária: ela é uma verdade (uma verdade necessária, como se verá).

Na segunda parte do enunciado, pode-se afirmar, há uma denegação (que traz à tona o discurso do Outro), cujo tom mantém-se coerente com a primeira afirmação. Sabe-se que ainda hoje um vício é tido como uma fraqueza, no caso, como realmente uma questão moral. Não é raro ouvir afirmações do tipo, “Não deixa a bebida/a droga porque não quer; poderia trabalhar, estudar, mas não, prefere ficar nessa vida”. Há, pois, a necessidade de responder a esse não-dito que se sustenta nas vozes sociais que atribuem à pessoa do viciado um valor negativo, como fraqueza, falta de hombridade, falta de comprometimento com o mundo do trabalho/estudo (o mundo do cidadão “normal”), falta de atitude e etc.. Esses exemplos de enunciados vêm de encontro com aos objetivos do discurso do grupo: sustentar que vício é doença.

A retomada pela denegação de que o vício não seria uma questão “moral” permite inferir uma certa fragilidade no discurso do Nar-Anon. Que seja uma doença é algo dado como verdadeiro, conforme os estudos atuais demonstram, mas, ainda assim, o Nar-Anon precisa afirmar que “é questão de doença e não de moralidade”, respondendo aos discursos contrário que são evocados quando respondido sob a denegação. Mas, mais importante, sendo esse o ponto que se deseja tratar, é que a afirmação inicial é necessária, sobretudo, para o autoconvencimento do grupo e seus membros. É preciso, como membro do grupo, crer fervorosamente na adicção, sob a ameaça de que o programa não funcione, pois, se o familiar deixar de crer que o filho não seja um “mal social”, mas seja um doente, o discurso que acompanha a acusação anterior recai sobre o fracasso da família na criação do filho, para citar um exemplo, adquirindo força de verdade, então, um discurso que não se deseja ouvir, ainda que ele pertença a um coro de vozes sociais. Dessa forma é que o discurso de apoio do Nar-Anon vai se constituindo na teia necessária à qual o familiar deseja se prender para “sobreviver” à doença que domina o seu familiar; teia que o Nar-Anon precisa constituir necessariamente para justificar sua própria existência.

Na seqüência, o discurso retoma (ainda que sem as devidas referências) um fato histórico referente à década de 30, que consta nos registros de fundação do A.A.. Esse fato diz respeito a duas personagens destacadas na história de criação do A.A., que são os médicos Carl Jung e William Duncan Silkworth. O primeiro, pioneiro na psiquiatria e de renome mundial; o segundo, menos conhecido, mas que compartilhava com o primeiro algumas idéias, no caso, da que interessa para este momento, aqueli que diz respeito ao modo como ambos os médicos prescreveram o mal do vício. Para eles, tratava-se de uma doença, cujo cura superava os meios da medicina tradicional (no caso, a medicação, a internação, as sessões de análise) [6]. Esta é a origem do enunciado aparece na seqüência: “É uma doença dupla: uma alergia física ligada a uma obsessão da mente. Pode ser controlada, mas nunca curada”.

A análise deste enunciado explicita duas lacunas que poderiam ficar incompreendidas se não fossem evidenciadas na segunda do enunciado para que as relações de sentido se estabeleçam. Ao dizer que a adicção é uma “doença dupla”, o discurso cria uma expectativa no interlocutor, ou seja, já não se trata de uma doença “comum”, mas de uma doença “dupla”, o que pressupõe complexidade. Essa abordagem sobre a adicção acarreta na valorização com que o problema do vício deve ser abordado, pois se insinua tratar de uma doença complicada. Mas, seguindo a leitura, o dito não corresponde à superação da expectativa provocada no primeiro momento, pois a informação seguinte afirma tratar-se de “uma alergia física ligada a uma obsessão da mente”, o que propicia pouco esclarecimento, devido, sobretudo, às associações de sentido que são propostas, a exemplo: o discurso fala que o vício é uma “alergia”, mas não explica o que entende por “alergia”; não obstante, imagina-se que o discurso conte com o conhecimento prévio do leitor, que, a partir do senso-comum, pode entender por “alergia” ser picado por um inseto ou comer um alimento não tolerado pelo organismo, por exemplo. Em ambos os casos, o sujeito acometido sentirá fisicamente algum sintoma. Como o discurso fala que se trata de “uma” das formas de alergia, pressupõe-se que ela será definida. Contudo, tem-se apenas explicado que se trata de uma “alergia física”, uma obviedade que beira à ingenuidade e causa desconforto, afinal, haveria uma outra forma de alergia que não fosse física? Por outro lado, tem-se que a adicção também se refere a uma “obsessão da mente”, o que também não é explicado, ficando por conta do leitor inferir de que se trata a “obsessão” e as relações podem retornar ao nível senso comum, ou seja, pode-se sofrer de obsessão por comida, por dinheiro, por status etc. Novamente, o grau de informatividade é reduzido ao óbvio, já que a obsessão não poderia ser desencadeada se não fosse por um fator ligado à mente/cérebro do indivíduo. Pode-se afirmar que o discurso simula informar, mas não o faz, seja por ignorância sobre o assunto, seja porque o Nar-Anon entende que seu público necessite apenas aceitar que se trata de uma doença.

Portanto, só para um público predisposto ao discurso, cujos ouvidos estão desejosos de escutar algo que venha a apaziguar o sentimento de aflição frente a uma causa difícil como a de conviver com o vício do outro, é que o objetivo de “informar” se realiza. É dessa forma que o Nar-Anon abre a porta da persuasão para acolher a pessoa, pois, na seqüência, o membro encontra o porto seguro que sustenta a idéia de que a adicção “Pode ser controlada, mas nunca curada”. Verifica-se que o discurso é composto de enunciados curtos e simples, ao estilo “manchete”, que marcam os confrontos das vozes que interdiscursivamente atravessam o discurso do Nar-Anon e polemizam com ele: dizer quea adicção pode ser controlada é o reverso do discurso de que o vício é incontrolável. A necessidade de negação do discurso que não crê no controle do vício depõe contra o programa e precisa ser anulado. É preciso que haja perspectiva de que o viciado tenha controle sobre o mal que o acomete, sobretudo para justificar a existência de um programa que se propõe a “mudar atitudes dos pais a fim de ajudar ao filho”. Os efeitos de sentido de “mas nunca curada” podem ainda ser interpretados (objetivando-se a favor do Nar-Anon) como: a) não existe a cura, portanto, não se culpe, caso o seu familiar não deixar a droga; b) não existe a cura, portanto, o programa não pode ser culpado, caso o seu familiar não deixe de usar droga. O discurso colabora convenientemente para ambos os casos, revelando uma preocupação com a sua auto-imagem de grupo, principalmente.

Na seqüência, o discurso faz uso de uma metáfora que reitera a projeção que o Nar-Anon faz do seu interlocutor e que pode revelar uma auto-imagem pouco interessante para um grupo de apoio. Porém, crê-se que essa reflexão se sobrepõe à consciência daqueles que formularam (ou reformularam) o discurso sobre a adição, em razão dos efeitos de sentido que a passagem “Sob esse aspecto ela é similar a diabetes” provoca. Nesse momento, o leitor é conduzido ao mundo empírico e é dado a ele uma referência palpável sobre a doença de que se está falando - a adicção. O fantasma do vício passa a adquirir uma corporalidade que permite uma “visualização” do problema. Espera-se, novamente, que o leitor cumpra seu papel e estabeleça as associações necessárias, neste caso, com a ajuda do Nar-Anon, que lhe fornece as pistas. Ao relacionar a doença da adição à diabetes, o Nar-Anon conta com o conhecimento partilhado do seu interlocutor de que ele saiba que o sujeito acometido pela diabetes não pode ingerir alimentos que contenham açúcar, ou melhor, de que a pessoa com diabetes deve se privar totalmente dessa substância, sob pena de óbito. Porém, o doente da diabetes sabe, também, que sua longevidade pode estar garantida pelo seu auto-controle e consciência em evitar o açúcar sob qualquer forma. E é essa a associação que se espera do membro do Nar-Anon: que ele entenda que o vício é um problema que não tem cura (como a diabetes), mas que pode ser controlado (pelo doente!) por meio da abstinência, que, se não seguida à risca, pode acarretar em danos irreversíveis ao organismo. A relação entre diabetes e adcição, se, por um lado, é razoável para fins de exemplificação, pois numa e noutra doença o sujeito obrigatoriamente está proibido de ingerir uma certa substância, por outro, não se pode comparar, em termos de prescrição médica, o que significa socialmente ser diabético e ser adicto (relação que forçosamente é colocada pelo Nar-Anon). Contudo, o que fica marcado nessa passagem é uma inferência cara aos objetivos do Nar-Anon que dizem respeito ao seguinte: assim como não é possível a uma terceira pessoa impedir o consumo de açúcar pelo doente de diabetes (cabe a ele não consumi-lo), também não se pode evitar o uso de drogas pelo viciado, ou seja, o consumo da substância proibida é por conta e risco do adicto, o que é explicitado na seqüência quando o discurso diz: “Somente com a completa abstinência do uso de drogas e/ou álcool em qualquer forma, incluindo a de medicamentos, é que se pode sustar a doença”; assim, o controle não vem da abstinência do familiar, mas do viciado.

Chama-se, porém, a atenção em relação à passagem sobre o não uso de álcool ou droga “em qualquer forma”, - o que implica desde bebida alcoólica ao consumo de um bombom recheado de licor -, quanto para o uso de medicamentos, ou seja: os três itens são colocados na categoria da droga. Como o Nar-Anon se projeta como um programa espiritual, a negação da necessidade de outro componente que não seja a “Fé” é reiterado, quando se coloca em pé de igualdade de substâncias nocivas como a droga, o álcool e o medicamento. Esse discurso afeta a instância autorizada, a área médica, contudo, este é ponto estabelecido para o discurso do Nar-Anon , segundo já exposto anteriormente. Em todo o caso, o Nar-Anon deixa claro que a abstinência pode “sustar a doença”. Afirmação séria e que tira de cena a possibilidade da culpabilidade recair sobre a família, já que a cura depende do viciado.

Essa tese é reafirmada na passagem seguinte: “Da mesma maneira que não podemos impedir a tosse do tuberculoso, também não podemos impedir o uso de drogas de um adicito”. A simplicidade da comparação é inquestionável, porém, para qualquer leigo, entende-se, existe uma relação distante entre um caso e outro. Mas o Nar-Anon busca sustentação pela via da proximidade do problema do vício com outras doenças, que não trazem qualquer similitude como o vício da droga. A tosse é um ato fisiológico que, em absoluto, pode ser amenizado por terceiro. Já a adição, ainda que seja uma obsessão, pode contar com o terceiro: seja pelo apoio, seja como um ouvido atencioso, seja por gestos de amor e amizade (segundo o Nar-Anon). Mas isso não é dito em nenhum momento, permitindo que se afirme nesse discurso um desejo de “des-culpar” o familiar, de confortá-lo diante da situação, de livrá-lo do peso de qualquer responsabilidade. Não se quer afirmar o contrário, isto é, de que a responsabildiade seja da família, contudo, a comparação é problemática, seja por sua ingenuidade, seja por sua abordagem rasteira do problema com que está lidando.

Na última parte, o Nar-Anon expõe aqueles sobre quem ela proteja, numa ordem hierárquica inquestionável, a ordem social estabelecida: “Ninguém, nem mesmo o médico, o clérigo ou a família pode fazer isso por ele/ela”. O enunciado inicia com a negação a partir do pronome indefinido: “ninguém” tem poderes de impedir que um adicto deixe definitivamente as drogas e pode impedir de, passado algum tempo de abstinência, ele voltar a fazer uso dela. “Ninguém” exclui definitivamente a presença do outro na relação “viciado e droga”. Porém, o Nar-Anon demarca as pessoas que, no seu julgamento, seriam aquelas com condições de intervir sobre o viciado e a droga, sendo elas o médico, o clérigo e a família. As condições da argumentação estão estabelecidas pelo operador “nem mesmo”, mas sua força de persuasão se encontra na representação do papel social que é incorporado por cada uma das instâncias de poder, sejam elas a ciência, a religião e a família.

O papel do discurso científico, nesse caso, é de fundamental importância para o Nar-Anon, no sentido de que ele vem para enaltecer o programa de recuperação baseado nos 12 Passos e nas 12 Tradições, pois, quando o discurso da medicina é trazido para dentro do discurso fundandor de A.A. (não se pode nunca perder de vista que o discurso do Nar-Anon o incorpora), serve para ratificar a imagem positiva do grupo, já que a voz institucional autorizada e de sabedoria assegura que seus métodos científicos e justificados pela ciência médica não dão conta de “salvar” o viciado. E isso é demonstrado, quando o A.A., no caso, explora uma relação íntima com um psiquiatra de renome, Carl Jung, que reitera a condição de impotência da medicina.

O segundo argumento de que se vale o grupo é da figura do clérigo, ou seja, da religião. No caso, o que o grupo deseja mostrar é que a religião tradicional representada pelo clérigo, pastor ou orientador espiritual (pode-se dizer) também não detém poderes para controlar o vício do drogado. Até o momento, então, o grupo deixa claro que essas duas entidades fundamentadas em valores reconhecidos socialmente não dão conta do resolver o problema em questão.

Por fim, então, diante das duas instâncias que se podem afirmar superiores, o Nar-Anon cita a terceira entidade, que também goza de representatividade social, entretanto num nível hierárquico inferior as outras duas. Entende-se que o Nar-Anon acredita na hierarquia que estabelece, até porque ela é lógica do ponto de vista sócio-ideológico e, assim, frente a essa lógica, ele cita a família muito mais no sentido de protegê-la e demonstrar que ela, efetivamente - e isso fica parecendo evidentemente lógico, não tem poderes de fazer com o adicto se mantenha em abstinência, ou seja, a responsabilidade é dele e não da família.

 

Considerações finais

Como já foi dito, este texto é parte de um estudo ainda em fase de construção e amadurecimento. Por essa razão, as considerações sobre o corpus são passíveis de revisões e reflexões, sobretudo, porque se tomou para este momento, apenas parte do seu conjunto. Entretanto, mesmo a par da natural incompletude dos dados, pode-se constatar que o discurso do Nar-Anon, ou seja, do discurso que serve de apoio a familiares de viciados em droga e que tem sua origem no discurso de Alcoólicos Anônimos, é, segundo ss análises, um discurso que mascara, sob a simplicidade peculiar própria de um texto informativo (pode-se afirmar, devido à brevidade com que aborda os eixos temáticos), um discurso cujo objetivo, mais do que provocar mudanças nas atitudes do familiar, mostra-se demagógico: ele está muito mais preocupado em “des-culpar” o familiar, dando-lhe, talvez, uma sensação de conforto que serve a objetivos bem menos dignos do que os de apoiar o familiar já que se tem a revelação de um discurso que necessita, ao des-culpar o outro de um possível fracasso, “des-culpar” a si mesmo e, assim, garantir a sua própria existência.

Se a análise pode parecer ofensiva em algum aspecto, deve-se lembrar que se trata de um estudo que vem justamente trabalhar sobre os efeitos de sentido que são gerados a partir do pronunciamento de um discurso e que estes, em geral, não são intencionais, mas respostas à ordem do inconsciente e das ideologias Este estudo mostrar, assim, por meio de um discurso sério e repleto de tabus e preconceitos, que os sujeitos estão à mercê do impensado e que este não correspondente necessariamente ao desejado.

 

Notas

[1] A autora é docente da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) no curso de Letras de Marechal Cândido Rondon, Paraná, Brasil e cursa o doutorado em Estudos da Linguagem pela Universidade Estadual de Londrina (Uel), Paraná, Brasil. Endereço eletrônico: ltschroder@brturbo.com.br

[2] A história de origem dos Alcoólicos Anônimos pode ser encontrada na obra “A Linguagem do Coração”, traduzida e publicada no Brasil em 2005. Trata-se de uma coletânea de artigos produzidos por um dos co-fundadores de A.A., Bill Wilson, entre os anos de 1944 a 1957.

[3] De acordo com a Organização Mundial da Saúde, no Relatório Sobre a Saúde no Mundo 2001, Saúde Mental: Nova Concepção, Nova Esperança, a dependência de substâncias psicoativas é encarada como doença médico crônica (vista como um distúrbio mental complexo) e como problema social, sendo incorporada à Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas de Saúde Correlatos (CID-10), assim como a Esquizofrenia, a doença de Alzheimer e Transtornos do Desenvolvimento Psicológico, entre outras. Este documento encontra-se disponível em meio eletrônico; sua tradução em português é produção do Escritório Central da Oficina Pan-Americana de Saúde e a revisão técnica da mesma é feita pela Área Técnica de Saúde Mental do Ministério da Saúde do Brasil. Dados retirados da obra: ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10 - Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

[4] O conceito de ethos é oriundo da retórica clássica e tem sido revisitado por especialistas das mais diversas perspectivas. Este re-olhar para o conceito traz na obra de Amossy (2005) um conjunto de textos que o abordam a partir da perspectiva interacionista, da pragmática, da semântica, da análise do discurso e da retórica, por exemplo, oferecendo aos leitores uma visão importante a ser retomada na análise de discursos.

[5] O conceito de ethos é oriundo da retórica clássica e tem sido revisitado por especialistas das mais diversas perspectivas. Este re-olhar para o conceito traz na obra de Amossy (2005) um conjunto de textos que o abordam a partir da perspectiva interacionista, da pragmática, da semântica, da análise do discurso e da retórica, por exemplo, oferecendo aos leitores uma visão importante a ser retomada na análise de discursos.

[6] O conceito de ethos é oriundo da retórica clássica e tem sido revisitado por especialistas das mais diversas perspectivas. Este re-olhar para o conceito traz na obra de Amossy (2005) um conjunto de textos que o abordam a partir da perspectiva interacionista, da pragmática, da semântica, da análise do discurso e da retórica, por exemplo, oferecendo aos leitores uma visão importante a ser retomada na análise de discursos.

 

Bibliografia

AMOSSY, Ruth (org.) (2005): Imagens de si no discurso: a construção do ethos. Contexto, São Paulo.

CHARAUDEAU, Patrick e MAINGUENEAU, Dominique (2004): Dicionário de análise do Discurso (Coord. da Trad. Fabiana Komesu). Contexto, São Paulo.

MAINGUENEAU, Dominique (1997): Novas tendências em análise de discurso (Trad. Freda Indursky; revisão Solange M. L. Gallo e Maria da Glória de Deus Vieira de Morais). Pontes, São Paulo.

—— (2008): A propósito do ethos. In: MOTTA, Ana Raquel e SALGADO, Luciana (orgs.). Ethos Discursivo. Contexto, São Paulo.

—— (2005): Gênese dos Discursos. Trad. Sírio Possenti. Curitiba: Criar.

MUSSALIN, Fernanda. Análise do Discurso. In: MUSSALIN, Fernanda e BENTES, Anna Christina (2001): Introdução à Lingüística: domínios e fronteiras, v. 2. Cortez, São Paulo.

PECHEUX, Michel (1997): Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. (Trad. Eni Orlandi [et. al.]). Editora da Unicamp, Campinas, São Paulo.

 

© Luciane Thomé Schröder 2010

Espéculo. Revista de estudios literarios. Universidad Complutense de Madrid

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