As aporias do Egito Contemporâneo em
Os pequenos mundos do edifício Yacoubian

Anselmo Peres Alós

Doutor em Literatura Comparada (UFRGS/Brasil)
Professor-Leitor de Língua Portuguesa, Literaturas Lusófonas e Cultura Brasileira
Instituto Superior de Ciência e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM/Moçambique)
Professor-Colaborador do Centro Cultural Brasil-Moçambique (Maputo-Moçambique)
anselmoperesalos@yahoo.com.br


 

   
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Resumo: este artigo tem como objetivo a análise da representação de alguns dos aspectos contraditórios no romance Os Pequenos Mundos do Edifício Yacoubian, escrito pelo egípcio Alaa El Aswany, publicado em árabe, pela primeira vez, em 2002. A problematização de questões como a homossexualidade, as diferenças sociais, o imperialismo cultural europeu e os extremismos islâmicos através da representação literária coloca este romance como uma leitura fundamental para a compreensão de como se dá, no plano da textualização literária, a construção, a representação e o questionamento de aspectos fundamentais da cultura egípcia contemporânea.
Palavras-chave: romance egípcio contemporâneo - Alaa El Aswany - Os Pequenos Mundos do Edifício Yacoubian

 

Publicado em árabe pela primeira vez em 2002, e alcançando o raro feito de vender cem mil exemplares em poucos meses, Os Pequenos Mundos do Edifício Yacoubian, primeiro romance publicado pelo dentista egípcio Alaa El Aswany [1], apresenta ao leitor uma painel dos problemas enfrentados pela sociedade egípcia contemporânea. Ao invés do imaginário repleto de pirâmides, esfinges e faraós que logo é despertado na imaginação do leitor brasileiro, o romance de El Aswany toma o velho Edifício Yacoubian, localizado à rua Tala’at Harb número 34 (na baixa do Cairo) como emblema metonímico da intrincada rede de relações sociais do Egito. Este endereço, na verdade, refere-se ao edifício descrito como sendo o Yacoubian nas tomadas de abertura do filme homônimo, dirigido por Marwan Hamed (2006). O agora mundialmente famoso edifício teve sua construção iniciada em 1934, pelo milionário Hagop Yacoubian, um dos mais proeminentes investidores da comunidade armênia residente no país. O projeto foi realizado por uma conceituada empresa italiana da época, e levou pouco mais de dois anos para ser concretizado. Quase um século depois de construído, o edifício - hoje decadente, e lembrando apenas vagamente o luxo e a ostentação dos tempos da monarquia - foi imortalizado nas páginas do romance de El Aswany.

Inspirar-se um edifício real e em pessoas reais para a construção do storyline de seu romance rendeu alguns problemas ao autor. De acordo com Vivian Salama:

Alaa El Aswany has faced legal troubles surrounding the book <

A vocação para a literatura parece estar nas veias da família El Aswany, uma vez que seu pai, Abba El Aswany, além de advogado, foi um renomado escritor, tendo inclusive sido galardoado com o Prêmio Nacional de Literatura de 1972, em seu país natal. Tal como afirma em entrevista ao Le Soir de L’Algérie, a influência do pai foi marcante na vida de Alaa El Aswany, uma vez que o ambiente no qual cresceu estava fortemente marcado pelo interesse pela política e pela literatura:

Rappelons que le romancier Alaa El Aswany est le fils d’Abbas El Aswany, avocat et écrivain bien connu dans Le Caire des années 1950. Né em 1957 au coeur du Caire, Alaa El Aswany évolue, au cours de son enfance, dans une ambiance familiale entièrement dévolue à la politique et à la littérature. Fortement encouragé par son père, son «maître de littérature», affirme-t-il, il se passionne pour les grandes oeuvres littéraires [3].

Nas conversas que se realizam nos pontos de encontro boêmios do Cairo, tais como o Café Zahret El-Bustan (lugar de tertúlia intelectual localizado nos fundos do Café-Restaurante Riche), alguns habitués afirmam seguramente que o verdadeiro autor do romance não seria Alaa El Aswany, mas sim o seu pai, cujas obras não foram traduzidas, até o presente momento, para nenhuma outra língua européia. De acordo com os boatos, o livro estaria já concluído quando Abbas El Aswany faleceu, tendo o filho se apoderado dos originais, com a intenção de o publicar em seu próprio nome. O argumento principal desta tese - sustentam alguns - seria o fato de que os escritos literários posteriores de Alaa El Aswany seriam de nível perceptivelmente inferior ao de Os Pequenos Mundos do Edifício Yacoubian [4]. Não deixa de haver certa ironia no boato, uma vez que um dos temas mais discutidos no cenário da teoria literária dos últimos anos é a suposta “morte do autor”, tema que preocupou intelectuais como Michel Foucault e Roland Barthes.

“A nata da sociedade da altura instalou-se no Edifício Yacoubian - ministros, importantes proprietários de terras, fabricantes estrangeiros e dois milionários judeus” (EL ASWANY, 2008: p. 18). Em 1952, entretanto, em função da revolução que permitiu a nacionalização do Canal de Suez, a derrubada da monarquia e a ascensão de Gamal Abdel Nasser ao poder, iniciou-se um verdadeiro êxodo dos moradores do suntuoso edifício. Os primeiros foram os judeus, e em seguida os demais estrangeiros, de maneira que os luxuosos apartamentos começaram a ser ocupados pelas famílias de oficiais das Forças Armadas Egípcias, “a gente influente dessa altura” (EL ASWANY, 2008, p. 19). No terraço do prédio, havia uma arrecadação correspondente a cada um dos apartamentos luxuosos: tratava-se de pequenos cômodos, de cerca de dois metros quadrados, utilizados nos tempos áureos como pequenos depósitos. A partir da revolução, entretanto, as arrecadações “foram transformadas em lugares para instalar os sufragi, os cozinheiros e as jovens criadas” (EL ASWANY, 2008, p. 19). Algumas das esposas dos militares instalados no edifício “eram de origem plebéia, e não viam nenhum inconveniente em criar pequenos animais (coelhos, patos e galinhas) nos pequenos anexos” (EL ASWANY, 2008, p. 20).

A partir da década de 70, as pessoas abastadas começaram a abandonar a zona da Baixa do Cairo, fixando residência em outras localidades. Os apartamentos passaram a ser alugados para turistas árabes, ou mesmo a servir como pequenos escritórios, consultórios e clínicas para estudantes recém-formados. Em função disso, a ligação entre os amplos apartamentos e a as arrecadações do terraço foram diminuindo, em função da sublocação dos espaços para pessoas humildes. Como resultado, o terraço do Edifício Yacoubian “traduziu-se no desenvolvimento de uma nova comunidade no topo do prédio, completamente independente do resto do edifício” (EL ASWANY, 2008, p. 20). Assim, os andares do edifício reproduzem, metonimicamente, a estratificação social da sociedade egípcia.

O narrador vai apresentando, de maneira fragmentada e entrecortada, o cotidiano de diversas personagens que residem no edifício: Hatim Racheed, o jornalista homossexual; Abd Rabbuh, o jovem policial humilde, amante de Hatim Racheed; Zaki Bei El Dessouki (o bon vivant mulherengo); Dawlat (a irmã viúva de Zaki Bei, que a todo custo tenta arrancar-lhe suas propriedades), Taha El Shazli (o estudante humilde, filho do porteiro, cujo ingresso na Academia de Polícia é impedido, em função da profissão humilde do pai, porteiro do Edifício Yacoubian, e que termina sendo recrutado pelas forças terroristas durante a faculdade); Busayna El Sayed, a jovem que necessita entregar-se sexualmente aos patrões para ajudar a manter a mãe e os irmãos; Abaskharom (o criado de Zaki Bei) e o seu irmão Malak (o alfaiate empreendedor que não hesita em envolver-se em negócios escusos); Hagg Muhammad Azzam Kamil (o humilde engraxate que, aos poucos, vai ascendendo por meios duvidosos, até tornar-se um dos maiores empresários do Cairo).

Não é contra estes personagens tipificados, entretanto, que se dirige a ironia do narrador, mas sim contra a corrupção e o oportunismo, contra o fundamentalismo islâmico e os abusos de poder por parte da polícia, contra a intolerância e a ignorância, contra a hipocrisia moral e religiosa. Ao construir um painel social do Egito da década de 90 do século XX, El Aswany lança mão de um narrador onisciente intruso, o qual observa, à distância, o cotidiano dos personagens que vai apresentando. Ainda que não haja referência temporal explícita, é possível deduzi-la claramente, uma vez que o pano de fundo do romance se situa no mesmo período da Guerra do Golfo, na qual houve intervenção militar por ocasião da invasão do Kuwait pelas tropas do ditador iraquiano Saddam Hussein (1937-2006). A alternância entre focalização interna e focalização externa permite que o narrador retrate os pequenos dramas individuais dos personagens, ao mesmo tempo em que deles se utilize para denunciar as contradições sociais na capital egípcia. Embora todas as personagens sejam valorizadas pelo narrador, destaca-se o papel que Zaki Bei El Dessouki assume no desenrolar da narrativa, uma vez que é com ele que o romance inicia e finda. Mulherengo, boêmio e com uma leve queda pelo whisky, o casamento de Zaki Bei, ao final do romance, pode ser lido como a falência das escolhas individuais frente às pressões sociais da sociedade egípcia, a qual mostra sua ambivalência entre o secularismo revolucionário e o fanatismo islâmico. Esta ambivalência fica explícita na índole de Hagg Muhammad Azzam, o engraxate de rua na juventude que ascende ao posto de poderoso empreendedor e que, travestido com o hábito de impecável respeito aos preceitos islâmicos, galga a corrida pelo poder político à custa do narcotráfico e do tráfico de influências, conquistando um assento como deputado no Parlamento Egípcio.

As arbitrariedades cometidas contra as camadas mais humildes da sociedade egípcia estão metonimicamente representadas pela trajetória de Taha El Shazli ao longo da narrativa. Filho do porteiro do Edifício Yacoubian, Taha é um aluno brilhante, que alcançou resultados excepcionais durante seus estudos, e cujo sonho é ingressar na Academia de Polícia. Após ser aprovado em todos os testes físicos e teóricos, Taha é convocado para a entrevista final, na qual é desclassificado em função da profissão do pai, considerada inferior pela banca examinadora da Academia de Polícia. Sem outra alternativa, Taha tenta ingressar no curso de Economia, na Faculdade de Economia e Ciência Política da Universidade do Cairo. Após a admissão na Faculdade, Taha passa a conviver com outros estudantes islâmicos, realizando leituras e aprofundando seus conhecimentos sobre os preceitos do Islã. Com o passar do tempo, termina aliciado pelo Gamma Islamya [5], tomando parte em protestos e manifestações estudantis contra o massacre dos islâmicos no Kuwait. Detido pela polícia cairota, é interrogado, espancado, torturado e sexualmente violado na prisão. O trauma dessa experiência (e o desejo cego de vingança) faz com que o jovem Taha decida juntar-se aos campos de treinamento. Em sua primeira atuação terrorista, seu caminho cruza com o do policial que orquestrou sua tortura e violação. A trágica vingança de Taha ilustra a realidade dos inúmeros jovens que entregam suas vidas a jihad, e os arbitrários caminhos que levam estes jovens a tomar a guerra em nome do Islã como objetivo último de suas existências.

O entrelugar pós-colonial, resultado do cruzamento da cultura européia e da herança cultural islâmica, é contemplado por El Aswany nos traumas, angústias e culpas que envolvem a relação do jornalista homossexual Hatim Rasheed com Abd Rabbuh. Hatim Rasheed é filho do Dr. Hassam Racheed, Decano da Faculdade de Direito do Cairo, e de Jeannete, tradutora da Embaixada Francesa no Egito. Dada a importância que os pais atribuíam aos seus respectivos trabalhos,

[...] Hatim passou a infância triste e solitário, ao ponto de, ao contrário das outras crianças, chegar a preferir os dias de escola e a odiar as longas férias de verão, que passava sozinho, sem amigos com quem brincar. E, para além da dolorosa solidão, também sentia a alienação e a confusão mental de que sofrem os filhos de casais mistos (EL ASWANY, 2008, p. 74)

Em função da ausência dos pais, Hatim termina por ser educado pelo sufragi Idris, empregado núbio da família. É Idris que, pouco a pouco, inicia Hatim na prática da wasla [6]. Talvez em função desta primeira experiência, Hatim passa o resto de sua vida a buscar o amor e o prazer nos braços de homens humildes pertencentes à classe trabalhadora. Não se pode ignorar também a possibilidade de exercer poder sobre estes homens, os quais, por mínimas quantias, se dispõem a satisfazer Hatim, mesmo quando não identificam a si mesmos como homossexuais. Todavia, Hatim nunca fez de sua orientação sexual uma coisa pública, embora todos os jornalistas e estagiários do Le Caire, o jornal egípcio em língua francesa que dirige, saibam da sua vida secreta.

Depois de muitas tentativas, Hatim Rasheed finalmente estabelece uma relação - relativamente estável - com o jovem soldado Abd Rabuh, homem casado e com um filho, que não apenas descobre suas inclinações homossexuais com Hatim, mas também se aproveita da situação para lhe extorquir dinheiro e manter sua família, coisa que seria impossível com o seu soldo. Entretanto, Abd Habuh precisa administrar seus próprios fantasmas, advindos não apenas dos preconceitos da sociedade egípcia, mas também dos conflitos que sua sexualidade gera, uma vez que entra em choque com os preceitos islâmicos que segue o soldado assassino, em um momento histórico no qual certo puritanismo ganha terreno no mundo muçulmano.

A esposa de Abd Rabuh, mesmo a par da relação do marido com Hatim, mantém-se em silêncio, sabendo das impossibilidades de criar seu filho sem o suporte financeiro dado por Hatim. Depois de perder seu filho, passa a culpar Abd Rabuh, alegando que a morte do filho foi um castigo divino para punir os atos imorais que o marido praticava com Hatim. Abd Rabuh termina por internalizar a culpa projetada por sua esposa, e afasta-se de Hatim. Este, por sua vez, tenta uma reaproximação com Abd Rabuh, o qual, ao fim e ao cabo, termina por assassinar Hatim por estrangulamento, em uma tentativa de exorcizar seus próprios fantasmas e culpas com relação à própria sexualidade. Com relação ao tratamento que dá à homossexualidade em seu romance, o autor afirma o seguinte:

I try to present homosexuals as human beings, not as stereotyped, not as bad people, not as a taboo, not as a person who is lost, someone we don’t even want to think about,— said El Aswany—. This is not fair. One of the most important goals of literature is to make the human life more understandable - to present a human being who is a homosexual, not homosexual as a stereotype [7].

É de se salientar, entretanto, que a representação da homossexualidade no romance pode gerar alguns problemas, uma vez que Hatim é retratado como um homossexual de meia idade, amaneirado, incapaz de manter uma relação estável fora dos pactos que envolvem o pagamento dos serviços sexuais a homens mais jovens. Por mais que o peso das tradições islâmicas no Egito seja inquestionável, resta a dúvida: El Aswany, ao criar o personagem Hatim, consegue realmente retratar o modus vivendi dos homens homossexuais egípcios? O argumento do autor, quando cotejado com a representação da homossexualidade construída no romance, gera a suspeita de uma postura um tanto quanto reducionista com relação à comunidade homossexual egípcia. Esta postura reducionista torna-se ainda mais evidente no momento em que o autor propõe uma “gênese” para a homossexualidade de Hatim, fundada basicamente na ausência dos pais e em um gesto de abuso sexual por parte do sufragi Idris.

Os Pequenos Mundos do Edifício Yacoubian tornou-se rapidamente um sucesso no mundo ocidental. Em 2006, Marwan Hamed traduz o romance para a linguagem cinematográfica, produzindo o filme mais caro da história do cinema egípcio [8]. O filme, apesar de bastante fiel ao romance, faz uma significativa alteração no enredo. O assassino de Hatim, na versão cinematográfica, não é Abd Rabuh, mas sim um rapaz anônimo que, em um momento de estrema solidão, Hatim leva para seu apartamento. Esta alteração minimiza os dilemas internos e a ambivalência dos sentimentos de Abd Rabuh com relação ao jornalista Hatim, tornando o personagem mais linear, em desacordo com o Abd Rabuh retratado no romance. Uma possível interpretação para esta alteração estaria no fato de que o diretor Marwan Hamed houvesse tentado diluir um importante fato relacionado com sociedade egípcia: o de que incidentes como a morte de um filho são, ainda hoje, tomados por grande parte da população como um castigo divino infringido como retaliação aos pecados dos progenitores.

Mesmo fazendo uma pungente crítica ao seu país, Alaa El Aswany mostra-se otimista em relação à postura do Egito no contexto do mundo islâmico. Em uma recente entrevista, o autor declarou o seguinte com relação ao fundamentalismo islâmico em seu país:

We have been influenced by many cultures over the past 8,000 years. This has enriched the Egyptian personality. You can still even feel the pharaonic filament in our character. It makes us more peaceful and open than other people of the Arab world. It's almost impossible for Egypt to become fanatic. There will always be Egyptians who say no to this. We will never be like Iran [9].

De qualquer forma, cabe salientar a maestria com que o autor envereda-se por temas polêmicos, problematizando a sociedade egípcia e dando a sua colaboração, em um momento mais do que oportuno, ao diálogo entre o mundo islâmico e o mundo ocidental.

 

NOTAS:

[1] Há sensíveis diferenças entre as regras de transliteração do árabe utilizadas no Brasil e em Portugal. Optou-se aqui por respeitar a transliteração dos nomes próprios tal como apresentada pela edição portuguesa da obra, mesmo nos casos em que tais transliterações não pareçam ser as mais adequadas.

[2] “Alaa El Aswany enfrentou problemas legais relacionados com o livro, uma vez que muitos residentes do Edifício Yacoubian verdadeiro argumentaram que o romance seria uma invasão de suas privacidades, caracterizando difamação. El Aswany negou veementemente tais acusações, insistindo que as personagens não haviam sido criadas de acordo com uma única pessoa, mas que várias pessoas haviam inspirado o enredo por trás de cada uma das personagens. Além disso, existem três edifícios Yacoubian no Cairo e dois em Beirute - acrescenta El Aswany - e nenhum deles assemelha-se à descrição do edifício Yacoubian construída em seu livro” [tradução minha]. SALAMA, Vivian. A Tale of Some Egyptians: Interview with Alaa El Aswany. Dayly News Egipt. December 8, 2005. Disponível em: http://www.dailystaregypt.com/article.aspx?ArticleID=157. Acesso em: 30 jan. 2010.

[3] “Lembremos que o romancista Alaa El Aswany é filho de Abbas El Aswany, advogado e escritor bem conhecido no Cairo dos anos 50. Nascido em 1957, no coração do Cairo, Alaa El Aswany cresceu, no decorrer de sua infância, em um ambiente familiar inteiramente perpassado pela política e pela literatura. Fortemente encorajado por seu pai, seu “mestre literário”, El Aswany revela-se apaixonado pelas grandes obras literárias” [tradução minha]. MESBAH, Mohamed Chafic. Alaa El Aswany, célèbre romancier égyptien, en visite en Algérie: «l'engagement de l'intellectuel est un devoir permanent». Le Soir de L’Algérie. Alger, Vendredi 21/Samedi 22, Nov. 2008, p. 15.

[4] ANÔNIMO. O Edifício Yacoubian. In: Do Médio Oriente e Afins (blog). 21 de março de 2009. Disponível em: http//domedioorienteeafins.blogspot.com/2009/03/edificio-yacoubian.html. Acesso em: 03 Fev. 2009.

[5] Grupo islâmico militarizado radicado no Egito. O nome da organização é também transliterado como Al-Gama'a al-Islamiyya, Gamaat Islamiya, al Jamaat al Islamiya, ou ainda El Gama'a El Islamiyya. Considerado organização terrorista pelos Estados Unidos, pela União Européia e pelo Governo Oficial do Egito, o grupo é suspeito de estar envolvido, ao menos indiretamente, com o assassinato do presidente egípcio Anwar El Sadat, em 1981.

[6] Wasla, literalmente, é o nome dado a um símbolo utilizado na escrita árabe para indicar a ligação de uma palavra com a palavra anterior. Por analogia ao intercurso sexual anal, ela é utilizada, em um sentido metafórico, para designar as relações sexuais entre dois homens.

[7] “Eu tentei apresentar os homossexuais como seres humanos, não como estereótipos, não como pessoas ruins, não como tabu, não como pessoas perdidas, mas como pessoas sobre quem nós sequer queremos pensar a respeito, disse El Aswany. Isto não é justo. Um dos mais importantes objetivos da literatura é tornar a vida humana inteligível - apresentar um ser humano que é homossexual, e não um homossexual como um estereótipo” [tradução minha, itálicos do texto original]. SALAMA, Vivian. A Tale of Some Egyptians: Interview with Alaa El Aswany. Dayly News Egipt. December 8, 2005. Disponível em: http://www.dailystaregypt.com/article.aspx?ArticleID=157. Acesso em: 30 jan. 2010.

[8] O Edifício Yacoubian (Omaret Yacobean). Drama, Egito. Direção: Marwan Hamed <

[9] “Nós [egípcios] temos sido influenciados por muitas culturas nos últimos oito mil anos. Isto enriqueceu a personalidade egípcia. Você ainda pode encontrar um filamento faraônico em nosso caráter. Isso nos faz mais pacíficos e abertos do que outros povos do mundo árabe. É quase impossível para o Egito tornar-se [uma nação de] fanáticos. Sempre haverá egípcios que dirão não a isso. Jamais seremos como o Irã” [tradução minha]. EL ASWANY, Alaa. Alaa El Aswany: Voice of Reason. Interview by Karen Kostyal. National Geographic. Sept. 2006. Disponível em: http://ngm.nationalgeographic.com/ngm/0609/voices.html. Acesso em: 02 fev. 2010.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANÔNIMO. O Edifício Yacoubian. In: Do Médio Oriente e Afins (blog). 21 de março de 2009. Disponível em: http://domedioorienteeafins.blogspot.com/2009/03/edificio-yacoubian.html. Acesso em: 03 Fev. 2009.

EL ASWANY, Alaa. Os Pequenos Mundos do Edifício Yacoubian. Trad. Helena Falé Chora. Lisboa: Editorial Presença, 2008.

EL ASWANY, Alaa. Alaa El Aswany: Voice of Reason. Interview by Karen Kostyal. National Geographic. Sept. 2006. Disponível em: http://ngm.nationalgeographic.com/ngm/0609/voices.html. Acesso em: 02 fev. 2010.

MESBAH, Mohamed Chafic. Alaa El Aswany, célèbre romancier égyptien, en visite en Algérie: «l'engagement de l'intellectuel est un devoir permanent». Le Soir de L’Algérie. Alger, Vendredi 21/Samedi 22, Nov. 2008, p. 15.

O Edifício Yacoubian (Omaret Yacobean). Drama, Egito. Direção: Marwan Hamed Good News Group. Elenco: Adel Iman, Nour El-Sherif, Yousra, Issad Youniss, Ahmed Bedeir, Ahmed Rateb, Khaled Saleh, Khaled El Savy, Mohamed Iman, Bassem Samra, Somaya El Khashab e Hind Sabry.

SALAMA, Vivian. A Tale of Some Egyptians: Interview with Alaa El Aswany. Dayly News Egipt. December 8, 2005. Disponível em: http://www.dailystaregypt.com/article.aspx?ArticleID=157. Acesso em: 30 jan. 2010.

 

© Anselmo Peres Alós 2011

Espéculo. Revista de estudios literarios. Universidad Complutense de Madrid

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