Alfredo Bosi e José Aderaldo Castello:
As Histórias Literárias das Universidades Brasileiras

Prof. Dr. Flávio Leal

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia - IFBA - Brasil
literaturaleal@yahoo.com.br


 

   
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Resumen: Establecimiento de las aportaciones historiográficas de los profesores A. Bosi y J. A. Castello sobre la lietarura brasileña en el conexto universitario brasileño y sus perspectivas específicas.
Palabras clave: A. Bosi, J. A. Castello, historiografia literaria, literatura brasileña

 

Ao companheiro Joaquín Aguirre,
que sempre trabalha com competênciana coordenação
da reconhecida Revista Espéculo.

 

Há várias décadas, no sistema brasileiro de Educação, a relação existente entre história literária e ensino formal da literatura pode ser exemplificada pela grande aceitação da obra História concisa da literatura brasileira [1] do Professor Dr. Alfredo Bosi [2] da Universidade de São Paulo [3], publicada em 1970, tendo em vista o seu amplo público leitor universitário. Esta obra sofre constantes e várias reedições atualizadas no Brasil, já que há um vasto público acadêmico leitor brasileiro, uma vez que demonstra uma presença constante nas bibliografias dos projetos pedagógicos, nos programas de Literatura Brasileira, dos cursos de licenciatura em letras no país. Inclusive, esta obra do Professor Bosi possui uma tradução para língua espanhola muito difundida, em muitos centros lusófonos e brasilianistas de diversos países hispano-americanos [4], extrapolando o ambiente acadêmico brasileiro. A História concisa de Alfredo Bosi alcançou uma inegável aceitação de um público universitário específico, pois, como já se percebe em seu título, a concisão da obra é evidente, possuindo como função a apresentação historiográfica sucinta da Literatura Brasileira para educandos interessados em uma leitura veloz e concisa, com um discurso historiográfico objetivo e bem fundamentado na crítica literária, inserida em um âmbito universitário específico.

Esta obra historiográfica do Professor Alfredo Bosi encontrou campo propício para sua divulgação, entre professores e educandos - leitores de Literatura Brasileira, quer em nível de graduação quer de pós-graduação, na segunda metade do século XX, pois houve, neste período, uma democratização do ensino superior universitário brasileiro, ampliando, sem dúvida, o público leitor estudante. Houve a criação de dezenas de universidades públicas [5] e centenas de faculdades privadas brasileiras, cujos cursos de Letras (Literatura Brasileira) necessitaram de uma obra concisa, objetiva e acessível para uma educação numerosa.

Ainda, há perspectiva nacional de criação e aumento na oferta de cursos superiores no início do século XXI, segundo medidas e investimentos aprovados pelo Governo Federal Brasileiro, no ano de 2008, segundo o Decreto Federal N°. 6.096, de 24 de abril de 2007, que institui o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Públicas Federais Brasileiras, criando, nas universidades federais, outras faculdades públicas de Ciências Humanas e Letras, no país. Desta forma, a História concisa da literatura brasileira do Professor Dr. Alfredo Bosi encontra-se neste contexto educacional, tendo um público leitor universitário jamais visto no Brasil. Nesta perspectiva, além de ser uma obra didática, objetiva e crítica, bem redigida e configurada, entende-se a quantidade de exemplares da História concisa reeditados e divulgados, no país, em quatro décadas decorridas.

O autor da História concisa da literatura brasileira possui uma biografia que indica seu interesse pelos estudos literários, já quando bastante jovem, e pode ser tomada como um bom exemplo de um professor, intelectual e pesquisador formado no âmbito da Universidade de São Paulo, já estruturada e reconhecida instituição, na segunda metade do século XX. Alfredo Bosi nasceu, em 26 de agosto de 1936, em São Paulo - SP. Descendente de italianos, logo depois de se graduar em Letras pela Universidade de São Paulo - USP, em 1960, recebeu uma bolsa de estudos na Itália, concedida pelo próprio governo italiano, na reconhecida Universidade de Florença (1961 - 1962). Quando retornou ao Brasil, Alfredo Bosi assumiu os cursos de língua e literatura italiana, na própria Universidade de São Paulo - USP [6]. Embora seja formado como professor de literatura italiana, Alfredo Bosi sempre demonstrou e exerceu grande interesse e atuação sobre a Literatura Brasileira, levando-o a escrever os seus primeiros livros historiográficos: Pré-Modernismo, em 1966, e História concisa da literatura brasileira, em 1970.

Alfredo Bosi atuou como docente de Literatura Italiana - Departamento de Letras, FFLCH/USP, até o ano de 1969, quando assumiu o cargo de docente de Literatura Brasileira - DLCV/FFLCH, no ano de 1970. Como professor, orienta alunos de pós-graduação em níveis de mestrado, de doutorado e de pós-doutorado, na disciplina e área de Literatura Brasileira da USP, desde 1972. Desta forma, Alfredo Bosi decidiu-se pelo ensino de literatura brasileira no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, da qual é professor titular de Literatura Brasileira. Desde 1989, Alfredo Bosi é editor da Revista Estudos Avançados, publicação bastante reconhecida no meio acadêmico nacional e estrangeiro. Ainda, o Professor ocupou a Cátedra Brasileira de Ciências Sociais Sérgio Buarque de Holanda da Maison des Sciences de l’Homme, em Paris - França, em 2003. Alfredo Bosi também foi vice-diretor do Instituto de Estudos Avançados - IEA da USP, entre os anos de 1987 e 1997. Nesse último ano, em dezembro, passou a ocupar o cargo de diretor do IEA - USP. Entre outras atividades no IEA, coordenou o Programa Educação para a Cidadania (1991 - 1996); integrou a comissão coordenadora da Cátedra Simón Bolívar (convênio entre a USP e a Fundação Memorial da América Latina) e coordenou a Comissão de Defesa da Universidade Pública, em 1998.

Como palestrante e pesquisador convidado, o Professor Dr. Alfredo Bosi proferiu dezenas de palestras e conferências [7], realizando diversos cursos sobre a literatura Brasileira, em grandes institutos e universidades do Brasil e internacionais.

O Professor Alfredo Bosi é, ainda, o sétimo ocupante da Cadeira N°.12, quando foi eleito em 20 de março de 2003, na sucessão de Dom Lucas Moreira Neves e recebido em 30 de setembro de 2003 pelo acadêmico Eduardo Portella (abrigado por Afrânio Coutinho), na Academia Brasileira de Letras.

No ano de 1970, o Professor Alfredo Bosi redige uma síntese historiográfica intitulada, História concisa da literatura brasileira, um dos mais conhecidos e respeitados manuais de lite­ratura brasileira, que enfoca “a partir da afirmação de um complexo colonial de vida e de pensamento” [8], nos três pri­meiros séculos da colonização, no Brasil, “as origens de nossa literatura”, percebendo alguns “descompassos” existentes entre as influências recebidas do continente europeu e a realidade sócio-histórica-cultural do país. Conforme ressalta Bosi, “A seqüência de influxos da Europa, responsável pelo paralelo que se estabeleceu entre os momentos de além-atlântico e as esparsas manifestações literárias”. [9]

A História concisa é configurada aparentemente assim como as outras histórias literárias existentes na tradição, pois, mesmo por outro viés, enfoca os períodos histórico-sociais amplos, cujas análi­ses dos períodos literários são inseridas, na argumentação. Neste contexto estético-histórico, Alfredo Bosi analisa e estuda as diversas manifestações literárias formadas em gêneros literários, argumentando sobre o contexto histórico, as obras e as biografias dos autores de cada período literário (estilo de época) correspondente. A construção da estrutura da História concisa é similar à configuração das historiografias literá­rias tradicionais, que concatenam História do Brasil e Literatura Nacional, assim como A Literatura no Brasil, dirigida por Afrânio Coutinho, tentando privilegiar, sem dúvida, a análise do fenômeno estético-literário.

Assim como Afrânio Coutinho, no ano de 1955, que apresenta uma proposta de periodização estilística, na configuração de sua historiografia literária, em A Literatura no Brasil, construída coletivamente, este critério também foi utilizado por Alfredo Bosi, na sua História concisa da literatura brasileira, publicada no ano de 1970, sendo a historiografia contemporânea que melhor define a relação entre história literária e ensino de literatura, no ambiente acadêmico. Alfredo Bosi 10 historia de forma objetiva a literatura brasileira, criando uma narrativa historiográfica tradicional, desde “A Condição Colonial”: “Textos de Informação”, os escritos de Pero Vaz de Caminha, Gândavo, Gabriel Soares, Anchieta, Frei Vicente, até as manifestações literárias dos “Desdobramentos da vanguarda concretista”. A Historiografia Literária de Bosi é dividida em 08 (oito) secções, respectivamente, dedicadas: à Condição Colonial, aos Ecos do Barroco, à Arcádia e Ilustração, ao Romantismo, ao Realismo, ao Simbolismo, ao Pré-Modernismo & Modernismo e às Tendências Contemporâneas. A História concisa da literatura brasileira realiza, sobre cada um desses momentos, uma apreciação historiográfica de suas tendências diferenciais, estudando, a seguir, as suas obras e autores canônicos, proporcionando assim ao leitor universitário dados de ordem histórica, bibliográfica e biográfica, além de uma avaliação literária concisa e bem embasada, na crítica literária reconhecida.

Observando a tradição historiográfica brasileira, Afrânio Coutinho e Alfredo Bosi compõem seus estudos historiográficos literários, levando em conta também os fatores históricos e sociais, como fatores secundários que auxiliam o entendimento do “monumento literário”. Observa-se que Bosi e Coutinho orientam-se sempre pela periodologia estilística, pois organizam suas histórias de maneira bastante similar, abrangendo os seguintes períodos literários: Barroco, Neoclassicismo, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo, Pré-modernismo, Modernismo e Era Contemporânea. Entretanto, Alfredo Bosi analisa as primeiras “manifestações” da literatura, no Brasil, como a literatura colonial; por outro lado, Afrânio Coutinho discorda dessa classificação, porque o termo “colonial” subordina, conforme o historiador, a literatura à situação política do país, na época em que essa literatura foi produzida, pois a literatura não se subordina à política de um país. Em relação à concepção de literatura, ambos os historiadores possuem ideias aproximadas, pois Afrânio Coutinho, assim com Bosi, percebe a literatura como arte, ancorado em uma concepção estética do “monumento literário”, como “um sistema de sinais com um propósito estético específico”, configurando a historiografia literária, a partir do aspecto estético-literário. Entretanto, Alfredo Bosi não apresenta, na História concisa, capítulo que debata o conceito de literatura e a sua metodologia adotada, mas o valor estético da obra literária é a justificativa para a inclusão ou exclusão de autores e obras, contextualizando-os, nos períodos literários estéticos determinados. Alfredo Bosi relaciona a literatura com a história e a sociedade, realizando análises estéticas e enfocando, ainda mais, os “fatores secundários”, subjugados nas análises de Afrânio Coutinho.

Neste ponto, a História concisa da literatura brasileira de Alfredo Bosi aproxima-se da obra Formação da Literatura brasileira de Antonio Candido, pois a concepção historiográfica de Alfredo Bosi encontra-se na análise literária e histórica, no confronto entre texto e contexto, observando as manifestações literárias e estéticas como fenômeno do imaginário humano, com suas inter-relações formais, históricas, sociais, culturais e ideológicas.

A concepção historiográfica existente, que embasa a História concisa da literatura brasileira, demonstra um aspecto substancial, em seu viés crítico. Alfredo Bosi debruça-se sobre o “complexo colonial de vida e de pensamento” [11], observando em sua análise “o direito e o avesso do fenô­meno nativista, complemento necessário de todo complexo colonial” [12], trilhando os caminhos nas “esparsas manifestações literárias e artísticas do Brasil - colônia: Barroco, Ilustração, Pré-romantismo” [13], percebendo os momentos nos quais a colônia enquanto “objeto de uma cultura, o outro em relação à metrópole” transforma-se em “sujeito da sua história”. Segundo o Professor Dr. Alfredo Bosi:

A colônia só deixa de o ser [objeto de uma cultura, o outro em relação à metrópole] quando passa a sujeito da sua história. Mas essa passagem fez-se no Brasil por um lento processo de aculturação do português e do negro à terra e às raças nativas; e fez-se com naturais crises e desequilíbrios. Acompanhar este processo na esfera de nossa consciência histórica é pontilhar o direito e o avesso do fenômeno nativista, complemento necessário de todo complexo colonial. [14]

Esta iniciativa crítica expõe o intuito de acompanhar a história da formação do país, como objeto da história européia e suas inter-relações sociais, culturais e históricas, observando as contradições sempre presentes nestes contatos e recusando a concepção de formação da sociedade brasileira como repetição da história européia, já que a formação da sociedade da colônia passou por um processo de “fenômeno nativista”. As análises de Alfredo Bosi revelam as contradições, na colônia, provenientes dos paralelismos existentes em relação às ideologi­as européias, que sempre foram afrontadas pelas particularidades locais e coloniais, entendidas na perspectiva da formação social, das classes sociais. Segundo Alfredo Bosi, percebe-se um “caráter híbrido”, no “complexo colonial de vida e de pensamento”:

Códigos literários europeus mais mensagens ou conteúdos já coloniais conferem aos três primeiros séculos de nossa vida espiritual um caráter híbrido, de tal sorte que parece uma solução aceitável de compromisso chamá-lo luso-brasileiro. [15]

Nesse contexto, determinado pela “dialética da colonização”, Alfredo Bosi analisa, em sua História concisa da literatura brasileira, os períodos literários, os estilos de época, os gêneros literários, as biografias dos autores e obras literárias canônicas, os contextos sócio-políticos e culturais, num percurso que envolve a história européia, a história da colônia, as ideolo­gias européias e a sua “aclimação” no território brasileiro, percebendo os “descompassos” oriundos do complexo colonial.

O Professor Alfredo Bosi, em sua História concisa, quando estuda a “condição colonial”, faz uma aná­lise histórica e ideológica ponderada das obras canônicas, tomadas como exemplos da “dialética da colonização”. Assim, a História concisa, tendo em vista o seu posicionamento “dialético", demonstra em cada capítulo as características histórico-literárias vigentes na Europa, observando a “aclimação” dos temas, formas e estilos no Brasil, realizando suas análises atentas, quando se debruça sobre os autores e obras canônicas do período estudado. Discorrendo sobre o “processo colonial, que se desenvolveu nos três primeiros séculos da vida brasileira”, que deixaria marcas subseqüentes para as “nossas reações de ordem intelectual”, Alfredo Bosi escreve uma obra historiográfica que procura entender, conforme o autor,

o dado preliminar de um processo colonial, que se desenvolveu nos três primeiros séculos da vida brasileira e condicionou, como nenhum outro, a totalidade de nossas reações de ordem intelectual: e se se prescindir da sua análise, creio que não poderá ser compreendido na sua inteira dinâmica nem o próprio fenômeno da mestiçagem, núcleo de nosso mais fecundo ensaísmo social de Sílvio Romero a Euclides, de Oliveira Viana a Gilberto Freyre. [16]

A História concisa da literatura brasileira de Alfredo Bosi possui o intuito de esboçar, no decorrer de sua argumentação, um panorama geral dos diversos momentos históricos e de seus períodos estéticos relacionados, como um manual de literatura sintético e objetivo, bem argumentado e embasado, percebendo o paralelismo entre a cultura européia e a produção cultural, no Brasil, durante o período colonial e sua ruptura no nacionalismo romântico, culminando na literatura estabelecida do século XX. Conforme Alfredo Bosi, algumas relações culturais foram desfeitas, no período romântico nacionalista, ancorado nos argumentos da Formação da Literatura Brasileira:

De qualquer modo, a busca de fontes ideológicas não-portuguesas ou não-ibéricas, em geral, já era uma ruptura consciente com o passado e um caminho para modos de assimilação mais dinâmicos, e propriamente brasileiros, da cultura européia, como se deu no período romântico. [17]

Inclusive, quando analisa o Realismo brasileiro, já na formada literatura brasileira, a História concisa procura perceber “o estudo atento dos processos sociais desencadeados nesse período fará ver as raízes nacionais da nova literatura, raízes que nem sempre se identificam com a massa de influências européias então sofridas” [18]. O prisma percebido na História concisa da literatura brasileira é o encadeamento de períodos, autores e obras canônicos, como um verdadeiro panorama geral e manual educacional, determinado pela análise breve e concisa de uma “dialética da colonização” ao período de formação da Literatura Brasileira.

Por outro lado, no encerramento do século XX historiográfico e universitário, surge um grande contraponto das obras historiográficas sintéticas e concisas existentes. O Professor Dr. José Aderaldo Castello publica, em 1999, pela Editora da Universidade de São Paulo, A Literatura Brasileira: Origens e Unidade [19], um extenso estudo historiográfico da Literatura Brasileira, em dois tomos, consagrando seu percurso de professor, crítico e estudioso da Literatura Nacional. Recebida nas universidades, no início do século XXI, A Literatura Brasileira: Origens e Unidade, publicada pelo Professor Dr. José Aderaldo Castello da Universidade de São Paulo, é uma tentativa de síntese historiográfica e bem sucedida argumentação, na tradição da disciplina.

Esta História da Literatura percorre suas análises sobre a fundação e desenvolvimento da Literatura no Brasil (“Origens e Unidade” da Literatura Brasileira), sendo um bom exemplo de argumentação e concepção teórica contemporâneas, expostas na formação e consolidação da Literatura Brasileira.

A biografia do Professor Dr. uspiano José Aderaldo Castello demonstra, em sua trajetória, o exercício do magistério e da pesquisa, em uma academia reconhecida, durante décadas profícuas dedicadas às letras. Castello nasceu em Mombaça - Ceará, em 02 de outubro de 1921. Cursou Letras Clássicas na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, durante os anos de 1941 e 1944. Nesse mesmo ano, começa a trabalhar como professor-assistente da cadeira de Literatura Brasileira, então sob responsabilidade de Mário de Souza Lima. Em 1950, Castello encerra seu curso de doutorado sobre as “Origens do Romantismo no Brasil”.

Oito anos depois, em 1958, o Professor Dr. José Aderaldo Castello torna-se livre-docente, na disciplina, com o estudo sobre “José Lins do Rego: Modernismo e Regionalismo”. Finalmente, no ano de 1965, após a aposentaria de Souza Lima, José Aderaldo Castello conquista, a partir de realização de concurso, a cátedra de titular da área, tornando-se professor catedrático de Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo - USP. A partir desse momento de sua trajetória educacional, Castello inicia seus próprios projetos acadêmicos de pesquisas, dentre os quais se destacam: A) ampla pesquisa sobre o movimento academicista, que perdurou de 1957 a 1980 e resultou em 17 volumes; B) projeto institucional de pesquisa sobre os principais periódicos representativos de grupos ou movimentos literários brasileiros, dando evidência ao modernismo; etc.

O Professor Dr. José Aderaldo Castello foi, ainda, Diretor do Instituto de Estudos Brasileiros - IEB [20] da Universidade de São Paulo - USP por 14 anos, entre 1967 e 1981, dirigindo essa unidade que se tornou um centro de pesquisa de referência nacional e internacional. Aposentou-se, na USP, no ano de 1984.

O Professor Castello proferiu cursos em diversos países, dentre os quais França e Alemanha. Recebeu, no dia 26 de abril de 2001, o título de Professor Emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo - FFLCH/USP. A Universidade Federal do Ceará, também, no dia 02 de setembro de 2005, aprovou a outorga do título de Doutor Honoris Causa ao Prof. Dr. José Aderaldo Castello, considerado como “professor completo”, criando grande “contribuição ao ensino, à pesquisa e à cultura do nosso país”.

José Aderaldo Castello, assim como os professores Alfredo Bosi e Antonio Candido, este companheiro de décadas [21], pode ser percebido como um educador, intelectual, pesquisador e escritor, proveniente da esfera acadêmica chamada Universidade de São Paulo - USP. Percebem-se, indubitavelmente, observando a segunda metade do século XX, o ensino, a formação e difusão dos estudos literários, de alto nível acadêmico e argumentativo, oriundos dos trabalhos e cursos realizados pelos professores daquela instituição reconhecida.

No encerramento do século XX historiográfico e universitário, A Literatura Brasileira: Origens e Unidade [22] surge como um grande contraponto das obras historiográficas sintéticas e concisas em voga, pois se apresenta como um extenso estudo historiográfico sobre a Literatura Brasileira, em dois tomos, repleto de argumentações analíticas e ilustrações (iconografia) das capas das primeiras edições das obras literárias. Recebida nas universidades, no início do século XXI, A Literatura Brasileira: Origens e Unidade demonstra uma tentativa de síntese, na tradição da História Literária Brasileira, e bem sucedida ação (historiográfica) educacional, pois ressalta a leitura atenta de seu autor sobre a historiografia e crítica literárias nacionais.

A obra historiográfica do Prof. Dr. José Aderaldo Castello possui o intuito de “esboçar um quadro geral em que fique delineada a busca progressiva da criação literária interna, distinguida até se tornar distinta, ao mesmo tempo assimiladora de modelos externos. Equivale a dizer: busca de identidade própria rastreada em sucessivas etapas, três enfoques principais, interpenetrantes” [23], sendo estes prismas estabelecidos, nos capítulos introdutórios: as formas estéticas (estilos de época); “reconhecimento do substrato americano” gerador de “tendências temáticas e ideologias internas” e “autor ou para a obra-síntese”, postos em “três grandes movimentos que progressivamente se erigiram em totalizadores de nossa cultura e civilização - Barroco, Romantismo e Modernismo, naturalmente sem omissão das posições intermediárias”. [24]

José Aderaldo Castello, em A Literatura Brasileira: Origens e Unidade, de 1999, retoma os posicionamentos de diversos historiadores da tradição da historiografia literária, principalmente, Professor José Veríssimo, criando uma argumentação que investiga os traços nativistas da formação da Literatura Brasileira, em “busca de identidade própria rastreada”. Segundo Castello:

José Veríssimo já afirmou que os dois grandes momentos da literatura brasileira são marcados pelo nativismo no Período Colonial e pelo nacionalismo a partir da Independência. Mas escrevia em princípios do século. Soma-se, portanto, à sua perspectiva o neonacionalismo que corresponderia à República “velha”, projetando-se com intensidade polêmica nos anos 20 e 30 do nosso século, para se diferenciar em “brasilidade”, conforme esclareceremos oportunamente. [25]

Buscando traçar linhas contínuas para analisar as origens e geração da unidade da Literatura, em um processo de formação literária, José Aderaldo Castello inicia seu estudo ressaltando um fenômeno, uma espécie de “obnubilação”, conceito defendido pelo crítico Araripe Júnior (1848-1911) e também desenvolvido por Afrânio Coutinho (1911-2000), em A Literatura no Brasil, de 1955-1959, em relação ao “adventício” homem europeu, nos trópicos:

Ao chegar à parte da América que nos caberia, o adventício-conquistador principiou por interrogar-se sobre o seu novo comportamento, sob as intenções de posse da terra e colonização. Entre valores e objetivos de que foram portadores, ganhariam vulto algumas possíveis respostas de início contidas na criação literária, da Carta de Caminha à obra de Pe. José de Anchieta. Transmitiam a impressão de que, além do contexto hispânico, Portugal refletia o mais geral, do europeu. [26]

A análise sobre o enfoque nativista fornece uma visão sobre o processo de autodefinição da literatura brasileira, refletindo sobre a relação existente entre os fatores “homem terra”, no processo de consolidação da criação literária própria, a partir da percepção deste homem novo e seus valores rediscutidos e debatidos.

A contar de princípios do século XVI, a literatura que se cultiva no Brasil Colônia vem progressivamente conquistando sua auto-identificação. Esse processo começa desde que se estabelece a relação homem terra com a presença do colonizador. Será revigorada pelo pensamento crítico do século XIX e proporcionará a progressiva conscientização da relação indivíduo/pátria, do sentido local ao nacional. É um esforço interno de identificação e também de reidentificação, abrangendo dos adventícios e autóctones aos seus descendentes. [27]

Na abordagem da tradição da literatura brasileira, A Literatura Brasileira: Origens e Unidade, assim como a História da Literatura Brasileira de José Veríssimo (1916), persegue os traços nativistas, que serão os aspectos fundadores da autonomia literária e intelectual posterior, ao observar as manifestações literárias no Brasil - Colônia e na inter-relação humana dos conquistadores, que trouxeram “mentalidade que se desenvolver no Brasil Colônia não poderia ser senão a imagem da metrópole” [28], mas também da terra e dos autóctones. Estes processos contínuos são gerados, conforme o Professor José Aderaldo Castello, pelos “‘influxos externos’ - tudo o que resulta da ação adventícia (estrangeira), e ‘internos’ - tudo o que resulta da reação autóctone (nativa), ‘brasileira’ e mestiça, ambas estimulando a relação homem <—> terra”, percebidos e analisados, na constituição de sua historiografia literária, como afirma o Professor Dr. Castello, nas

As manifestações nativistas seriam geradas pelos influxos internos, uma vez que estimulados pelos externos em reações e respostas ao condicionamento novo em que estes incidem, desde os primeiros colonizadores à sua descendência mestiça. São manifestações nativistas que se transformarão no nacionalismo do século XIX, simultaneamente com o indigenismo e o indianismo também provenientes do Período Colonial, em marcha, para chegarmos finalmente à brasilidade do Modernismo. [29]

Como historiografia literária, Castello define uma “trajetória interna da nossa literatura em etapas sucessivas correspondentes aos quatro grandes períodos de nossa história social e política: o nativismo, no Período Colonial (séculos XVI ao XVIII); o nacionalismo romântico no Império (da Independência à República, ou seja, o século XIX); e durante a República “velha” e “nova”, o neonacionalismo e a brasilidade.” [30] Nesta perspectiva, A Literatura Brasileira: Origens e Unidade estuda a história da literatura, bebendo na tradição da própria disciplina e debruçando-se sobre “estudo da formação da Literatura Brasileira, não se pode fugir ao reconhecimento simultâneo dos legados europeus e americanos.” [31] Desta maneira, José Aderaldo Castello, “visando a esclarecer origens, evolução e conseqüente definição da literatura brasileira”, esboça um “esquema de periodização”, ao analisar a formação da literatura brasileira e seus “influxos”, a fim de subsidiar seu estudo historiográfico literário.

(...) propomos um esquema de periodização fundamentada na atuação do que consideramos “influxos externos” - tudo o que resulta da ação adventícia, e “internos” - tudo o que resulta da reação autóctone, “brasileira” e mestiça, ambas estimulando a relação homem <—> terra.

1º.) Período Colonial - Sécs. XVI/ XVII/XVIII - Quinhentismo, Barroco, Arcadismo, Pré-romantismo, em que inicialmente os “influxos externos” são preponderantes sobre a “relação homem/terra”, constrangendo os “influxos internos”;

2º.) Período Nacional - I - Séc. XIX - Romantismo, Poesia Científica, Realismo, Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo. Cessada a preponderância do colonizador, diversificam-se espontaneamente as fontes dos “influxos externos”, cuja interação com os “internos” passa a ser de nossa preferência;

3º.) Período Nacional - II - Séc. XX - Pré-modernismo, Modernismo. Consolidando a nossa maturidade, sob a reflexão crítica de equilíbrio entre aceitação e rejeição, possibilita-se definitivamente a expressão própria, e a universalização do regional ao nacional, da nossa temática. [32]

Em relação ao Período Colonial, José Aderaldo Castello percebe que “as manifestações literárias no Período Colonial aos poucos se enraízam internamente” [33], ao contrário de Antonio Candido, em sua Formação da Literatura Brasileira, que analisa a configuração do sistema literário e exclui o Barroco e as “manifestações isoladas”, “esparsas e sem ressonância”, do período colonial, já que não possuem características de um sistema articulado dinâmico, promovido por uma tríade (autor-obra-público). O Professor José Aderaldo Castello, por outro lado, afirma que o Barroco é tomado, em sua obra, “aqui ressaltado como o primeiro grande momento a marcar a nossa formação” [34], no rastro dos posicionamentos expostos por Afrânio Coutinho, em A Literatura no Brasil, repercutindo-se o Barroco por suas temáticas e prismas, nos séculos posteriores da Literatura Brasileira.

O Professor Castello estipula diretrizes para a elaboração de sua História, sob o enfoque do nativismo e do processo formativo literário, que eclodirá no século XIX (romantismo) e sua maturidade no século XX (Modernismo - brasilidade), dentre as quais estão:

- Reconhecemos o que se escreveu sobre o Brasil e no Brasil desde o século XVI.

- Ressaltamos as condições indispensáveis à atividade intelectual simultaneamente com a formação de centros que a comportavam.

- Fundamentados na pesquisa, rastreamos constantes e freqüências temáticas e atitudes críticas, em busca do reconhecimento de coordenadas visando à unidade, tradição e identidade. (...)

- Acentuar, a partir do Período Colonial, o traço de unidade, constituído por constantes e freqüências temáticas e por atitudes críticas que se revigoram a partir do Romantismo.

- No estudo das origens e transformações da literatura no Brasil e brasileira, cremos que as tensões de diluem, não chegam à marca de rupturas profundas, salvo como reflexo do nosso processo histórico global com a passagem do colonialismo à autonomia. [35]

Em A Literatura Brasileira: Origens e Unidade, Castello percebe os legados europeus, enquanto ideias, atitudes de vida, estilos e modelos literários, “atuando em novo condicionamento ou sob circunstâncias de um novo contexto, desencadearia o processo de interação com a paisagem e a cultura nativas. Dessa maneira se transforma e ao mesmo tempo reativa raízes americanas: desencadeia mútuas interferências nessa paisagem física e humana inteiramente nova, o Brasil.” [36] Deste modo, as origens e a formação da Literatura Brasileira, como um processo contínuo que se inicia com manifestações “nativistas”, podem ser observadas, conforme Castello, por uma “visão singular do processo interno para o comparatismo, sem ofuscar, porém, a preponderância da contribuição portuguesa e espanhola, ou seja, hispânica, entre outras”, percebendo uma “Heterogeneidade continental” latino-americana e, principalmente, a parte da América que nos caberia, conforme o Professor.

A Literatura Brasileira: Origens e Unidade salta aos olhos pelas análises requintadas e argumentação bem construídas, gerando uma mescla de história e crítica literárias bem sucedida, porém, enquanto modelo historiográfico literário, não proporciona surpresas aos seus leitores atentos, pois sua configuração é percebida como uma síntese das obras historiográficas tradicionais, como por exemplo, de José Veríssimo, Afrânio Coutinho, mas também das leituras atentas de Alfredo Bosi e sócio-estéticas de um Antonio Candido, já que se percebe os indícios nativistas e as relações dialéticas da colonização, em um processo formativo da Literatura Brasileira, em busca de sua auto-definição, e sua maturidade tardia (brasilidade), no Modernismo Brasileiro do século XX. Talvez, por outro lado, esteja, neste aspecto apontado de síntese crítica e sagaz, no início do século XXI, a inovação desta obra educacional historiográfica, que se debruça sobre as origens e unidade da Literatura Brasileira.

Enquanto uma obra voltada ao ensino de literatura, nas academias universitárias, A Literatura Brasileira: Origens e Unidade deve ser tomada, indubitavelmente, como uma referência contemporânea, no início deste século, inserida em um contexto educacional acadêmico. Ainda, A Literatura Brasileira do Professor Dr. José Aderaldo Castello da Universidade de São Paulo - USP possui como ponto fulcral o empenho da discussão sobre a Literatura, incentivando os seus leitores, no estudo aprofundado dos estudos literários, embasada certamente na tradição da historiografia literária brasileira.

Estas duas magníficas obras analisadas - História concisa da literatura brasileira (1970) do Professor Alfredo Bosi & A Literatura Brasileira: Origens e Unidade (1999) do Professor José Aderaldo Castello - marcam o sistema da historiografia da Literatura Brasileira, fundamentado em seus três pilares: 01) autores das historiografias literárias (educadores universitários formados em reconhecidos centros de ensino brasileiros); 02) obras de história da literatura (elaboradas e debatidas com a tradição historiográfica brasileira) e 03) público-leitor (alunos das universidades brasileiras criadas no século XX). Estes alicerces continuam existindo e dialogando entre si, permanentemente, no sistema brasileiro de Educação.

 

Notas:

[1] BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 42ª. Ed. SP: Editora Cultrix, 1994.

[2] Algumas obras de Alfredo Bosi: José Bonifácio, o Moço - Poesias (texto organizado e apresentado por A. Bosi e N. Scalzo). São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1962. O pré-Modernismo. São Paulo: Ed. Cultrix, 1966. 5.a ed., 1979. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Ed. Cultrix, 1970. 42.ª edição, 2004. Edição em língua espanhola: Historia concisa de la literatura brasileña. México: Ed. Fondo de Cultura Económica, 1983; 2.ª edição, 2001. A Palavra e a Vida (em colaboração com o Prof. Rodolfo Ilari). São Paulo: Ed. Loyola, 1976. O Ser e o Tempo da Poesia. São Paulo: Ed. Cultrix, 1977. 6.ª edição, revista. São Paulo: Cia. das Letras, 2000. Reflexões sobre a Arte. São Paulo: Ed. Ática, 1985. 7.ª edição, 2002. Céu, Inferno. Ensaios de Crítica Literária e Ideológica. São Paulo: Ed. Ática, 1988. Nova edição revista e acrescida. São Paulo: Duas Cidades/Editora 34, 2003. Dialética da Colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. 4.a ed., 1996. Leitura de Poesia. São Paulo: Ed. Ática, 1996. Os Sertões de Euclides da Cunha. Edição didática. Texto estabelecido por Hercílio Ângelo. São Paulo: Ed. Cultrix, 1973. O Conto Brasileiro Contemporâneo. São Paulo: Ed. Cultrix, 1975. 14.ª edição, 2003. A introdução à antologia foi vertida para o alemão sob o título de Situation und Formender zeitgenoessischen brasilianischen Kurzgeschichte, em Brasilianische Literatur, org. por Mechtild Strausfeld. Frankfurt: Suhrkamp, 1984. Araripe Jr. - Teoria, Crítica e História Literária (org.). Rio de Janeiro: LTC/Edusp, 1978. Cuentos de Machado de Assis. Seleção e apresentação. Caracas: Ed. Ayacucho, 1978. Machado de Assis. Em colaboração com J.C. Garbuglio (org.), Mário Curvelo e Valentim Facioli. São Paulo: Ed. Ática, 1982. Graciliano Ramos. Em colaboração com J.C. Garbuglio, Mário Curvelo e Valentim Facioli. São Paulo: Ed. Ática, 1987.As Melhores Poesias de Ferreira Gullar. Seleção e apresentação. São Paulo: Ed. Global, 1983. 7.ª edição, 2004. Cultura Brasileira. Temas e Situações (org.). São Paulo: Ed. Ática, 1987. 4.ª edição, 2003. Hélio Lopes. Letras de Minas e outros ensaios (org.). São Paulo: Edusp, 1997. Machado de Assis. O Enigma do Olhar. São Paulo: Ed. Ática, 1999. 3.ª ed., 2003. Literatura e Resistência. São Paulo: Cia. das Letras, 2002. Machado de Assis. São Paulo: Publifolha, 2002.

[3] Formação: Licenciado em Letras Neolatinas - Português, Italiano, Francês e Espanhol. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (1955-1958). Curso de Especialização em Filologia Românica e em Literatura Italiana na USP (1959-1960). Bolsa de Estudos na Faculdade de Letras da Universidade de Florença - Cursos de Filosofia da Renascença (E. Garin), Literatura Italiana (W. Binni), História da Língua Italiana (Migliorini), Filosofia Geral (C. Luporini) e Estética (Pesce) (1961-1962). Teses e concursos: Doutorado - Itinerário della Narrativa Pirandelliana. Universidade de São Paulo, 1964. Tese inédita. Livre-Docência - Mito e Poesia em Leopardi. Universidade de São Paulo, 1970. Tese inédita. Adjunto à disciplina de Literatura Brasileira, Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (1975). Titular da disciplina de Literatura Brasileira, Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (1985). Carreira docente: Docente de Literatura Italiana - Departamento de Letras, FFLCH/USP, de 1959 a 1969. Docente de Literatura Brasileira - DLCV/FFLCH, desde 1970. Orientador de alunos de pós-graduação em níveis de mestrado e de doutorado na disciplina de Literatura Brasileira da USP, desde 1972.

[4] BOSI, Alfredo. Historia concisa de la literatura brasileña. Fondo de Cultura Económica, México. 1983. (2ª ed., 2001).

[5] De acordo com o Ministério da Educação, são as universidades federais brasileiras (públicas), criadas entre 1920 e 2006: Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD; Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre - UFCSPA; Universidade Federal de Rondônia - UNIR; Universidade Federal de Viçosa - UFV; Universidade Federal do ABC - UFABC; Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA; Universidade Federal do Rio Grande - FURG; Universidade Federal do Tocantins - UFT; Universidade Federal do Vale do São Francisco - UNIVASF; Universidade de Brasília - UnB; Universidade Federal da Bahia - UFBA; Universidade Federal da Paraíba - UFPB; Universidade Federal de Alagoas - UFAL; Universidade Federal de Alfenas - UNIFAL-MG; Universidade Federal de Campina Grande - UFCG; Universidade Federal de Goiás - UFG; Universidade Federal de Itajubá - UNIFEI; Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF; Universidade Federal de Lavras - UFLA; Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT; Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS; Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG; Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP; Universidade Federal de Pelotas - UFPel; Universidade Federal de Pernambuco - UFPE; Universidade Federal de Roraima - UFRR; Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC; Universidade Federal de Santa Maria - UFSM; Universidade Federal de São Carlos - UFSCAR; Universidade Federal de São João Del Rei - UFSJ; Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP; Universidade Federal de Sergipe - UFS; Universidade Federal de Uberlândia - UFU; Universidade Federal do Acre - UFAC; Universidade Federal do Amapá - UNIFAP; Universidade Federal do Amazonas - UFAM; Universidade Federal do Ceará - UFC; Universidade Federal do Espírito Santo - UFES; Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO; Universidade Federal do Maranhão - UFMA; Universidade Federal do Pará - UFPA; Universidade Federal do Paraná - UFPR; Universidade Federal do Piauí - UFPI; Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB; Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ; Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN; Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS; Universidade Federal do Triângulo Mineiro - UFTM; Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM; Universidade Federal Fluminense - UFF; Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA; Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE; Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ; Universidade Federal Rural do Semi-Árido - UFERSA; Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR.

[6] Na USP, Alfredo Bosi foi: Membro da Congregação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. De 1972 a 1984, como representante de categoria. A partir de 1985, como membro nato; Membro do Conselho Editorial da Edusp (1985-1987); Editor da revista Estudos Avançados desde 1989. 55 números, de 1987 ao segundo semestre de 2005; Membro do Conselho Diretor do Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro desde 1991; Coordenador do Programa “Educação para a Cidadania” do Instituto de Estudos Avançados (1991-1994); Diretor do Instituto de Estudos Avançados (1997 a 2001); Vice-Diretor do Instituto de Estudos Avançados (2002 - ); Coordenador da Comissão de Defesa da Universidade Pública (USP, 1998-99); Organizador do documento coletivo A presença da Universidade pública. USP, janeiro de 2000; Membro da Comissão do Código de Ética da Universidade de São Paulo (2001); Presidente da Comissão de Ética da Universidade de São Paulo (2002-03).

[7] Algumas Conferências e cursos dados em várias instituições de ensino e cultura: No Brasil: Unicamp, Unesp, UFJ, UFRGS, UFSC, Universidade Federal de Goiás, Universidade Federal de Ouro Preto, PUC-SP, PUC-RJ, Universidade Mackenzie, Academia Brasileira de Letras, Academia Paulista de Letras, Memorial da América Latina, Associação Brasileira de Escritores, Ministério das Relações Exteriores, Palácio da Cultura (MEC-RJ), Fundação Casa de Rui Barbosa, Fundação Joaquim Nabuco, Museu de Arte Moderna, Biblioteca Euclidiana de São José do Rio Pardo, Museu de Arte de São Paulo, Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro, Biblioteca Municipal “Mário de Andrade”, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Centro Cultural Vergueiro, Instituto Cajamar, Escola Florestan Fernandes. No exterior: Collegio Pio Brasiliano (Roma), Casa de las Américas (Havana), Université de Provence (Aix), Université de Paris IV (Sorbonne), Maison des Sciences de l’Homme, Institut des Hautes Études de l’Amérique Latine (Paris), École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris), Università di Roma “La Sapienza”, Instituto Brasil-Itália (Milão), Centro di Studi Brasiliani (Embaixada do Brasil em Roma), Universidad de la Republica (Montevideo), Universidad de Salamanca (Espanha).

[8] BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 42ª. Ed. SP: Editora Cultrix, 1994. p.11.

[9] Ibidem. p. 12.

[10] Prêmios e distinções: Prêmio de “Melhor Ensaio de 1977” conferido a O Ser e o Tempo da Poesia, pela Associação Paulista de Críticos de Arte. Prêmio de “Melhor Ensaio de 1992”, conferido a Dialética da Colonização pela Associação Paulista de Críticos de Arte. Distinção “Homem de Ideias de 1992”, conferida pelo Jornal do Brasil. Medalha “Cristoforo Colombo”, conferida pela Associação Lígures no Mundo aos estudiosos brasileiros da cultura italiana, em 1992. Prêmio “Casa-Grande & Senzala 1993”, conferido a Dialética da Colonização pela Fundação Joaquim Nabuco. Prêmio “Jabuti” para melhor obra de Ciências Humanas 1993, conferido a Dialética da Colonização. Admissão à “Ordem de Rio Branco” no grau de Comendador, outorgada pelo Presidente da República em 30 de abril de 1996. Prêmio “Jabuti” para melhor ensaio em 2000, conferido a Machado de Assis. O Enigma do Olhar. Admissão à “Ordem do Mérito Cultural”, outorgada pelo Ministério da Cultura em 08 de novembro de 2005.

[11] BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 42ª. Ed. SP: Editora Cultrix, 1994. p. 11.

[12] Ibidem. p. 13.

[13] Ibidem. p. 12.

[14] Ibidem. p. 11.

[15] Ibidem. p. 12.

[16] Ibidem. p. 13.

[17] Ibidem. p. 12-13.

[18] Ibidem.

[19] CASTELLO, José Aderaldo. A Literatura Brasileira: Origens e Unidade (1500 - 1960). 02 Volumes. São Paulo: EDUSP, 1999.

[20] Em 1962, Sérgio Buarque idealizou a fundação do Instituto de Estudos Brasileiros, do qual foi diretor durante os dois primeiros anos. Sua ideia inicial era promover o convívio e incentivar estudos interdisciplinares chamando, para o Instituto de Pesquisa, os titulares de estudos brasileiros das várias áreas acadêmicas. Deveria suceder-se a cada ano um dos especialistas na direção do Instituto, de modo a propiciar pesquisas integradas multidisciplinares. Sendo um centro interdisciplinar de pesquisa e documentação sobre a história e a cultura do país, o IEB - USP demonstrou como diretrizes: 1) propiciar o desenvolvimento de trabalhos conjuntos de professores e pesquisadores que, espalhados por várias unidades da USP, estudam, cada um em sua área, aspectos da cultura brasileira; 2) abrigar estudiosos que desenvolvem pesquisas permanentes e de longa duração; 3) ser capaz de colher, preservar e organizar fontes primárias para os estudos brasileiros, colocando-as a serviço da pesquisa. O IEB permanece fiel a estes objetivos iniciais que motivaram sua criação. O Arquivo, a Biblioteca e a Coleção de Artes Visuais congregam um acervo de mais de 110 mil volumes, 250 mil documentos e 2 mil obras de arte, que podem ser pesquisados e consultados por alunos, professores e pesquisadores, com obras raras, livros, periódicos, partituras, do século XVI ao XX - (Biblioteca); manuscritos, cartas, fotos, recortes e outros documentos guardados por escritores, historiadores e artistas brasileiros (Arquivo); desenhos, gravuras, pinturas e esculturas (Coleção de Artes Visuais). Os acervos e as pesquisas contam, para sua divulgação, com um Serviço de Difusão Cultural, encarregado de Cursos e Publicações. As publicações compreendem catálogos, livros e a Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, fundada em 1966. Os cursos do IEB - USP incluem os de extensão, graduação e de Especialização. C.f.:

[21] Antonio Candido e José A. Castello trabalharam juntos em algumas publicações, como por exemplo, a organização dos volumes da Presença da Literatura Brasileira, cujo prefácio ressalta que “a tarefa foi dividida em partes iguais, não por volume nem por período, mas dentro de cada período; além disso, cada um de nós se encarregou alternativamente, ou em colaboração, das introduções - tudo de maneira a dar a maior unidade possível ao trabalho”. (CANDIDO, Antonio e CASTELLO, José Aderaldo. Presença da Literatura Brasileira. São Paulo: Difel. 1985. p. 07).

[22] CASTELLO, José Aderaldo. A Literatura Brasileira: Origens e Unidade (1500 - 1960). 02 Volumes. São Paulo: EDUSP, 1999.

[23] Ibidem. p.29-30.

[24] Ibidem. p. 30.

[25] Ibidem. p. 18.

[26] Ibidem. p. 37.

[27] Ibidem. p. 17-18.

28] Ibidem. p. 45.

[29] Ibidem. p. 50.

[30] Ibidem. p. 18.

[31] Ibidem. p. 18.

[32] Ibidem. p. 20-21.

[33] Ibidem. p. 22.

[34] Ibidem. p. 22.

[35] Ibidem. p. 31.

[36] Ibidem. p. 18-19.

 

© Flávio Leal 2010

Espéculo. Revista de estudios literarios. Universidad Complutense de Madrid

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